Revista Época - Comer carne é um instinto? Defensores do vegetarianismo afirmam que o homem está num estágio em que não precisa mais matar para comer.
Robert Winston - Provavelmente eles estão certos. Mas comemos carne por instinto. Gostamos de gordura e carboidratos porque, quando estávamos na savana, precisávamos deles como fonte de energia e para o desenvolvimento do cérebro. Houve um tempo em que esses alimentos eram escassos. Brigávamos por eles. Talvez seja isso que os tornem tão desejáveis. Hoje, esse instinto é uma desvantagem. Afinal, não precisamos mais de toda essa energia. É por isso que vivemos uma epidemia mundial de obesidade. Estamos gordos porque tudo o que gostamos de comer tem a ver com os instintos - e não com nossas necessidades.
Época - Quanto o instinto corresponde a nosso comportamento?
Winston - Mais do que imaginamos. No Brasil, há um fenômeno fascinante no trânsito: as pessoas querem acelerar quando o sinal está vermelho. É um exemplo clássico, principalmente entre os homens, da competitividade. É o mesmo instinto que nos permitia caçar quando estávamos na savana. O comportamento instintivo está presente na sociedade moderna em grande extensão. A razão pela qual eu e tantos europeus amamos o Brasil - já estive no país várias vezes - é, em parte, porque os instintos humanos aparecem crus, mais abertamente que em países como a Grã-Bretanha. A sociedade brasileira é menos inibida, e assim os instintos vêm com força, sobretudo no Carnaval. Nós, ingleses, não perdemos nossos instintos, mas os escondemos.
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quinta-feira, 17 de maio de 2012
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