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sexta-feira, 11 de maio de 2012

O ser humano acha que pode ter certeza de que está vendo ou de que viu algo, acha que a visão é um sentido completamente confiável. Mas talvez seja o mais falho, diante da sua complexidade de operação. Aquele bordão "Não é bem isso que você está imaginando" serve perfeitamente neste caso. Ao mesmo tempo, é desconstruído o "Ver para crer", a prova visual, a evidência física.
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O que vemos não é exactamente «o que está lá fora». Vemos é uma representação da cena que está à nossa frente, construída com base nos processos de realimentação entre várias redes neuronais do nosso cérebro. É apenas um modelo simplificado da realidade. A interpretação do que vemos no mundo exterior é uma tarefa muito complexa. Já se descobriram mais de 30 áreas diferentes no cérebro usadas para o processamento da visão. Umas parecem corresponder ao movimento, outras à cor, outras à profundidade (distância) e mesmo à direcção de um contorno. E o nosso sistema visual e o nosso cérebro tornam as coisas mais simples do que aquilo que elas são na realidade. E é essa simplificação que nos permite uma apreensão mais rápida (ainda que imperfeita) da «realidade exterior».

A nossa percepção do mundo é em grande parte auto-produzida. Os estímulos visuais não são estáveis: por exemplo, os comprimentos de onda da luz reflectida pelas superfícies mudam com as alterações na iluminação. Contudo o cérebro atribui-lhes uma cor constante. Uma mão a gesticular produz uma imagem sempre diferente e, no entanto, o cérebro classifica-a consistentemente como uma mão. O tamanho da imagem de um objecto varia com a sua distância mas o cérebro consegue perceber qual é o seu «verdadeiro» tamanho. A tarefa do cérebro é extrair as características constantes e invariantes dos objectos a partir da enorme inundação de informação sempre mutável que recebe.

O que vemos é sempre, em certa medida, uma ilusão. A nossa imagem mental do mundo só vagamente tem por base a realidade. Porque a visão é um processo em que a informação que vem dos nossos olhos converge com a que vem das nossas memórias. E o cérebro tenta sempre encontrar algo de invariante no meio da enorme inundação de informação sempre mutável que recebe.

O processo de ver é um de «completar» o que está em frente a nós com aquilo que o nosso cérebro julga estar a ver. O que vemos não é a imagem na nossa retina - é uma imagem tridimensional criada no cérebro, com base na informação sobre as características que encontramos mas também com base nas nossas «opiniões» sobre o que estamos a ver.

O que vemos não é de facto só uma imagem, uma fotografia. Quando abrimos os olhos, vemos instantaneamente um modelo da cena à nossa frente composta por objectos inseridos num espaço tridimensional. E o nome de cada objecto conhecido aparece na nossa mente tão instantaneamente como a imagem da cena. O nome dele é uma característica que vemos tão imediatamente como a sua cor; e se vemos um objecto de que não gostamos, esse facto emerge também logo instantaneamente. Ou seja, emerge todo um conjunto de informação extraído do que estamos a ver e a imagem parece funcionar quase só apenas como uma espécie de mapa que organiza espacialmente a informação gerada.

A imagem que vemos em cada momento tem que ser simplificada para ser correctamente interpretada e possivelmente também para que possa existir uma representação estável da cena, feita com base em processos de realimentação neuronal. A imagem de cada objecto é por isso «codificada» de modo a que a sua representação possa ser armazenada numa «memória associativa neuronal» e comparada com outras representações nela memorizadas. Quando a atenção se desvia para um lado da cena, os processos de realimentação neuronais são capazes de gerar por si próprios e manter activa a imagem das outras partes da cena. Mas, na realidade, só vemos de um modo mais nítido aquilo que está sob o foco da nossa atenção. Do resto, só formamos uma representação extremamente vaga. O que acontece é que, quando estamos em nossa casa ou nos sítios que frequentamos usualmente, a nossa memória fornece-nos uma ajuda que nos cria a impressão de estarmos a ver mais do que o que realmente estamos a ver. Quando estamos num local estranho, apercebemo-nos melhor de que podemos ver poucas coisas «reais» de cada vez. (DAQUI)

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