[Efeitos Colaterais]
"Pra mim, o Sónar foi um grande expansor de consciência, mais eficiente do que drogas naturais ou sintéticas. De fato, a minha mente começou a ficar bastante permeável a umas coisas com as quais eu não costumava ter paciência. O que achei ótimo. Há alguns anos que procuro abolir os preconceitos e barreiras musicais que eu cultivei com tanto amor e carinho na adolescência. É difícil se desfazer de algo tão querido, mas quando você vê um monte de gente desafiando noções estanques como "gênero", "estilo" ou "show", não tem como não ser contaminado. Na volta foi complicado explicar para muita gente o que foi que eu vi lá, como era o som e o que acontecia. Essa matéria mesmo me deu um trabalho danado e cada vez que eu começava a escrever me dava conta que estava colocando no papel no máximo 5% do que vivi lá. Mas acho que é sempre assim.
"Se vale um último recado, fica a sugestão de ir atrás dos sons mais esquisitos que tocarem lá e deixar tocar randomicamente. O único perigo é daqui a pouco você se pegar com hábitos estranhos e duvidosos como achar a Björk muito pop.
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"Ah, o Sónar. Resumindo da maneira Gordurama, podemos dizer que é "a reunião dos modernetes ficam fazendo sonzinho gay com um monte de aparelho em vez de tomar umas cevas e catar umas minas enquanto rola um rock furioso". Mas não vamos entrar na dos Gordurentos mau humorados. O Sónar é um dos mais importantes festivais do verão europeu. Não reúne os novos queridos da nação indie mundial [como o Reading] nem faz a alegria dos tomadores de ecstasy [como o Homelands ou os Creamfields]. Mas pinça os mais doentes e malucos fazedores de som da atualidade, abrindo totalmente as fronteiras entre gêneros e fazendo com mais propriedade o que todo colunista musical tenta a cada ano: definir pra onde diabos vai a música.
"Há, obviamente, outros pontos de vista. Num dia lá, entrei numa livraria e, folheando um livro de cartuns, achei uma história tipo Allan Sieber detonando o Sónar, dizendo que era um lugar mais pra ver e ser visto, que as pessoas que iam no Sónar ficavam de nariz empinado... ou seja... moderno e revoltado tem em tudo que é lugar do mundo e eles nunca se bicam. Com certeza o Sónar pode ser um lugar pra encontrar muitos metidos. Mas aí vai muito de com quem você anda.
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Tape
"Três indies debruçados sobre uma mesa cheia de equipamentos digitais e analógicos fazendo canções de ruídos e climas. Eu juro pra vocês: não dá sono e é tri bom.
Midaircondo
"Três minas suecas lindas que devem ter vindo do mesmo planeta que a Björk. Cada uma com seu laptop [lá é barato né], ficavam cantando vocalises estranhas enquanto tocam flauta e saxofone. Para iniciados em doenças.
Efterklang
"Sexteto dinamarquês que consegue a façanha de misturar melodias bucólicas e ensolaradas com cordas, sopros e layers de ruídos eletrônicos sem soar difícil. A alegria dos integrantes da banda tocando era contagiosa, combinava com o cair do dia e subia fácil à mente dos presentes. Dica do Eduardo Ramos, da Peligro, que encontrei lá. Aliás, quer coisa mais indie do que encontrar o Eduardo Ramos no Sónar? Acho que eu mereço um troféu." (Mini)
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