por Flávio Seixlack
Com ousados lançamentos, muitos deles descobertos na TramaVirtual, o selo Open Field mostra que CD-R não é sinônimo de tosqueira
02/12/2005
Apêndice da distribuidora Peligro Discos, o selo Open Field surgiu no final de 2004, quando Guilherme Barrella percebeu que muitas bandas novas que gostava não tinham disco lançado e, quando tinham, as tiragens caseiras já tinham se esgotado. ?Ficava um pouco frustrado por não poder incluí-las no catálogo da Peligro?, conta Guilherme. ?Sem falar que no começo da Peligro era difícil conseguir bandas legais toda semana. E essa idéia de fazer um selo com tiragens pequenas sempre foi recorrente para mim?.
A proposta é simples: lançar os discos que gosta sem grandes compromissos. Apesar de ter a Peligro como prioridade, Guilherme cuida do selo como um pai cuida do filho, sempre atencioso quando o assunto é qualidade. ?Os nossos discos são impecáveis, eu garanto. E depois, a Open Field fornece material para a Peligro?. Segundo Guilheme, a Open Field só existe graças a Peligro, embora hoje o selo caminhe sozinho, sem uma dependência grande da distribuidora virtual.
Os CDs da Open Field são sempre lançados em CD-R, e as capinhas são feitas de material reciclável. Um dos motivos de lançar os discos no formato de CD-R é que, por se tratar de bandas pequenas, as tiragens podem ser menores. ?Existem muitos artistas que não necessitam das grandes tiragens industriais (onde a quantidade mínima são 1000 discos, ou 500 dando um jeitinho). A gente faz tiragens de 100 cópias. Se faltar, a gente refaz?. Segundo Guilherme, a Open Field foi a precursora no país, sendo o primeiro selo a utilizar o formato.
Além disso, o selo também é politicamente correto, já que todas as capinhas são feitas de material reciclável. ?Escolhi assim porque acho bonito e também carrega uma mensagem de consciência ecológica. É difícil trabalhar no mercado fonográfico e se preocupar com a natureza. Tudo é de plástico, metal e papel, mas nada é reciclado?.
Apesar de não ser considerado o primeiro lançamento do selo, o disco Radio Sessions da banda Blue Afternoon foi a primeira experiência da Open Field. Com belo encarte e em caixinha de acrílico, o CD ainda não se encaixava nos padrões propostos por Guilherme. ?A gente queria fazer arte, mas não inacessível. Acredito que mesmo um produto caro venderia, a longo prazo, mas isso acaba com a rotatividade do selo. A padronização foi uma boa solução, manteve uma característica especial, ainda são mais que simples discos?.
Oficialmente, o álbum Só Protesto, do artista Tony da Gatorra, já conhecido aqui da TramaVirtual, foi o primeiro lançamento. Fruto de um extenso trabalho, o lançamento do disco do Tony foi um ato de ousadia e ao mesmo tempo uma grande aposta. ?Foi o projeto que a gente mais se envolveu até agora, porque o disco teve que passar por uma masterização mais complexa, os originais eram muito ruins?, lembra. Graças a Open Field, o músico já veio se apresentar em São Paulo duas vezes, e volta mais uma vez à capital paulista em dezembro.
Outro importante CD-R no catálogo do selo é a incrível mixtape do DJ norte-americano Diplo, um dos principais nomes do gênero lá fora. A façanha aconteceu graças ao parceiro de Guilherme na Peligro, o proprietário da Slag Records Eduardo Ramos, que lançou o disco mais recente do DJ por aqui. ?Quando o Diplo esteve aqui no começo do ano, ele discotecou numa das festas da Peligro e conheceu os nossos discos. Essa mixtape tinha sido lançada lá fora num esquema bem parecido e estava esgotada há tempos. O Eduardo nem precisou pilhar muito o cara e o disco rolou?.
Guilherme conta que a TramaVirtual não apenas o ajudou a descobrir a maioria das bandas do selo, como também contribuiu para seu surgimento. ?Foi através do site que eu conheci o Fóssil, de Fortaleza, e me empolguei com a idéia de lançar discos novamente. Tirando o Diplo, que é gringo, e o Ahlev de Bossa, o lançamento mais recente, todas as bandas do selo estão no site?.
Para 2006, além de fazer divulgação na imprensa, a Open Field terá distribuição nacional, graças a um acordo com a gravadora paulista Amplitude. Somando a isso, um monte de lançamentos vem por aí. O disco da banda de metal experimental Elma, do post-rock do Fontaka e até o CD do grupo que acompanhou Damo Suzuki aqui no Brasil (com Maurício Takara, Carlos Issa, Sérgio Ugeda e outros) devem ser lançados pelo selo no próximo ano. Além de uma série de relançamentos, como todos os discos da recifense twee Lulina, do duo Rohrer / Barella e até o primeiro EP do Lado 2 Estéreo, com DJ Dolores. ?Ano que vem promete?.
Open Field - www.openfield.org
Peligro Discos - www.peligro.com.br

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