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sexta-feira, 11 de outubro de 2002

"Essa degeneração [da filosofia], afirma Nietzsche, apareceu claramente com Sócrates, quando se estabeleceu a distinção entre dois mundos, pela oposição entre essencial e aparente, verdadeiro e falso, inteligível e sensível. Sócrates 'inventou' a metafísica, diz Nietzsche, fazendo da vida aquilo que deve ser julgado, medido, limitado, em nome de valores 'superiores' como o Divino, o Verdadeiro, o Belo, o Bem. (...) Sócrates interpretou a arte trágica como algo irracional, algo que apresenta efeitos sem causas e causas sem efeitos, tudo de maneira tão confusa que deveria ser ignorada. Por isso Sócrates colocou a tragédia na categoria das artes aduladoras que representam o agradável e não útil e pedia a seus discípulos que se abstivessem dessas emoções 'indignas de filósofos'. Segundo Sócrates, a arte da tragédia desvia o homem do caminho da verdade: 'uma obra só é bela se obedecer à razão' (...).

(...) criou-se, segundo Nietzsche, uma verdadeira oposição dialética entre Sócrates e Dioniso ["(...) Nietzsche estabeleceu uma distinção entre o apolíneo e o dionisíaco. Apolo é o deus da clareza, da harmonia e da ordem; Dioniso, o deus da exuberância, da desordem e da música. Segundo Nietzsche, o apolíneo e o dionisíaco, complementares entre si, foram separados pela civilização.]: 'enquanto que em todos os homens produtivos o instinto é uma força afirmativa e criadora, em Sócrates o instinto torna-se crítico e negativo e a consciência, criadora'.

(...) Penetrar a própria razão das coisas, distinguindo o verdadeiro do aparente e do erro era, para Sócrates, a única atividade digna do homem.

(...) Segundo Nietzsche, o cristianismo concebe o mundo terrestre como um vale de lágrimas, em oposição ao mundo da felicidade eterna do além. Essa concepção constitui uma metafísica que, à luz das idéias do outro mundo, autêntico e verdadeiro, entende o terrestre, o sensível, o corpo, como o provisório, o inautêntico e o aparente. Trata-se, portanto, de 'um platonismo para o povo', de uma vulgarização da metafísica, que é preciso desmistificar. (...) criaram a ficção do pecado porque não podiam participar das alegrias terrestres e da plena satisfação do instintos da vida. 'Este ódio de tudo o que é humano, de tudo o que é animal e mais ainda de tudo o que é matéria, este horror dos sentidos (...)'." (Marilena Chauí, no prefácio das Obras Incompletas de Nietzsche, da série Os Pensadores.)

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