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sexta-feira, 11 de maio de 2012
A falha é um prisma
(Pádua Fernandes)
Meu livro todo são as falhas. Não há representação sem falha. Imagine o seguinte: imagine que o meu livro fosse uma representação perfeita de conflitos sociais. Não seria poesia, não seria arte. A arte acontece justamente na falha, no engano, nas omissões. Essas falhas de representação são a graça que permite que exista a arte. A arte não é, não deve ser uma mimese perfeita do mundo. Meu livro é todo feito de falhas, eu estou investindo aqui no erro, na falha, porque eu sei que aí é que possa acontecer alguma coisa artística, alguma coisa literária. Espero que minhas falhas sejam interessantes.
A falha é essencial, você não vai poder fugir dela, e a falha não é simplesmente erro, a falha é também um prisma. A forma como eu vejo o mundo e a forma como eu represento o mundo, digamos, é uma falha pela qual o mundo se dá para mim. Eu como um simples indivíduo limitado, etc, etc, minha visão de mundo será sempre limitada, será sempre parcial, isso é necessário, não é possível ter uma visão total. O que a gente consegue fazer em arte é que essa visão falha nesse sentido de ser deficiente, pequena e limitada, tenha um interesse para o outro. E isso a gente pode conseguir — que a nossa visão pequena, estreita, de um simples indivíduo que está localizado socialmente, espacialmente, temporalmente —de acordo com o trabalho formal. Se esse trabalho formal for eficaz, essa minha visão pequena, falha, limitada, restrita, vai interessar pros outros e vai ter alguma universalidade.
Todo artista sabe que ele não vai encerrar a arte. É impossível criar a sinfonia que encerre em si todas as sinfonias. É impossível criar o soneto que encerre em si todos os sonetos. É impossível a ideia de fazer Le Livre, o livro, que é a ideia do Mallarmé, nunca vai ter uma feição acabada no papel, a gente nunca vai fazer a obra que resuma todas as obras. Isso é extremamente belo, isso mostra que a arte é inesgotável. Nesse sentido, a gente lida sempre com a questão do finito e do inacabado. Mas por que a gente faz? Acho que a gente faz porque isso é da natureza humana: querer se expressar e ter uma vontade... — isso cada um vai ter dentro da sua vocação.
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