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terça-feira, 22 de junho de 2004

"Ao contrário do que ocorre com as artes plásticas, no campo da literatura, já faz muitos anos que não se fala em experiências de vanguarda. Aliás, já pouco se falava nisso quando, na segunda metade da década de 50, surgiu no Brasil a poesia concreta e em seguida a neoconcreta. Eram os últimos suspiros do vanguardismo poético, agora tentando criar uma nova linguagem poética que dispensasse o seu discurso e a própria linguagem como estrutura sintática. (...) Fenômeno semelhante ocorrera no teatro, no cinema, na música. Somente nas artes plásticas, o experimentalismo vanguardista persistiu, ainda que ao preço de não mais produzir o que se convencionou chamar de obra de arte.

"Vale a pena deter-se um momento neste ponto. Muita gente conhece ou ouviu falar de poemas dadaístas em que as palavras foram substituídas por meros sinais gráficos. Já pensou se a poesia insistisse em manter-se fiel a essa 'conquista'? E no terreno da prosa, com o exemplo de Joyce com o seu Finnegans Wake? Já imaginaram o que teria acontecido com a prosa de ficção, se os romancistas tivessem decidido a levar adiante a experiência joyceana? Simplesmente, não teriam sido escritas as obras de Faulkner, de Hemingway, de Borges, de García Márquez, de Guimarães Rosa, de Graciliano Ramos, de Cornélio Pena, de Clarice Lispector, sem contar toda a ficção moderna alemã, italiana, inglesa, francesa...

"Seria um erro, no entanto, considerar que as experiências de vanguarda foram um mero equívoco e que mesmo os seus últimos estertores nas artes plásticas não passam de charlatanismo. (...)

"A necessidade de mudança é inerente ao ser humano e sempre coube aos artistas inventar a vida, criar o mundo imaginário. Se o século XX não se tornou plenamente a idade de ouro que prometia, em compensação as inovações artísticas, as vanguardas, enriqueceram e ampliaram as possibilidades expressivas do homem. Depois, se esgotaram, o que não significa nenhuma tragédia. Trata-se de um fenômeno específico do século XX. O fim das vanguardas não implica o fim da arte, mesmo porque todo artista a reinventa em cada obra que cria." (GULLAR, Ferreira. Bravo! 81.)

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