O timbre do riff-de-uma-corda-só de Stab, faixa 12 do segundo álbum do Built To Spill, There's Nothing Wrong With Love, é sósia do riff-de-uma-corda-só de Mixomatosys, do Radiohead. Será que os de Oxford ouviram os de Idaho? Da banda que tem influências de Pavement, The Flaming Lips e Neil Young eu já tenho todos os álbuns, exceto o primeiro, Ultimate Alternative Wavers, que é bem diferente dos outros, e o Live, que é ao vivo.
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quinta-feira, 27 de novembro de 2003
quarta-feira, 26 de novembro de 2003
Não há progresso de melhoria na arte, porque senão Radiohead seria 30 anos melhor do que Beatles; sempre as novas bandas criativas seriam superiores às que as antecederam; os anos 90 seriam superiores aos 80, que seriam superiores aos 70, e assim por diante; e isso não é verdade. O que há é o pogresso de progredir no tempo, ir além no tempo, avançar no tempo; de fazer diferente, já que muitas coisas já foram feitas antes; é o mecanismo de eterna inovação da arte, possibilitado justamente pelo tempo, pelo acúmulo de vanguardas no decorrer do tempo, que servem como base facilitadora - e dificultadora - para os criadores do agora, que nunca pára. Cada obra de arte é uma unidade completa que chega ao infinito na alma do fruidor, e não há como comparar infinito com infinito. Mas isso não quer dizer que não é importante verificar o progresso temporal da arte, as interinfluências que vão movimentando o progresso da arte no tempo, o contínuo renascimento da arte e a contínua infinitude das possibilidades (sem incorrer na repetição de combinações, pois as notas musicais são sete e só existem elas para serem eternamente repetidas, em infinitas combinações), o que comprova a inesgotabilidade da vanguarda.
"Todo conceito de vanguarda em arte é destituído de sentido. Posso perceber o que ele significa quando aplicado esporte, por exemplo. Aplicá-lo à arte, porém, equivale a admitir a idéia de progresso artístico; e, muito embora o progresso seja um componente óbvio da tecnologia - máquinas mais perfeitas, capazes de desempenhar suas funções de maneira mais adequada e precisa -, como é possível, no campo da arte, que alguém seja mais avançado? Como afirmar que Thomnas Mann é melhor que Shakespeare?" (TARKOVSKI, Andrei. Esculpir no tempo. São Paulo: 1998. Martins Fontes, p. 114-115.)
"Qualquer indivíduo capaz de apreciar a arte irá por certo limitar o seu círculo de obras favoritas com base nas suas preferências mais profundas. Nenhuma pessoa capaz de julgar e de selecionar por si própria pode se interessar por tudo indiscriminadamente. Nem pode haver, para a pessoa dotada de senso estético apurado, qualquer avaliação 'objetiva' fixa." (TARKOVSKI, Andrei. Esculpir no tempo. São Paulo: 1998. Martins Fontes, p.99.)
terça-feira, 25 de novembro de 2003
From: "L. Schuck"
To: "Douglas Dickel"
Subject: ...
Date: Fri, 21 Nov 2003 18:49:46
> Não tinha uma história de ônibus da banda e penhasco?
Ah, tem sim, essa com certeza está naquele livro. Os Cowboys Espirituais estavam voltando numa madrugada fria de um show em Caxias do Sul, quando o Júlio Reny pediu para o ônibus parar porque ele queria mijar. Só que ele não voltava, os outros começaram a se preocupar e mandaram o roadie descer para ver o que havia acontecido. O roadie não achou o Reny e aí todo mundo desceu e começou a chamar por ele, sem resultado. Até que uma hora eles ouviram uma voz ao longe gritando "Estou aqui!". Aí alguém desceu o barranco íngreme de onde vinha a voz e encontrou o Júlio Reny preso em uma árvore. Parece que ele tinha resvalado e rolado um trecho até ficar preso na árvore. Depois ele ficou agradecendo e dizendo que haviam salvado a vida dele. Se bem me lembro, é mais ou menos essa a história.
To: "Douglas Dickel"
Subject: ...
Date: Fri, 21 Nov 2003 18:49:46
> Não tinha uma história de ônibus da banda e penhasco?
Ah, tem sim, essa com certeza está naquele livro. Os Cowboys Espirituais estavam voltando numa madrugada fria de um show em Caxias do Sul, quando o Júlio Reny pediu para o ônibus parar porque ele queria mijar. Só que ele não voltava, os outros começaram a se preocupar e mandaram o roadie descer para ver o que havia acontecido. O roadie não achou o Reny e aí todo mundo desceu e começou a chamar por ele, sem resultado. Até que uma hora eles ouviram uma voz ao longe gritando "Estou aqui!". Aí alguém desceu o barranco íngreme de onde vinha a voz e encontrou o Júlio Reny preso em uma árvore. Parece que ele tinha resvalado e rolado um trecho até ficar preso na árvore. Depois ele ficou agradecendo e dizendo que haviam salvado a vida dele. Se bem me lembro, é mais ou menos essa a história.
Os seres humanos são seres sociais. Agrupam-se por afinidade ou, principalmente, por diferença: por oposição. Pode ver: em qualquer ambiente de relações humanas, há pelo menos - e na maioria das vezes exatamente - dois grupos; a não ser que seja um ambiente novo, no qual pode haver um deslumbramento coletivo temporário.
Salame
De tanto ver o Douglas citar Rilke fui ler o Carta a um jovem poeta. Já parei no primeiro parágrafo, após ler isso:
Quero agradecer-lhe a grande e amável confiança. Pouco mais posso fazer. Não posso entrar em considerações acerca da feição de seus versos, pois sou alheio a toda e qualquer intenção crítica. Não há nada menos apropriado para tocar numa obra de arte do que palavras de crítica, que sempre resultam em mal entendidos mais ou menos felizes. As coisas estão longe de ser todas tão tangíveis e dizíveis quanto se nos pretenderia fazer crer; a maior parte dos acontecimentos é inexprimível e ocorre num espaço em que nenhuma palavra nunca pisou.
Coisa estranha: um poeta que confessadamente foge das palavras, que não procura expandir o seus significados e suas interpretações, no temor de ser mal compreendido... Ora, a linguagem nunca foi capaz de expressar tudo, mas é isso que a torna mais interessante. Se tudo fosse claramente passivel de exposição que graça teria o mundo? Talvez outro dia eu volte a ler Rilke, mas por hora deixo ele de lado. Me soou covarde.
(Charles Pilger)
De tanto ver o Douglas citar Rilke fui ler o Carta a um jovem poeta. Já parei no primeiro parágrafo, após ler isso:
Quero agradecer-lhe a grande e amável confiança. Pouco mais posso fazer. Não posso entrar em considerações acerca da feição de seus versos, pois sou alheio a toda e qualquer intenção crítica. Não há nada menos apropriado para tocar numa obra de arte do que palavras de crítica, que sempre resultam em mal entendidos mais ou menos felizes. As coisas estão longe de ser todas tão tangíveis e dizíveis quanto se nos pretenderia fazer crer; a maior parte dos acontecimentos é inexprimível e ocorre num espaço em que nenhuma palavra nunca pisou.
Coisa estranha: um poeta que confessadamente foge das palavras, que não procura expandir o seus significados e suas interpretações, no temor de ser mal compreendido... Ora, a linguagem nunca foi capaz de expressar tudo, mas é isso que a torna mais interessante. Se tudo fosse claramente passivel de exposição que graça teria o mundo? Talvez outro dia eu volte a ler Rilke, mas por hora deixo ele de lado. Me soou covarde.
(Charles Pilger)
"Bem, Pete Townshend disse 'Eu destruo guitarras porque eu as amo'. Eu não defendo todo ato de destruição de instrumento, mas eu penso que verdadeiros músicos, além de respeitarem um instrumento, sabem das limitações dos instrumentos (qualquer instrumento); e eles também o reconhecem por o que ele é - um instrumento, não um fim em si mesmo. Eu acho que há uma mensagem muito humanística na destruição de instrumentos - a aniquilação de um instrumento como uma aniquilação simbólica das barreiras da comunicação e da expressão emocional." (David / aqui se vê "ele" em vias de destruir uma)
Semana passada, eu e minha noiva passeávamos na praça quando ela escolheu um caminho sob a árvore dos pombos. Eles ficam sentados nos galhos, como passarinhos, fazendo de conta que não são ratos com asas amarradas e olhos de botão de camisa. Eu disse que não devíamos passar ali, porque... e feito, senti a coisa quentinha borrando meu braço direito. Era verde, e borrava também a bolsa da Manuela e uma ponta do casaco dela. Bukowski:
Cenas da peniteniária
I
Sempre destacavam novatos pra limpar a sujeira dos pombos, e enquanto a gente ficava limpando os desgraçados voltavam e cagavam de novo no cabelo, na cara e na roupa da gente. Não se ganhava sabão - apenas água e escovão, e tinha-se que fazer muita força pra tirar toda aquela porcaria. Mais tarde mudava-se pra oficina mecânica, onde pagavam 3 cents por hora, mas quando se era novato a primeira coisa que se fazia era limpar merda de pombo.
Eu estava junto quando Blaine teve a idéia. Viu, parado no canto, um pombo que não podia mais voar.
- Escuta - disse ele, - eu sei que esses bichos falam uns com os outros. Vamos fornecer assunto pra aquele ali. A gente dá um jeito nele e joga lá pra cima no telhado, pra contar pros outros o que tá acontecendo aqui embaixo.
- Tá legal - concordei.
Blaine se aproximou e levantou o pombo do chão. Tinha uma pequena gilete enferrujada na mão. Olhou em torno. Estávamos no canto mais escuro do pátio de exercício. Fazia muito calor e havia uma porção de presos por perto.
- Algum dos cavalheiros presentes não gostaria de me auxiliar nesta operação?
Não houve resposta.
Blaine começou a cortar a para do pombo. Homens fortes viraram as costas. Vi um ou dois, que estavam mais perto, cobrindo o rosto com a mão para não enxergar.
- Porra, caras, o que há com vocês? - gritei. - A gente já tá farto de ficar com o cabelo e os olhos cheios de merda de pombo! Vamos dar um jeito neste aqui pra, quando chegar lá em cima no telhado, poder contar pros outros: "Tem uns sacanas desgraçados lá embaixo! Não cheguem perto deles!" Este pombo vai fazer com que os outros parem de cagar na cabeça da gente!
Blaine jogou o pombo pro alto. Não me lembro mais se a coisa deu certo ou não. Só sei que, enquanto esfregava, minha escova bateu naquelas duas patas. Pareciam estranhíssimas, assim soltas, sem estarem ligadas a pombo nenhum. Continuei esfregando e misturei tudo na merda.
(in BUKOWSKI, Charles. A mulher mais linda da cidade e outras histórias.)
Cenas da peniteniária
I
Sempre destacavam novatos pra limpar a sujeira dos pombos, e enquanto a gente ficava limpando os desgraçados voltavam e cagavam de novo no cabelo, na cara e na roupa da gente. Não se ganhava sabão - apenas água e escovão, e tinha-se que fazer muita força pra tirar toda aquela porcaria. Mais tarde mudava-se pra oficina mecânica, onde pagavam 3 cents por hora, mas quando se era novato a primeira coisa que se fazia era limpar merda de pombo.
Eu estava junto quando Blaine teve a idéia. Viu, parado no canto, um pombo que não podia mais voar.
- Escuta - disse ele, - eu sei que esses bichos falam uns com os outros. Vamos fornecer assunto pra aquele ali. A gente dá um jeito nele e joga lá pra cima no telhado, pra contar pros outros o que tá acontecendo aqui embaixo.
- Tá legal - concordei.
Blaine se aproximou e levantou o pombo do chão. Tinha uma pequena gilete enferrujada na mão. Olhou em torno. Estávamos no canto mais escuro do pátio de exercício. Fazia muito calor e havia uma porção de presos por perto.
- Algum dos cavalheiros presentes não gostaria de me auxiliar nesta operação?
Não houve resposta.
Blaine começou a cortar a para do pombo. Homens fortes viraram as costas. Vi um ou dois, que estavam mais perto, cobrindo o rosto com a mão para não enxergar.
- Porra, caras, o que há com vocês? - gritei. - A gente já tá farto de ficar com o cabelo e os olhos cheios de merda de pombo! Vamos dar um jeito neste aqui pra, quando chegar lá em cima no telhado, poder contar pros outros: "Tem uns sacanas desgraçados lá embaixo! Não cheguem perto deles!" Este pombo vai fazer com que os outros parem de cagar na cabeça da gente!
Blaine jogou o pombo pro alto. Não me lembro mais se a coisa deu certo ou não. Só sei que, enquanto esfregava, minha escova bateu naquelas duas patas. Pareciam estranhíssimas, assim soltas, sem estarem ligadas a pombo nenhum. Continuei esfregando e misturei tudo na merda.
(in BUKOWSKI, Charles. A mulher mais linda da cidade e outras histórias.)
[sonic]
de carona num bloco estreito sobre a lava ardente,
equilibrar-se e estar harmônico é mais importante
do que a velocidade obtida por uma poção mágica.
o controle dos sentidos é que dá potência máxima.
de carona num bloco estreito sobre a lava ardente,
equilibrar-se e estar harmônico é mais importante
do que a velocidade obtida por uma poção mágica.
o controle dos sentidos é que dá potência máxima.
segunda-feira, 24 de novembro de 2003
Eu, de cara, não gostei dos White Stripes, porque são rock and roll e, pior, às vezes parecem Led Zeppelin. Mas não há como não ter pelo menos uma relação ambivalente com duas músicas, por causa do seu hipnotismo, a partir da assistência a videoclipes mais hipnóticos ainda: Seven Nation Army e The Hardest Button To Button. Quando você percebe, está fazendo coisas na batida dessa última. E parece que a Meg White realmente se esmera em criar batidas. A banda foi criada, segundo o Jack White, quando ele viu a Meg tocando de maneira infantil e percebeu que ali havia uma sonoridade interessante - hipnótica.
Um menino teve que passar a noite sozinho na floresta para provar sua coragem de modo que pudesse tornar-se rei. Enquanto estava sozinho, ele foi visitado por uma visão sagrada. No meio do fogo aparece o Cálice Sagrado, símbolo da graça divina de Deus. E uma voz falou ao menino, "Você será o guardião do Cálice, e ele será a cura dos corações dos homens." Mas o menino estava cego por visões maiores, de uma vida cheia de poder e glória e beleza. E nesse estado de perplexidade radical, ele se sentiu por um breve momento não como um garoto, mas invencível... como Deus. E então ele alcançou o fogo para pegar o Cálice. E o cálice desapareceu. Deixando-o com sua mão no fogo, para ser ferido terrivelmente. Agora, enquanto esse menino ficou mais velho, sua ferida ficou mais profunda, até que um dia a vida perdeu a razão para ele. Ele não acreditava em ninguém, nem em si mesmo. Ele não podia amar ou sentir amor. Ele estava doente com a situação. Ele começou a morrer.
Um dia, um tolo entrou no castelo e encontrou o rei sozinho. Sendo um tolo, ele não via um rei, ele via um homem sozinho na dor. E ele perguntou ao rei, "O que o angustia, amigo?" O rei respondeu, "Eu estou com sede. Eu preciso de um pouco de água para refrescar minha garganta." Então o tolo pegou um copo do lado cama, encheu-o com água e deu-no ao rei. Quando o rei começou a beber ele percebeu que sua ferida estava curada. Ele olhou para as suas mãoes, e havia o Cálice Sagrado que ele havia procurado durante toda a sua vida! Então ele virou-se para o tolo e disse em espanto, "Como você encontrou o que meu brilho e minha bravura não haviam conseguido?" E o tolo respondeu, "Eu não sei. Eu só sabia que você estava com sede."
[mão]
é a palma que determina
o movimento da vontade.
portanto, é ela que molda
o que vai ser a seguir.
é a palma que determina
o movimento da vontade.
portanto, é ela que molda
o que vai ser a seguir.
[túneis]
há também um túnel
com escuridão no fim.
há vários túneis.
devemos percorrê-los
tantos quanto possível,
dentro do nosso quarto
mais ou menos amplo.
a vivência dilata
a vida, a existência.
há também um túnel
com escuridão no fim.
há vários túneis.
devemos percorrê-los
tantos quanto possível,
dentro do nosso quarto
mais ou menos amplo.
a vivência dilata
a vida, a existência.
"A arte também é apenas uma maneira de viver. A gente pode preparar-se para ela sem o saber, vivendo de qualquer forma. Em tudo o que é verdadeiro, está-se mais perto dela do que nas falsas profissões meio-artísticas. Estas, dando a ilusão de uma proximidade da arte, praticamente negam e atacam a existência de qualquer arte. Assim o faz, mais ou menos, todo o jornalismo, quase toda a crítica e três quartos daquilo que se chama e se quer chamar literatura." (Rilke)
Rainer Rilke é gênio, oráculo. Esta carta, a antepenúltima ao jovem poeta Franz Kappus, fala da tristeza como crescimento, do destino como vindo de dentro, da solidão como condição primeira humana e a qual devemos aceitar para a plenitude da existência.
"(...) Muita coisa não se terá mudado dentro de si? Algum recanto de seu ser não se terá modificado enquanto estava triste? Perigosas e más são apenas as tristezas que levamos por entre os homens para a abafar a sua voz. Como as doenças tratadas superficialmente e à toa, elas apenas se escondem e, depois de leve pausa, irrompem muito mais terríveis. Juntam-se no fundo da alma e formam uma vida não vivida, repudiada, perdida, de que se pode até morrer. (...) São, com efeito, esses momentos [os de tristeza] em que algo de novo entra em nós, algo de ignoto: nossos sentimentos emudecem com embaraçosa timidez, tudo em nós recua, levanta-se um silêncio e a novidade, que ninguém conhece, se ergue aí, calada, no meio.
"Parece-me que todas as nossas tristezas são momentos de tensão que consideramos parilisia porque já não ouvimos viver nossos sentimentos que nos tornaram estranhos; porque estamos a sós com o estrangeiro que veio nos visitar; porque, num relance, todo o sentimento familiar e habitual nos abandonou; porque nos encontramos no meio de uma transição onde não podemos permanecer. Eis por que a tristeza também passa: a novidade em nós, o acréscimo, entrou em nosso coração, penetrou no seu mais íntimo recanto. Nem está mais lá - já passou para o sangue. Não sabemos o que houve. Facilmente nos poderiam fazer crer que nada aconteceu; no entanto, ficamos transformados, como se transforma uma casa em que entra um hóspede. Não podemos dizer quem veio, talvez nunca o venhamos a saber, mas muitos sinais fazem crer que é o futuro que entra em nós dessa maneira para se transformar em nós mesmos muito antes de vir a acontecer. (...) O momento, aparentemente anódino e imóvel, em que o nosso futuro entra em nós, está muito mais próximo da vida do que aquele outro, sonoro e acidental, em que ele nos sobrevém como se chegasse de fora. (...) Há de se reconhecer, aos poucos, que aquilo a que chamamos destino sai de dentro dos homens em vez de entrar neles. Muitas pessoas não percebem o que delas saiu, porque não absorveram o seu destino enquanto o viviam, nem o transformaram em si mesmas. (...) Como os homens durante muito tempo se iludiram acerca do movimento do sol, assim se enganam ainda em relação ao movimento do que está para vir. O futuro está firme . . . nós é que nos movimentamos no espaço infinito.
"(...) Falando novamente em solidão, torna-se cada vez mais evidente que ela não é, na realidade, uma coisa que nos seja possível tomar ou deixar. Somos nós. Podemos enganar-nos a este respeito e agir como se não fosse assim; nada mais. Mas quão melhor é admitir que se é só, e mesmo partir daí. Naturalmente, começaremos por sentir tonturas, pois todos os pontos em que costumávamos descansar os olhos nos são retirados, não há mais nada perto e os longes ficam todos infinitamente longe. (...) Temos que aceitar a nossa existência em toda a plenitude possível; tudo, inclusive o inaudito, deve ficar possível dentro dela. No fundo, só essa coragem nos é exigida: a de sermos corajosos em face do estranho, do maravilhoso e do inexplicável que se nos pode defrontar. (...) Somente quem está preparado para tudo, quem não exclui nada, nem mesmo o mais enigmático, poderá viver sua relação com outrem como algo vivo e ir até o fundo de sua própria existência. Se imaginarmos a existência do indivíduo como um quarto mais ou menos amplo, veremos que a maioria não conhece senão um canto do seu quarto, um vão de janela, uma lista por onde passeiam o tempo todo, para assim possuir certa segurança. (...) Não temos motivos de desconfiar de nosso mundo, pois ele não nos é hostil. Havendo nele espantos, são os nossos; abismos, eles nos pertencem. (...)
"(...) Por que deseja excluir de sua vida toda e qualquer inquietação, dor e melancolia, quando não sabe como tais circunstâncias trabalham no seu aperfeiçoamento? (...) Desejava algo melhor do que transformar-se? (...)"
"(...) Muita coisa não se terá mudado dentro de si? Algum recanto de seu ser não se terá modificado enquanto estava triste? Perigosas e más são apenas as tristezas que levamos por entre os homens para a abafar a sua voz. Como as doenças tratadas superficialmente e à toa, elas apenas se escondem e, depois de leve pausa, irrompem muito mais terríveis. Juntam-se no fundo da alma e formam uma vida não vivida, repudiada, perdida, de que se pode até morrer. (...) São, com efeito, esses momentos [os de tristeza] em que algo de novo entra em nós, algo de ignoto: nossos sentimentos emudecem com embaraçosa timidez, tudo em nós recua, levanta-se um silêncio e a novidade, que ninguém conhece, se ergue aí, calada, no meio.
"Parece-me que todas as nossas tristezas são momentos de tensão que consideramos parilisia porque já não ouvimos viver nossos sentimentos que nos tornaram estranhos; porque estamos a sós com o estrangeiro que veio nos visitar; porque, num relance, todo o sentimento familiar e habitual nos abandonou; porque nos encontramos no meio de uma transição onde não podemos permanecer. Eis por que a tristeza também passa: a novidade em nós, o acréscimo, entrou em nosso coração, penetrou no seu mais íntimo recanto. Nem está mais lá - já passou para o sangue. Não sabemos o que houve. Facilmente nos poderiam fazer crer que nada aconteceu; no entanto, ficamos transformados, como se transforma uma casa em que entra um hóspede. Não podemos dizer quem veio, talvez nunca o venhamos a saber, mas muitos sinais fazem crer que é o futuro que entra em nós dessa maneira para se transformar em nós mesmos muito antes de vir a acontecer. (...) O momento, aparentemente anódino e imóvel, em que o nosso futuro entra em nós, está muito mais próximo da vida do que aquele outro, sonoro e acidental, em que ele nos sobrevém como se chegasse de fora. (...) Há de se reconhecer, aos poucos, que aquilo a que chamamos destino sai de dentro dos homens em vez de entrar neles. Muitas pessoas não percebem o que delas saiu, porque não absorveram o seu destino enquanto o viviam, nem o transformaram em si mesmas. (...) Como os homens durante muito tempo se iludiram acerca do movimento do sol, assim se enganam ainda em relação ao movimento do que está para vir. O futuro está firme . . . nós é que nos movimentamos no espaço infinito.
"(...) Falando novamente em solidão, torna-se cada vez mais evidente que ela não é, na realidade, uma coisa que nos seja possível tomar ou deixar. Somos nós. Podemos enganar-nos a este respeito e agir como se não fosse assim; nada mais. Mas quão melhor é admitir que se é só, e mesmo partir daí. Naturalmente, começaremos por sentir tonturas, pois todos os pontos em que costumávamos descansar os olhos nos são retirados, não há mais nada perto e os longes ficam todos infinitamente longe. (...) Temos que aceitar a nossa existência em toda a plenitude possível; tudo, inclusive o inaudito, deve ficar possível dentro dela. No fundo, só essa coragem nos é exigida: a de sermos corajosos em face do estranho, do maravilhoso e do inexplicável que se nos pode defrontar. (...) Somente quem está preparado para tudo, quem não exclui nada, nem mesmo o mais enigmático, poderá viver sua relação com outrem como algo vivo e ir até o fundo de sua própria existência. Se imaginarmos a existência do indivíduo como um quarto mais ou menos amplo, veremos que a maioria não conhece senão um canto do seu quarto, um vão de janela, uma lista por onde passeiam o tempo todo, para assim possuir certa segurança. (...) Não temos motivos de desconfiar de nosso mundo, pois ele não nos é hostil. Havendo nele espantos, são os nossos; abismos, eles nos pertencem. (...)
"(...) Por que deseja excluir de sua vida toda e qualquer inquietação, dor e melancolia, quando não sabe como tais circunstâncias trabalham no seu aperfeiçoamento? (...) Desejava algo melhor do que transformar-se? (...)"
"O amor é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer, tornar-se algo em si mesmo, tornar-se um mundo para si, por causa de um outro ser." Segundo Rilke, ainda, o amor é o compartilhamento da solidão profunda do indivíduo humano, e ele resulta num trabalho interior que vai moldando a vida.
sexta-feira, 21 de novembro de 2003
Estou extinguindo minha velha conta de e-mail no BOL.
"STONER ROCK SEU MANÉ, BEM VELHO ISTO É SUPER
DESCONHECIDO NO BRASIL E ATÉ ONDE SE ORIGINOU É
BEM UNDERGROUND, É UM ESTILO CRU ,DIRETO TEM QUE
ESCUTAR. É ROCK DOUGLAS SÓ COM MUITA ATITUDE E
PESO RESUMINDO É O SOM DOS BARES DO DESERTO DO
TEXAS,CALIFORNIA ETC.. MUSICA PARA ESTRADEIROS (
MOTOCICLISTAS, CAMINHONEIROS E LOUCOS EM
GERAL)" (Garibaldi, definindo stoner rock)
"Legal vc conhece uma das bandas precursoras do estilo ( Kyuss) o
Queens of the stone age é fundada por 2 integrantes do Kyuss ,
mas o QOTSA praticamente não tem nada de stoner é apenas
uma banda de rock com pitadas punk e pop. Bandas de stoner
legais mesmo são ALABAMA THUNDER PUSSY, FU MANCHU,
MONSTER MAGNET, KARMA TO BURN,
NATAS,DOWN,NASVILLE, E A GREEN MACHINE esta vai dar o
que falar , vamos tocar muito por aí te aviso e sobre a demo no
ano que vem vamos gravar um cd com 8 músicas para dar uma
sacudida no rock gaucho, bem amigo espero que tocamos um dia
juntos num boteco por aí abraço GARIBALDI"
"STONER ROCK SEU MANÉ, BEM VELHO ISTO É SUPER
DESCONHECIDO NO BRASIL E ATÉ ONDE SE ORIGINOU É
BEM UNDERGROUND, É UM ESTILO CRU ,DIRETO TEM QUE
ESCUTAR. É ROCK DOUGLAS SÓ COM MUITA ATITUDE E
PESO RESUMINDO É O SOM DOS BARES DO DESERTO DO
TEXAS,CALIFORNIA ETC.. MUSICA PARA ESTRADEIROS (
MOTOCICLISTAS, CAMINHONEIROS E LOUCOS EM
GERAL)" (Garibaldi, definindo stoner rock)
"Legal vc conhece uma das bandas precursoras do estilo ( Kyuss) o
Queens of the stone age é fundada por 2 integrantes do Kyuss ,
mas o QOTSA praticamente não tem nada de stoner é apenas
uma banda de rock com pitadas punk e pop. Bandas de stoner
legais mesmo são ALABAMA THUNDER PUSSY, FU MANCHU,
MONSTER MAGNET, KARMA TO BURN,
NATAS,DOWN,NASVILLE, E A GREEN MACHINE esta vai dar o
que falar , vamos tocar muito por aí te aviso e sobre a demo no
ano que vem vamos gravar um cd com 8 músicas para dar uma
sacudida no rock gaucho, bem amigo espero que tocamos um dia
juntos num boteco por aí abraço GARIBALDI"
A Rolling Stone fez uma lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos. Eu observei que:
a) os anos 90 só aparecem em 17º, com Nevermind, sendo que o In Utero aparece em 439º, bem depois da 311ª posição do MTV Unplugged;
b) o Radiohead aparece só em 110º, com The Bends, sendo que OK Computer, comumente citado entre os melhores de todos os tempos, está em 162º;
c) o Sonic Youth só aparece em 329º, com Daydream Nation;
d) Mezzanine aparece 7 posições depois de Blue Lines, em mais um caso que não dá para entender de valorizar mais o disco dance que o disco rock do Massive Attack;
e) The Piper At The Gates Of Dawn, o disco que é comumente considerado o mais inventivo do Pink Floyd, aparece em 347º, 304 posições abaixo de Dark Side Of The Moon;
f) The Strokes aparecem na 367ª posição e The White Stripes na 390ª, a despeito de muitas vezes serem considerados criações da mídia ou algo do tipo.
Listo aqui os dez primeiros e a posição em que ficaram aqueles que eu acho interessantes.
1. Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, The Beatles
2. Pet Sounds, The Beach Boys
3. Revolver, The Beatles
4. Highway 61 Revisited, Bob Dylan
5. Rubber Soul, The Beatles
6. What's Going On, Marvin Gaye
7. Exile on Main Street, The Rolling Stones
8. London Calling, The Clash
9. Blonde on Blonde, Bob Dylan
10. The Beatles ("The White Album"), The Beatles
13. Velvet Underground and Nico, The Velvet Underground
17. Nevermind, Nirvana
22. Plastic Ono Band, John Lennon
33. Ramones, Ramones
35. The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars, David Bowie
41. Never Mind the Bollocks, Here's the Sex Pistols, The Sex Pistols
42. The Doors, The Doors
43. The Dark Side of the Moon, Pink Floyd
44. Horses, Patti Smith
87. The Wall, Pink Floyd
110. The Bends, Radiohead
134. Slanted and Enchanted, Pavement
157. Closer, Joy Division
162. OK Computer, Radiohead
197. Murmur, R.E.M.
200. The Downward Spiral, Nine Inch Nails
209. Wish You Were Here, Pink Floyd
210. Crooked Rain, Crooked Rain, Pavement
219. Loveless, My Bloody Valentine
226. Doolittle, Pixies
247. Automatic for the People, R.E.M.
253. Trans-Europe Express, Kraftwerk
268. Psycho Candy, The Jesus and Mary Chain
292. White Light / White Heat, The Velvet Underground
297. Weezer (Blue Album), Weezer
305. Odelay, Beck
309. Nothing's Shocking, Jane's Addiction
311. MTV Unplugged in New York, Nirvana
314. The Velvet Underground, The Velvet Underground
315. Surfer Rosa, Pixies
327. Jagged Little Pill, Alanis Morissette
329. Daydream Nation, Sonic Youth
344. Berlin, Lou Reed
347. The Piper at the Gates of Dawn, Pink Floyd
360. Siamese Dream, The Smashing Pumpkins
367. Is This It, The Strokes
373. Post, Bjork
390. Elephant, The White Stripes
395. Blue Lines, Massive Attack
405. Rid of Me, PJ Harvey
410. Pink Flag, Wire
412. Mezzanine, Massive Attack
419. Dummy, Portishead
428. Kid A, Radiohead
435. To Bring You My Love, PJ Harvey
439. In Utero, Nirvana
440. Sea Change, Beck
453. Ritual de lo Habitual, Jane's Addiction
466. Live Through This, Hole
470. Document, R.E.M.
473. A Rush of Blood to the Head, Coldplay
487. Mellon Collie and the Infinite Sadness, The Smashing Pumpkins
492. Vitalogy, Pearl Jam
a) os anos 90 só aparecem em 17º, com Nevermind, sendo que o In Utero aparece em 439º, bem depois da 311ª posição do MTV Unplugged;
b) o Radiohead aparece só em 110º, com The Bends, sendo que OK Computer, comumente citado entre os melhores de todos os tempos, está em 162º;
c) o Sonic Youth só aparece em 329º, com Daydream Nation;
d) Mezzanine aparece 7 posições depois de Blue Lines, em mais um caso que não dá para entender de valorizar mais o disco dance que o disco rock do Massive Attack;
e) The Piper At The Gates Of Dawn, o disco que é comumente considerado o mais inventivo do Pink Floyd, aparece em 347º, 304 posições abaixo de Dark Side Of The Moon;
f) The Strokes aparecem na 367ª posição e The White Stripes na 390ª, a despeito de muitas vezes serem considerados criações da mídia ou algo do tipo.
Listo aqui os dez primeiros e a posição em que ficaram aqueles que eu acho interessantes.
1. Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, The Beatles
2. Pet Sounds, The Beach Boys
3. Revolver, The Beatles
4. Highway 61 Revisited, Bob Dylan
5. Rubber Soul, The Beatles
6. What's Going On, Marvin Gaye
7. Exile on Main Street, The Rolling Stones
8. London Calling, The Clash
9. Blonde on Blonde, Bob Dylan
10. The Beatles ("The White Album"), The Beatles
13. Velvet Underground and Nico, The Velvet Underground
17. Nevermind, Nirvana
22. Plastic Ono Band, John Lennon
33. Ramones, Ramones
35. The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars, David Bowie
41. Never Mind the Bollocks, Here's the Sex Pistols, The Sex Pistols
42. The Doors, The Doors
43. The Dark Side of the Moon, Pink Floyd
44. Horses, Patti Smith
87. The Wall, Pink Floyd
110. The Bends, Radiohead
134. Slanted and Enchanted, Pavement
157. Closer, Joy Division
162. OK Computer, Radiohead
197. Murmur, R.E.M.
200. The Downward Spiral, Nine Inch Nails
209. Wish You Were Here, Pink Floyd
210. Crooked Rain, Crooked Rain, Pavement
219. Loveless, My Bloody Valentine
226. Doolittle, Pixies
247. Automatic for the People, R.E.M.
253. Trans-Europe Express, Kraftwerk
268. Psycho Candy, The Jesus and Mary Chain
292. White Light / White Heat, The Velvet Underground
297. Weezer (Blue Album), Weezer
305. Odelay, Beck
309. Nothing's Shocking, Jane's Addiction
311. MTV Unplugged in New York, Nirvana
314. The Velvet Underground, The Velvet Underground
315. Surfer Rosa, Pixies
327. Jagged Little Pill, Alanis Morissette
329. Daydream Nation, Sonic Youth
344. Berlin, Lou Reed
347. The Piper at the Gates of Dawn, Pink Floyd
360. Siamese Dream, The Smashing Pumpkins
367. Is This It, The Strokes
373. Post, Bjork
390. Elephant, The White Stripes
395. Blue Lines, Massive Attack
405. Rid of Me, PJ Harvey
410. Pink Flag, Wire
412. Mezzanine, Massive Attack
419. Dummy, Portishead
428. Kid A, Radiohead
435. To Bring You My Love, PJ Harvey
439. In Utero, Nirvana
440. Sea Change, Beck
453. Ritual de lo Habitual, Jane's Addiction
466. Live Through This, Hole
470. Document, R.E.M.
473. A Rush of Blood to the Head, Coldplay
487. Mellon Collie and the Infinite Sadness, The Smashing Pumpkins
492. Vitalogy, Pearl Jam
O filho de 21 anos duma colega de trabalho tatuou o Coringa no braço. A mãe apavorou-se porque ela é "grande e preta e vermelha", o Coringa "tem uns dentões" e o guri "sempre foi certinho". Então jogou clorofina - vulgo Qboa - em cima da ferida aberta. Saindo um pouco de tinta, pegou uma escova de dente para, esfregando e escovando, tentar "tirar" a tatuagem dali.
Percebo que já estou num trabalho de cavocar sobre os filhos da puta. Pois, o Doug Martsch (guitarrista vocalista compositor do Built To Spill) tem um projeto com Calvin Johnson (vocalista do Beat Happening; criador do selo K Records, em Olympia, que só aceitava bandas sem contrabaixo e cujo logotipo o Kurt Cobain tatuou; fundador do "calvinismo", uma "religião" que proibia a associação de bandas a grandes gravadoras; vocalista do Dub Narcotic Sound System), os Halo Benders, que gravaram God Don't Make No Junk (1994), Don't Tell Me Now (1996) e The Rebels Not In (1998).
"Embora Lee Ranaldo seja um subestimado vocalista e compositor - músicas como Mote e Eric's Trip estão entre as melhores do Sonic Youth - seus discos solos nunca realmente exploraram este lado da sua personalidade musical." (AMG)
(Aquele dia, eu saí postando a foto do Lee Ranaldo nuns fotologs: no /desktop (que parece que faz uma seleção e então esse meu post foi deletado), no /noir e no
/black_n_white.)
(Aquele dia, eu saí postando a foto do Lee Ranaldo nuns fotologs: no /desktop (que parece que faz uma seleção e então esse meu post foi deletado), no /noir e no
/black_n_white.)
[xicrinha]
meu coração ilumina sangue
no fim da tarde petrificada.
embora eu levante com o sol,
meu olho amanhece é agora.
meu coração ilumina sangue
no fim da tarde petrificada.
embora eu levante com o sol,
meu olho amanhece é agora.
O fotolog Blanched está bastante ativo, no momento. E no outono tem novo disco. E eu ainda não nos vi na MTV.
quinta-feira, 20 de novembro de 2003
1. Cara estranho
2. Quem sabe
3. A flor
4. Além do que se vê
5. Tenha dó
6. Mais uma canção
7. O vencedor
8. Pierrot
9. Todo carnaval tem seu fim
10. Samba a dois
11. Azedume
12. Cadê teu suín-?
13. Tá bom
14. Aline
15. Deixa estar
16. Conversa de botas batidas
17. Outro alguém
18. Fingi na hora de rir
19. Do lado de dentro
20. Descoberta
21. De onde vem a calma
22. Adeus você
2. Quem sabe
3. A flor
4. Além do que se vê
5. Tenha dó
6. Mais uma canção
7. O vencedor
8. Pierrot
9. Todo carnaval tem seu fim
10. Samba a dois
11. Azedume
12. Cadê teu suín-?
13. Tá bom
14. Aline
15. Deixa estar
16. Conversa de botas batidas
17. Outro alguém
18. Fingi na hora de rir
19. Do lado de dentro
20. Descoberta
21. De onde vem a calma
22. Adeus você
Solidão, criança versus adulto, profissões; enfim, a filosofia poética do Rilke.
" . . . se verificar, nesse momento, que a sua solidão é grande, alegre-se com isto. Que seria, com efeito, uma solidão (faça esta pergunta a si mesmo) que não tivesse grandeza? Há uma solidão só: é grande e difícil de se carregar. Quase todos, em certas horas, gostariam de trocá-la por uma comunhão qualquer, por mais banal e barata que fosse; por uma aparência de acordo insignificante com quem quer que seja; com a pessoa mais indigna. O que se torna preciso é . . . estar sozinho como se estava quando criança, enquanto os adultos iam e vinham, ligados a coisas que pareciam importantes e grandes porque esses adultos tinham um ar tão ocupado e porque nada se entendia de suas ações.
"Se depois um dia a gente descobre que suas ocupações são mesquinhas e suas profissões petrificadas, sem ligação alguma com a vida, por que não voltar a olhá-los outra vez como uma criança olha para uma coisa estranha, do âmago de seu próprio mundo, dos longes de sua própria solidão que é, por si só, trabalho, dignidade e profissão? Por que querer trocar a sábia não-compreensão de uma criança pela defensiva e pelo desprezo - uma vez que a não-compreensão significa solidão, ao passo que defensiva e desprezo equivalem à participação nas próprias coisas cujo afastamento se deseja?
"Pense, caro senhor, no mundo que leva em si e chame o seu pensamento como quiser: reminiscência da sua própria infância ou saudade do futuro - o que importa apenas é prestar atenção ao que nasce dentro de si e colocá-lo acima de tudo o que observar ao redor. Os seus acontecimentos interiores merecem todo o seu amor; neles de certa maneira deve trabalhar (...) Examine se todas as profissões não são assim cheias de exigências, de hostilidade contra o indivíduo, como que ensopadas do ódio daqueles que, mudos, resmungando, se tiveram de conformar com o simples dever. (...) Este sentimento constrangedor não lhe seria poupado. Por toda parte as coisas são assim. Mas isto não é um motivo de angústia ou tristeza. Não tendo nenhuma comunhão com os homens, procure ficar perto das coisas, que não o abandonarão. Ainda há as noites e os ventos que passam pelas árvores e percorrem muitos países. No mundo das coisas e dos bichos tudo está ainda cheio de acontecimentos de que o senhor pode participar. As crianças são ainda como o senhor era quando criança, tão tristes e tão felizes - e quando pensar na sua infância, torne a viver entre elas, as crianças solitárias: os adultos voltarão a não ser nada, e suas dignidades não terão nenhum valor." (Rilke)
" . . . se verificar, nesse momento, que a sua solidão é grande, alegre-se com isto. Que seria, com efeito, uma solidão (faça esta pergunta a si mesmo) que não tivesse grandeza? Há uma solidão só: é grande e difícil de se carregar. Quase todos, em certas horas, gostariam de trocá-la por uma comunhão qualquer, por mais banal e barata que fosse; por uma aparência de acordo insignificante com quem quer que seja; com a pessoa mais indigna. O que se torna preciso é . . . estar sozinho como se estava quando criança, enquanto os adultos iam e vinham, ligados a coisas que pareciam importantes e grandes porque esses adultos tinham um ar tão ocupado e porque nada se entendia de suas ações.
"Se depois um dia a gente descobre que suas ocupações são mesquinhas e suas profissões petrificadas, sem ligação alguma com a vida, por que não voltar a olhá-los outra vez como uma criança olha para uma coisa estranha, do âmago de seu próprio mundo, dos longes de sua própria solidão que é, por si só, trabalho, dignidade e profissão? Por que querer trocar a sábia não-compreensão de uma criança pela defensiva e pelo desprezo - uma vez que a não-compreensão significa solidão, ao passo que defensiva e desprezo equivalem à participação nas próprias coisas cujo afastamento se deseja?
"Pense, caro senhor, no mundo que leva em si e chame o seu pensamento como quiser: reminiscência da sua própria infância ou saudade do futuro - o que importa apenas é prestar atenção ao que nasce dentro de si e colocá-lo acima de tudo o que observar ao redor. Os seus acontecimentos interiores merecem todo o seu amor; neles de certa maneira deve trabalhar (...) Examine se todas as profissões não são assim cheias de exigências, de hostilidade contra o indivíduo, como que ensopadas do ódio daqueles que, mudos, resmungando, se tiveram de conformar com o simples dever. (...) Este sentimento constrangedor não lhe seria poupado. Por toda parte as coisas são assim. Mas isto não é um motivo de angústia ou tristeza. Não tendo nenhuma comunhão com os homens, procure ficar perto das coisas, que não o abandonarão. Ainda há as noites e os ventos que passam pelas árvores e percorrem muitos países. No mundo das coisas e dos bichos tudo está ainda cheio de acontecimentos de que o senhor pode participar. As crianças são ainda como o senhor era quando criança, tão tristes e tão felizes - e quando pensar na sua infância, torne a viver entre elas, as crianças solitárias: os adultos voltarão a não ser nada, e suas dignidades não terão nenhum valor." (Rilke)
Thurston Moore - Root (1999)
A Lo Recordings enviou 100 trechos de guitarra do Thurston Moore para uma porção de artistas, com a sugestão de eles criarem novas músicas usando as idéias do Thurston como ponto de partida. (...) (Fonte: All Music Guide)
1. Derek Bailey
2. Alec Empire
3. Mogwai
4. Luke Vibert
5. Christie, Donald & The Underdog
6. Blur (o nome da música é 101%)
7. Mark Webber
8. Stereolab
9. Cheap Glue
10. Add N To X
11. Springheel Jack
12. Hypnotist
13. Mellowtrons
14. Warren Defever
15. VVM
16. Third Eye Foundation
17. David Cunningham
18. Echo Park
19. Merzbow
20. Richard Thomas
21. Stock, Hausen & Walkman
22. Twisted Science V. Burzootie
23. Bruce Gilbert
24. Arashi V. Red King
25. Russell Haswell
A Lo Recordings enviou 100 trechos de guitarra do Thurston Moore para uma porção de artistas, com a sugestão de eles criarem novas músicas usando as idéias do Thurston como ponto de partida. (...) (Fonte: All Music Guide)
1. Derek Bailey
2. Alec Empire
3. Mogwai
4. Luke Vibert
5. Christie, Donald & The Underdog
6. Blur (o nome da música é 101%)
7. Mark Webber
8. Stereolab
9. Cheap Glue
10. Add N To X
11. Springheel Jack
12. Hypnotist
13. Mellowtrons
14. Warren Defever
15. VVM
16. Third Eye Foundation
17. David Cunningham
18. Echo Park
19. Merzbow
20. Richard Thomas
21. Stock, Hausen & Walkman
22. Twisted Science V. Burzootie
23. Bruce Gilbert
24. Arashi V. Red King
25. Russell Haswell
Dim Stars - Dim Stars (1992)
Os Dim Stars são uma superbanda-de-um-disco-só com Richard Hell, Don Fleming (Gumball), Thurston Moore e Steve Shelley (Sonic Youth). Foi a primeira gravação de um álbum feita pelo Richard Hell desde o seu Destiny Street, de 1982. All My Witches Come True, Downtown At Dawn e o cover de T. Rex Rip Off soam como Richard Hell, enquanto Dim Star Theme e Incense Is The Essence lembram o noise-guitar do Sonic Youth. Um momento interessante do álbum é Stray Cat Generation, cantada pelo Don Fleming, numa homenagem a Blank Generation, que contém o riff que mais tarde foi chupado pelos Stray Cats. Robert Quine, guitarrista dos Voidoids, aparece em cinco faixas. (Fonte: All Music Guide)
Os Dim Stars são uma superbanda-de-um-disco-só com Richard Hell, Don Fleming (Gumball), Thurston Moore e Steve Shelley (Sonic Youth). Foi a primeira gravação de um álbum feita pelo Richard Hell desde o seu Destiny Street, de 1982. All My Witches Come True, Downtown At Dawn e o cover de T. Rex Rip Off soam como Richard Hell, enquanto Dim Star Theme e Incense Is The Essence lembram o noise-guitar do Sonic Youth. Um momento interessante do álbum é Stray Cat Generation, cantada pelo Don Fleming, numa homenagem a Blank Generation, que contém o riff que mais tarde foi chupado pelos Stray Cats. Robert Quine, guitarrista dos Voidoids, aparece em cinco faixas. (Fonte: All Music Guide)
Como prometido, a letra da música-do-metrô.
Mil e uma noites de amor
Pepeu Gomes
Eu só quero você
E mais nada
Não me engana
Vem beleza humana
Fica ao meu lado
Preciso de amor
Outra cena
Somos dois poemas
Apaixonados
Poderemos sonhar
Eu só quero você
E mais nada
Vida humana
Tem outra vida humana
Que bom seria
Um dia nós dois
E na cama
O beleza humana
Sonho ao teu lado
Preciso de amor
Mil e uma noites de amor
Você chegou
Você chegou amor
Chegou amor
Chegou amor
Chegou amor
Chegou
Mil e uma noites de amor
Pepeu Gomes
Eu só quero você
E mais nada
Não me engana
Vem beleza humana
Fica ao meu lado
Preciso de amor
Outra cena
Somos dois poemas
Apaixonados
Poderemos sonhar
Eu só quero você
E mais nada
Vida humana
Tem outra vida humana
Que bom seria
Um dia nós dois
E na cama
O beleza humana
Sonho ao teu lado
Preciso de amor
Mil e uma noites de amor
Você chegou
Você chegou amor
Chegou amor
Chegou amor
Chegou amor
Chegou
"Nada acontece no mundo? Por acaso você está fora do ar? Pessoas são assassinadas todos os dias. Há genocídio, guerra, corrupção. Toda porra de dia, em alguma parte do mundo, alguém sacrifica sua vida para salvar outra. Toda porra de dia, alguém, em algum lugar, toma uma decisão consciente de destruir outra pessoa! Pessoas encontram o amor, pessoas perdem-no! Por Deus, uma criança vê sua mãe lutando contra a morte nas escadas de uma igreja. Alguém fica brabo. Outro alguém trai seu melhor amigo por causa de uma mulher. Se você não encontra essas coisas na sua vida, então você, meu amigo, não sabe picas sobre vida! E por que porra você está gastando duas preciosas horas do meu tempo com seu filme? Eu não tenho nenhum uso para isto. Eu não tenho nenhum sangue para usar nisto!" (Robert McKee, para Charlie Kaufman, sobre fazer roteiros que contrariem qualquer aspecto dos filmes comerciais ou não levar isto em conta e não se prender a isto; do filme metalingüístico Adpatação, do Spike Jonze, com o Nicholas Cage.)
quarta-feira, 19 de novembro de 2003
[poste-fios]
o emaranhado complexo da eletricidade que nos alimenta
convive com a simplicidade infinita do céu ao fundo.
o emaranhado complexo da eletricidade que nos alimenta
convive com a simplicidade infinita do céu ao fundo.
"No próprio homem, parece-me, há maternidade carnal e espiritual; a sua criação também é uma maneira de dar à luz, pois criar com plenitude íntima é dar à luz." (Rilke)
Imagine você. Você encontra o amor da sua vida, aprende a amar, vive o amor como sentido da existência, tem como lema é-um-pelo-outro. Até então, você era responsável por praticamente 100% de cada decisão a ser tomada, cada passo no longo passeio. Na nova realidade, a coisa muda: você passa a ser responsável por, em média, 50% de cada decisão a ser tomada - uma lógica automática de tão natural e intrínseca ao tipo de relação humana de que estamos tratando aqui. Seus amigos - incluem-se parentes-amigos - que estavam acostumados com o 100 e que ou são menos inteligentes, ou estão menos atentos, ou estão imersos num recalque umbilicocêntrico que visa à infelicidade alheia como forma de autoconforto, acham que você está sendo mandado pelo seu amor, que você está obedecendo ordens de outrem. E então a real percepção dessa nova realidade pelo amigo é prejudicada, até mesmo impedida. É necessário ter os olhos inclusive fora da cabeça para compreender as coisas todas, para ser justo; para reconhecer os próprios problemas a serem resolvidos e perceber que cada outro é um ser único e complexo como si próprio.
[conta de vezes]
eles estão num grande conluio
em prol da manutenção
do grande conluio,
que é o jogo,
que é não jogar,
ou fazer de conta que joga,
ou que não,
ou fazer de conta simplesmente.
a ordem dos fatores
não altera o produto.
qual é a operação da
matemática mesmo?
multiplicação.
a vida é feita de multiplicação.
em todos os sentidos.
eles estão num grande conluio
em prol da manutenção
do grande conluio,
que é o jogo,
que é não jogar,
ou fazer de conta que joga,
ou que não,
ou fazer de conta simplesmente.
a ordem dos fatores
não altera o produto.
qual é a operação da
matemática mesmo?
multiplicação.
a vida é feita de multiplicação.
em todos os sentidos.
E agora, voltamos com nossa programação normal. OK, passado o choque inicial com as mudanças do Radiohead, a gente já se acostumou com elas, e os três discos que vieram já não são menos do que indiscutivelmente geniais, por unanimidade. Hoje de manhã, eu comecei a ouvir o novo dos Flaming Lips, recém-baixado, e nele percebi influências do novo-rumo-do-rock-alternativo, indicado desde Kid A pelo quinteto de Oxford. OK, mas isto pode acabar representando o gradual abandono da estrutura guitar band, pelo tal rock alternativo. Será que daqui uns anos eu vou, nós vamos, estar como os rock and rollers hoje: seguindo uma estética que já foi soterrada por outra, na célebre transformação-em-datado? Se bem que eu me lembro de Velvet Underground, Silver Apples, Beatles, bandas que, mesmo pertencendo a épocas com predominância de bandas hoje percebidas como datadas, mantêm uma sonoridade cronologicamente universal.
[pressuposto da obra]
toda sombra pressupõe luz.
se o sol está lá no cume
e a construção, no escuro,
aprenda sobre o andaime.
toda sombra pressupõe luz.
se o sol está lá no cume
e a construção, no escuro,
aprenda sobre o andaime.
terça-feira, 18 de novembro de 2003
COURTNEY, THE MUSE / COURTNEY, A MUSA
1. You Know You're Right / Você sabe que você está certa
(Kurt Cobain)
I would never bother you / Eu nunca irei te aborrecer
I would never promise to / Eu nunca prometerei
I will never follow you / Eu nunca irei te seguir
I will never bother you / Eu nunca irei te aborrecer
Never speak a word again / Nunca fale uma palavra novamente
I will crawl away for good / Eu engatinharei para longe por bem
I will move away from here / Eu irei para longe daqui
You won't be afraid of fear / Você costuma temer o medo
No thought was put into this / Nenhum pensamento foi inventado sobre isto
I always knew it'll come to this / Eu sempre soube que isto aconteceria
Things have never been so swell / As coisas nunca estiveram tão boas
And I have never felt so well / E eu nunca me senti tão bem
Pain... / Dor...
You know you're right / Você sabe que você está certa
I'm so warm and calm inside / Eu estou tão entusiasmado e calmo por dentro
I no longer have to hide / Eu já não tenho que esconder
Let's talk about someone else / Vamos falar sobre outro alguém
Steaming, soup begins to melt / Sopa quente contra sua boca
Nothin' really bothers her / Nada realmente a aborrece
She just wants to love herself / Ela apenas quer amar a si mesma
Pain... / Dor...
You know you're right / Você sabe que está certa
You know your rights / Você conhece seus direitos
Pain... / Dor...
2. I'll Stick Around / Ficarei Por Aqui
(Dave Grohl)
I thought I knew / Eu achava que sabia
All it took to bother you / Isso tudo que te aborrece
Every word I said was true / Cada palavra que eu disse foi verdade
And that you'll see / E você irá perceber
How could it be / Como podia ser
I'm the only one who sees / Eu era o único que via aquela
Your rehearsed insanity / Sua loucura ensaiada
I still refused / Eu continuo a recusar
All the methods you abused / Todos os métodos de que você abusou
It's alright if you're confused / Tudo bem se você é confusa
Let me be / Me deixe
I've been around / Eu tenho ficado perto de
All the pawns / Todas as garantias
You've gagged and bound / Que você amordaçou e saltou
They'll come back and knock you down / Elas irão voltar e acabar com você
And I'll be free / E eu estarei livre
I've taken all and I've endured / Eu tenho levado e aguentado isto tudo
One day this all will fade I'm sure / Um dia isso tudo vai acabar, tenho certeza
I don't owe you anything / Eu não devo nada à você
I had no hand / Eu nunca me meti
In your ever desperate plan / Nos seus planos desesperados
It returns and when it lands / Mas quando retornam
Words are due / As palavras machucam
I should've known / Eu devia ter percebido
We were better off alone / Que o melhor era estarmos longe um do outro
I looked and I was shown / Eu vi e me mostraram
You were too / Também mostraram a você
I don't owe you anything / Eu não devo nada a você
I'll stick around / Ficarei por aqui
And learn from all that came from it / E aprenderei com isso tudo
1. You Know You're Right / Você sabe que você está certa
(Kurt Cobain)
I would never bother you / Eu nunca irei te aborrecer
I would never promise to / Eu nunca prometerei
I will never follow you / Eu nunca irei te seguir
I will never bother you / Eu nunca irei te aborrecer
Never speak a word again / Nunca fale uma palavra novamente
I will crawl away for good / Eu engatinharei para longe por bem
I will move away from here / Eu irei para longe daqui
You won't be afraid of fear / Você costuma temer o medo
No thought was put into this / Nenhum pensamento foi inventado sobre isto
I always knew it'll come to this / Eu sempre soube que isto aconteceria
Things have never been so swell / As coisas nunca estiveram tão boas
And I have never felt so well / E eu nunca me senti tão bem
Pain... / Dor...
You know you're right / Você sabe que você está certa
I'm so warm and calm inside / Eu estou tão entusiasmado e calmo por dentro
I no longer have to hide / Eu já não tenho que esconder
Let's talk about someone else / Vamos falar sobre outro alguém
Steaming, soup begins to melt / Sopa quente contra sua boca
Nothin' really bothers her / Nada realmente a aborrece
She just wants to love herself / Ela apenas quer amar a si mesma
Pain... / Dor...
You know you're right / Você sabe que está certa
You know your rights / Você conhece seus direitos
Pain... / Dor...
2. I'll Stick Around / Ficarei Por Aqui
(Dave Grohl)
I thought I knew / Eu achava que sabia
All it took to bother you / Isso tudo que te aborrece
Every word I said was true / Cada palavra que eu disse foi verdade
And that you'll see / E você irá perceber
How could it be / Como podia ser
I'm the only one who sees / Eu era o único que via aquela
Your rehearsed insanity / Sua loucura ensaiada
I still refused / Eu continuo a recusar
All the methods you abused / Todos os métodos de que você abusou
It's alright if you're confused / Tudo bem se você é confusa
Let me be / Me deixe
I've been around / Eu tenho ficado perto de
All the pawns / Todas as garantias
You've gagged and bound / Que você amordaçou e saltou
They'll come back and knock you down / Elas irão voltar e acabar com você
And I'll be free / E eu estarei livre
I've taken all and I've endured / Eu tenho levado e aguentado isto tudo
One day this all will fade I'm sure / Um dia isso tudo vai acabar, tenho certeza
I don't owe you anything / Eu não devo nada à você
I had no hand / Eu nunca me meti
In your ever desperate plan / Nos seus planos desesperados
It returns and when it lands / Mas quando retornam
Words are due / As palavras machucam
I should've known / Eu devia ter percebido
We were better off alone / Que o melhor era estarmos longe um do outro
I looked and I was shown / Eu vi e me mostraram
You were too / Também mostraram a você
I don't owe you anything / Eu não devo nada a você
I'll stick around / Ficarei por aqui
And learn from all that came from it / E aprenderei com isso tudo
enfartar v. t. 1. Causar enfarte a. 2. Encher de comida; fartar. 3. Obstruir; entupir. (Luft)
Entenda o infarto do miocárdio
- É uma lesão no músculo cardíaco causada pela obstrução da artéria coronária, responsável pela irrigação do coração
- Quando a artéria entope, parte do músculo cardíaco (miocárdio) deixa de receber sangue e nutrientes
- Cerca de 20 minutos depois, essa privação mata os tecidos da região atingida. Quanto maior a artéria bloqueada, maior a área afetada
Sintomas
- Dor ou forte pressão no peito
- Dor no peito refletindo nos ombros, braço esquerdo (ou os dois), pescoço e maxilar
- Dor abdominal
- Suor
- Palidez
- Falta de ar
- Síncope (perda temporária de consciência)
- Sensação de morte iminente
- Náuseas e vômitos
Fatores de risco
- Histórico familiar de doença coronária
- Idade (a partir dos 60 anos)
- Colesterol alto
- Triglicérides elevado
- Hipertensão arterial
- Obesidade
- Diabetes
- Fumo
- Estresse
- Sedentarismo
Como se prevenir
- Alimentação balanceada (pobre em gorduras animais)
- Praticar exercícios de 30 a 40 minutos de três a quatro vezes por semana
- Manter o peso sob controle
- Exames de prevenção (avaliação clínica periódica, eletrocardiograma de repouso, hemograma, colesterol total e frações, triglicérides, glicose e teste de esforço)
(Folha)
Entenda o infarto do miocárdio
- É uma lesão no músculo cardíaco causada pela obstrução da artéria coronária, responsável pela irrigação do coração
- Quando a artéria entope, parte do músculo cardíaco (miocárdio) deixa de receber sangue e nutrientes
- Cerca de 20 minutos depois, essa privação mata os tecidos da região atingida. Quanto maior a artéria bloqueada, maior a área afetada
Sintomas
- Dor ou forte pressão no peito
- Dor no peito refletindo nos ombros, braço esquerdo (ou os dois), pescoço e maxilar
- Dor abdominal
- Suor
- Palidez
- Falta de ar
- Síncope (perda temporária de consciência)
- Sensação de morte iminente
- Náuseas e vômitos
Fatores de risco
- Histórico familiar de doença coronária
- Idade (a partir dos 60 anos)
- Colesterol alto
- Triglicérides elevado
- Hipertensão arterial
- Obesidade
- Diabetes
- Fumo
- Estresse
- Sedentarismo
Como se prevenir
- Alimentação balanceada (pobre em gorduras animais)
- Praticar exercícios de 30 a 40 minutos de três a quatro vezes por semana
- Manter o peso sob controle
- Exames de prevenção (avaliação clínica periódica, eletrocardiograma de repouso, hemograma, colesterol total e frações, triglicérides, glicose e teste de esforço)
(Folha)
"Aqui, tendo em redor de mim uma possante região sobre a qual passam ventos vindos dos mares, bem sinto que nenhum homem pode responder às perguntas e aos sentimentos que têm vida própria no âmago de seu ser. Mesmo os melhores se enganam no uso das palavras quando estas têm de significar o que há de mais discreto, de quase indizível. Creio, contudo, que o senhor não deixará de encontrar uma solução, se se agarrar a coisas que se assemelham a si, como as que agora dão repouso aos meus olhos. Se se agarrar à natureza, ao que ela tem de simples, à miudeza que quase ninguém vê e tão inesperadamente se pode tornar grande e incomensurável; se possuir este amor ao insignificante; se procurar singelamente ganhar como um servidor a confiança daquilo que parece pobre - então tudo lhe há de tornar fácil, harmonioso e, por assim dizer, reconciliador; não talvez no intelecto, que ficará atrás, espantado, mas sim na sua mais íntima consciência, que vigia e sabe." (Rilke)
segunda-feira, 17 de novembro de 2003
Quando eu morava em Novo Hamburgo, certo dia, eu voltava para casa pela calçada, e um cãozinho passou a me seguir. Quando eu parava para atravessar a rua, ele parava também. E me olhava. Às vezes me ultrapassava, mas logo parava e olhava para trás para se certificar de que eu ainda estava na sua companhia, e ele na minha. Quando chegamos na entrada do edifício, eu disse para ele que não dava para ele ir junto comigo, dali. Entrei no prédio, triste, subi pelo elevador, entrei no apartamento. Alguns instantes mais tarde, lembrei-me de olhar pela janela, ver se ele ainda estava lá embaixo. Estava. Morto.
Hoje aconteceu parecido. Eu e a Manu estávamos sentados no nosso-banco, quando um cusco passava do outro lado da rua. Ela o achou bonito e assobiou, e eu também. Até que ele percebeu de onde vinham os chamados, e veio até nós. Era bem bonito mesmo. Aproximava-se com cautela - vira-latas espertos precisam agir assim, porque costumam ser espancados na rua. No outro lado do lago, passeava, com a dona, um cocker spaniel, que diferença em relação ao cusco: os cuscos são bem mais bonitos! Alcancei a cabeça do cusco quando ele deu um passo a mais, e percebi que seu pelo era macio. A Manuela disse que suas pernas eram elegantes, pernas compridas de galgo. "É um cão-garça!", eu disse. Cores de patas típicas de cusco, descendente de fox: amarelinhas até quase os dedos, onde começa o branco. Rabo comprido, os dois olhos com remela seca. Fred? Hugo? Decidimos chamá-lo de Húmus. Merdas que servem de adubo e dão origem à vida. Duas mãos diferentes acariciavam a cabeça do Húmus, mas as patas traseiras ainda permaneciam esticadas, revelando que ele ainda não havia relaxado, confiado totalmente em nós. Mas, logo, sim, e estava deitado ao nosso lado. Algumas dezenas de segundos e já estava na hora de ir embora, e saímos com a pequena tristeza de não termos uma câmera fotográfica para gravar a imagem do Húmus, quem possivelmente não veríamos mais. A Manuela foi para um lado, e eu fui para o outro, e ele pareceu segui-la, e eu gritei "Manu!", só que ele viera era para o meu lado, tanto que ela deve ter entendido o chamamento como um aviso de que ele decidira acompanhar a mim. Eu e ele, felizes, esperamos para atravessar a rua. Quando o sinal fechou, eu disse "Agora!". E ele atravessou comigo. Num momento ultrapassou-me, mas logo olhou para trás, meio que apavorado para ver se eu continuava com ele, e ele comigo. No canteiro, fez cocô. Foi então que descobri que não era o Húmus, mas a Húmus. A Humas. Cada vez mais se aproximava, com a nossa movimentação constante, a porta em que deveríamos nos despedir, a porta do prédio do meu trabalho. Chegando quase na escada, percebi uma distração da Humas e saí correndo. No elevador, olhei para a direção da porta e ela estava lá, cheirando o meu cheiro no chão e olhando para todos os lados do saguão, tentando me encontrar. Resolveu farejar no sentido inverso, e se foi me procurar não sei até onde.
Hoje aconteceu parecido. Eu e a Manu estávamos sentados no nosso-banco, quando um cusco passava do outro lado da rua. Ela o achou bonito e assobiou, e eu também. Até que ele percebeu de onde vinham os chamados, e veio até nós. Era bem bonito mesmo. Aproximava-se com cautela - vira-latas espertos precisam agir assim, porque costumam ser espancados na rua. No outro lado do lago, passeava, com a dona, um cocker spaniel, que diferença em relação ao cusco: os cuscos são bem mais bonitos! Alcancei a cabeça do cusco quando ele deu um passo a mais, e percebi que seu pelo era macio. A Manuela disse que suas pernas eram elegantes, pernas compridas de galgo. "É um cão-garça!", eu disse. Cores de patas típicas de cusco, descendente de fox: amarelinhas até quase os dedos, onde começa o branco. Rabo comprido, os dois olhos com remela seca. Fred? Hugo? Decidimos chamá-lo de Húmus. Merdas que servem de adubo e dão origem à vida. Duas mãos diferentes acariciavam a cabeça do Húmus, mas as patas traseiras ainda permaneciam esticadas, revelando que ele ainda não havia relaxado, confiado totalmente em nós. Mas, logo, sim, e estava deitado ao nosso lado. Algumas dezenas de segundos e já estava na hora de ir embora, e saímos com a pequena tristeza de não termos uma câmera fotográfica para gravar a imagem do Húmus, quem possivelmente não veríamos mais. A Manuela foi para um lado, e eu fui para o outro, e ele pareceu segui-la, e eu gritei "Manu!", só que ele viera era para o meu lado, tanto que ela deve ter entendido o chamamento como um aviso de que ele decidira acompanhar a mim. Eu e ele, felizes, esperamos para atravessar a rua. Quando o sinal fechou, eu disse "Agora!". E ele atravessou comigo. Num momento ultrapassou-me, mas logo olhou para trás, meio que apavorado para ver se eu continuava com ele, e ele comigo. No canteiro, fez cocô. Foi então que descobri que não era o Húmus, mas a Húmus. A Humas. Cada vez mais se aproximava, com a nossa movimentação constante, a porta em que deveríamos nos despedir, a porta do prédio do meu trabalho. Chegando quase na escada, percebi uma distração da Humas e saí correndo. No elevador, olhei para a direção da porta e ela estava lá, cheirando o meu cheiro no chão e olhando para todos os lados do saguão, tentando me encontrar. Resolveu farejar no sentido inverso, e se foi me procurar não sei até onde.
sexta-feira, 14 de novembro de 2003
"Da literatura, propriamente, pouco falam as cartas. (...) O resto é muito mais importante, uma vez que a parte formal da arte acaba sempre por se realizar, quando atrás dela há uma imposição total de vida transbordante." (Cecília Meireles in RILKE, Rainer Maria. Cartas a um jovem poeta.)
Do site do Sonic Youth: "(...) Out Trios Series, do selo Atavistic, é dedicada exclusivamente à mais cativante música instrumental disponível no universo, baseada em contexto, estrutura & limitações do formato trio; um experimento de liberdade, interação & arquitetura sônica. Como lançamento debutante, reúnem-se Lee Ranaldo (Sonic Youth), Roger Miller (Mission Of Burma/Binary System) e a lenda do free jazz nova-iorquino William Hooker. Ondas extraterrestres massivas de ápice sonoro (...) música interplanetária. Com Ranaldo na guitarra, Miller nos teclados & Hooker atrás do kit, e essência textural de cada músico emerge - criando uma simultaneamente nova e familiar experiência de audição (...)." O nome da reunião é Monsoon.
Pérolas da manhã:
1. "Gwyneth Paltrow nasceu privilegiada, mas gosta de namorar bad boys, como o roqueiro Chris Martin [do Coldplay]." (Love Chain, um programa do canal E!, da DirectTV)
2. "A Manuela está deixando o Douglas mais mauricinho, gostei de ver." (Zeni, minha chefe imediata, sobre a camiseta pólo que estou usando hoje...)
1. "Gwyneth Paltrow nasceu privilegiada, mas gosta de namorar bad boys, como o roqueiro Chris Martin [do Coldplay]." (Love Chain, um programa do canal E!, da DirectTV)
2. "A Manuela está deixando o Douglas mais mauricinho, gostei de ver." (Zeni, minha chefe imediata, sobre a camiseta pólo que estou usando hoje...)
quinta-feira, 13 de novembro de 2003
[fechadura]
os escombros
são tão bonitos
porque já sabem
o que é a vida.
sem o telhado,
o sol adentra.
também a chuva.
os escombros
são tão bonitos
porque já sabem
o que é a vida.
sem o telhado,
o sol adentra.
também a chuva.
Uma colega de trabalho tem um sobrinho com manifestações de depressão (desde o parto), hiperatividade e falta de motricidade fina, além de uma suspeita de esquizofrenia. Ele tem 15 anos e está no 1º ano do segundo grau, na escola de educação especial Conhecer, que organizou um livro com poemas dos alunos. Selecionei dois:
[a chuva] - Lucas Rodrigues Unchalo, 3º ano
a chuva é gostosa
como uva fresquinha,
colhida na hora.
neste momento,
sinto-me uma tormenta
com muito vento e raios no céu.
quando a chuva pára,
vou para a rua ver a lua
e as estrelas a brilhar.
no passar do tempo sento,
penso e reflito
sobre o que pode me acontecer
logo após o amanhecer
e me sinto, então,
renascer com a chuva.
[o show de rock] - Paula Custódio de Oliveira, 7ª série
o que é o rock?
é um som muito legal!
curtição total.
quando dançado,
a garotada faz a roda.
punk, todo mundo gosta.
as roupas são bala, todas pretas,
e os seus adeptos usam all star.
isto é muito maneiro!
a galera usa correntes, calças rasgadas
e coturnos quepodem substituir o all star.
há outro acessório fantástico,
os SPIKES.
estas pulseiras
também fazem parte
do costume dos metaleiros e roqueiros.
entre as garotas,
a maquiagem escura e pesada
faz a diferença;
entre os rapazes,
tatuagens e piercings
fazem a cabeça.
[a chuva] - Lucas Rodrigues Unchalo, 3º ano
a chuva é gostosa
como uva fresquinha,
colhida na hora.
neste momento,
sinto-me uma tormenta
com muito vento e raios no céu.
quando a chuva pára,
vou para a rua ver a lua
e as estrelas a brilhar.
no passar do tempo sento,
penso e reflito
sobre o que pode me acontecer
logo após o amanhecer
e me sinto, então,
renascer com a chuva.
[o show de rock] - Paula Custódio de Oliveira, 7ª série
o que é o rock?
é um som muito legal!
curtição total.
quando dançado,
a garotada faz a roda.
punk, todo mundo gosta.
as roupas são bala, todas pretas,
e os seus adeptos usam all star.
isto é muito maneiro!
a galera usa correntes, calças rasgadas
e coturnos quepodem substituir o all star.
há outro acessório fantástico,
os SPIKES.
estas pulseiras
também fazem parte
do costume dos metaleiros e roqueiros.
entre as garotas,
a maquiagem escura e pesada
faz a diferença;
entre os rapazes,
tatuagens e piercings
fazem a cabeça.
DDD / Douglas Dickel Detetives
Há menos de 30 dias solucionando enigmas do showbizz
Casos em andamento:
1. Thom Yorke e Stanley Donwood são a mesma pessoa. (Pelo jeito as pessoas não entenderam essa minha insinuação no post correlato.)
2. A carta de dissolução do Nirvana foi usada para fazer um assassinato parecer suicídio.
Caso *novo*:
3. A dor de estômago que Kurt dizia sentir e sofrer muito com ela é a famosa bola-no-estômago. Ele dizia senti-la quando menos esperava; usava heroína para cessá-la; ao longo do vício, dizia que a heroína não mais a aplacava; consultou os melhores especialistas, que nada detectaram; ele sentia a bola-no-estômago, um sintoma da depressão, mesmo em níveis baixos; bola-no-estômago não tem como detectar pela medicina estomacal; drogas não a resolvem; a única solução é atacar os problemas originais; no caso dele, os diversos traumas da infância-adolescência.
Aproveitando o post para cumprir minha promessa ao Tony, a melhor música do Nirvana atualmente para mim é Frances Farmer Will Have Her Revenge On Seattle, que eu ouço todos os dias, num volume maior que 16. Vou fazer uma coletânea da banda em breve. Vai ter também You Know You're Right, Aneurysm, Blew, Pennyroyal Tea, Rape Me, Stay Away, Territorial Pissings, e talvez Drain You, Smells Like A Teen Spirit, Heart-Shaped Box, Very Ape, Scentless Aprentice, Lithium.
Há menos de 30 dias solucionando enigmas do showbizz
Casos em andamento:
1. Thom Yorke e Stanley Donwood são a mesma pessoa. (Pelo jeito as pessoas não entenderam essa minha insinuação no post correlato.)
2. A carta de dissolução do Nirvana foi usada para fazer um assassinato parecer suicídio.
Caso *novo*:
3. A dor de estômago que Kurt dizia sentir e sofrer muito com ela é a famosa bola-no-estômago. Ele dizia senti-la quando menos esperava; usava heroína para cessá-la; ao longo do vício, dizia que a heroína não mais a aplacava; consultou os melhores especialistas, que nada detectaram; ele sentia a bola-no-estômago, um sintoma da depressão, mesmo em níveis baixos; bola-no-estômago não tem como detectar pela medicina estomacal; drogas não a resolvem; a única solução é atacar os problemas originais; no caso dele, os diversos traumas da infância-adolescência.
Aproveitando o post para cumprir minha promessa ao Tony, a melhor música do Nirvana atualmente para mim é Frances Farmer Will Have Her Revenge On Seattle, que eu ouço todos os dias, num volume maior que 16. Vou fazer uma coletânea da banda em breve. Vai ter também You Know You're Right, Aneurysm, Blew, Pennyroyal Tea, Rape Me, Stay Away, Territorial Pissings, e talvez Drain You, Smells Like A Teen Spirit, Heart-Shaped Box, Very Ape, Scentless Aprentice, Lithium.
O filho da Andréa, minha colega de trabalho, chama-se Iago, tem 8 anos e está na segunda série. Num exercício de português com a ordem "Escreva uma frase com a palavra nunca", ele respondeu "Minha letra nunca foi boa". A mãe dele, a Andréa, não entendeu o garrancho da resposta, e então perguntou o que estava escrito. Ele respondeu "Minha letra nunca foi boa"...
"Deixe-me fazer-lhe aqui um pedido: leia o menos possível trabalhos de estética e crítica. Ou são opiniões partidárias petrificadas e tornadas sem sentido em sua rigidez morta, ou hábeis jogos de palavras inspirados hoje numa opinião, amanhã noutra. As obras de arte são uma infinita solidão; nada as pode alcançar tão pouco quanto a crítica. Só o amor as pode compreender e manter e mostrar-se justo com elas. (...) Tudo está em . . . deixar amadurecer inteiramente, no âmago de si, nas trevas do indizível e do inconsciente, do inacessível a seu próprio intelecto, cada impressão e cada germe de sentimento e aguardar com profunda humildade e paciência a hora do parto de uma nova claridade: só isto é viver artisticamente na compreensão e na criação." (RILKE, Rainer Maria. Cartas a um jovem poeta.)
Blanched. Show do dia 13 no Putzel com a Blemish confirmado. Show do dia 6 no Putzel com a Deus E O Diabo cancelado. Show do dia 4 no Dr. Jekyll com a Deus E O Diabo está para ser confirmado. Eu ainda não me vi na MTV.
"(...) Nós ficamos com a música; nós sempre vamos tê-la, para sempre. Kurt tinha uma ética com seus fãs que veio da sua forma punk rock de pensar: nenhuma banda é especial, nenhum músico é superior. Se você tem uma guitarra e bastante alma, apenas bata com toda vontade em algo e faça - você é o superstar, plugado em tons e ritmos que são única e universalmente humanos: música. Toque sua guitarra como um tambor; apenas encontre um canal legal e deixe-o fluir em seu coração. Este é o nível em que Kurt falou conosco, em nossos corações. E é em nossos corações que ele e a música sempre vão estar, para sempre." (Krist Novoselic)
[pára-brisa 2]
perspectivas várias e
orientações confusas.
sensação de vertigem.
e o contraste de luz.
perspectivas várias e
orientações confusas.
sensação de vertigem.
e o contraste de luz.
Tudo o que você sempre quis saber sobre a hipótese de assassinato do Kurt Cobain mas teve preguiça de procurar na internet (assim como eu até o dia de hoje):
"Grant [Tom Grant, o detetive particular que Courtney contratou supostamente para procurar o supostamente desaparecido marido] disse que com o divórcio [que Kurt queria], Courtney teria no máximo a metade da fortuna desde que o casal fez o 'prenuptial agreement', e ainda poderia perder a filha. Com um suicídio, ela teria tudo. Grant disse também que ela teve muita publicidade, que resultou em um monte de fãs correndo para comprar Live Through This, que foi lançado poucos dias depois de Kurt ter sido encontrado morto." (F.A.Q.)
1. Segundo os maiores especialistas em caligrafia nos EUA, a nota de suicídio teve frases incluídas. Sem elas, seria uma nota de despedida – talvez do próprio Nirvana, que Kurt pretendia desmanchar. [Provavelmente, uma vez que a carta não parece ter nada a ver com o sofrimento de Kurt com a depressão e a heroína.]
2. Em seu corpo foi encontrada uma dose de heroína três vezes maior que um viciado normal suportaria. Kurt teria caído inconsciente em segundos, sem poder se matar. O sangue tinha 1,52 ml de morfina por litro, mais do que o dobro do suportável mesmo para um viciado em heroína, que pode ter adquirido uma certa resistência a droga. Segundo médicos, uma dose 70 vezes menor mataria um não usuário de drogas. Mesmo se Kurt sobreviveu a tal overdose, ele jamais teria condições de guardar a seringa, desenrolar a manga de sua camisa, carregar a arma e disparar. [Na biografia, dá para suspeitar da versão que é contada: diz que ele começou a se sentir nas nuvens e teve de se apressar para apertar o gatilho.]
3. O médico-legista que registrou a morte como suicídio é amigo de juventude de Courtney.
4. Não há digitais na arma, nos cartuchos, na caneta e na nota de suicídio. Desde quando os suicidados apagam as próprias digitais?
5. O cartão de crédito de Kurt foi usado duas vezes em quantias relativamente altas depois de sua morte.
6. Um sujeito que afirma ter sido contratado por Courtney para matar o marido por 50 mil dólares foi encontrado morto, atropelado por um trem.
7. Kurt teve uma overdose em Roma, pouco antes de morrer. Courtney se referiu ao fato como um acidente. Depois da morte do marido, ela disse que essa overdose foi uma tentativa de suicídio. Se realmente foi, por que ela não fez nada para impedi-lo de tentar novamente?
8. Quando Kurt saiu de sua reabilitação para drogados, ligou para sua avó e marcou uma pescaria. A avó de Kurt diz que ele parecia muito feliz. Dylan [seu melhor amigo] disse que Kurt estava fazendo uma série de planos ao sair da reabilitação. Kurt amava muito sua filha Frances para deixá-la sozinha. Costumava dizer que segurá-la era a melhor droga do mundo. Uma pessoa que visitou Kurt no centro de reabilitação [a babá Farry] disse que esperava encontrá-lo deprimido, mas se surpreendeu com a alegria e disposição de Kurt.
9. Kurt estava se divorciando de Courtney. Ele inclusive havia feito um novo testamento, mas não havia assinado ainda. Segundo amigos, ele teria excluído Courtney desse novo testamento. A polícia se recusa a revelar o que ele contém.
10. Quando Kurt anunciou que o Nirvana não iria participar do festival de Lollapalooza, Courtney ficou furiosa. A banda ganharia milhões, e ela não se conformava que Kurt estava desistindo do dinheiro.
11. Durante uma entrevista em 1998, Dave Grohl admitiu que o Nirvana estava se separando na época da morte de Kurt.
12. No dia 4 de abril, um analista financeiro de Michigan diz ter se encontrado com Kurt. Durante a conversa, ele afirma ter perguntado se Kurt já fora ameaçado de alguma forma. O músico respondeu positivamente e disse temer por sua vida.
13. Quando o corpo de Kurt foi encontrado, a polícia automaticamente disse que era suicídio. Apenas algumas polaroids foram tiradas no local, e um outro filme batido jamais foi revelado.
14. Courtney Love deu um tiro no pé ao vetar a exibição do documentário Kurt And Courtney, no Sundance. A retirada do filme reacendeu o debate em torno da versão oficial de suicídio.
[15. Quando Courtney recebeu a visita, no centro de reabilitação Exodus, da pessoa que iria dar-lhe a notícia da morte de Kurt, teria visto a má-nova no olhar dela, e as duas teriam ficado, segundo a biografia, dez minutos apenas se olhando, até o momento em que o silêncio foi quebrado por uma pergunta de Courtney: How?]
"Kurt Cobain queria deixar tudo. Queria deixar as turnês, queria deixar seu grupo, queria deixar os negócios que o pressionavam para produzir sua música em vez de simplesmente tocá-la. [Iria começar um projeto com o Michael Stipe.] Mas Kurt Cobain não queria deixar a vida." (Tom Grant)
"Grant [Tom Grant, o detetive particular que Courtney contratou supostamente para procurar o supostamente desaparecido marido] disse que com o divórcio [que Kurt queria], Courtney teria no máximo a metade da fortuna desde que o casal fez o 'prenuptial agreement', e ainda poderia perder a filha. Com um suicídio, ela teria tudo. Grant disse também que ela teve muita publicidade, que resultou em um monte de fãs correndo para comprar Live Through This, que foi lançado poucos dias depois de Kurt ter sido encontrado morto." (F.A.Q.)
1. Segundo os maiores especialistas em caligrafia nos EUA, a nota de suicídio teve frases incluídas. Sem elas, seria uma nota de despedida – talvez do próprio Nirvana, que Kurt pretendia desmanchar. [Provavelmente, uma vez que a carta não parece ter nada a ver com o sofrimento de Kurt com a depressão e a heroína.]
2. Em seu corpo foi encontrada uma dose de heroína três vezes maior que um viciado normal suportaria. Kurt teria caído inconsciente em segundos, sem poder se matar. O sangue tinha 1,52 ml de morfina por litro, mais do que o dobro do suportável mesmo para um viciado em heroína, que pode ter adquirido uma certa resistência a droga. Segundo médicos, uma dose 70 vezes menor mataria um não usuário de drogas. Mesmo se Kurt sobreviveu a tal overdose, ele jamais teria condições de guardar a seringa, desenrolar a manga de sua camisa, carregar a arma e disparar. [Na biografia, dá para suspeitar da versão que é contada: diz que ele começou a se sentir nas nuvens e teve de se apressar para apertar o gatilho.]
3. O médico-legista que registrou a morte como suicídio é amigo de juventude de Courtney.
4. Não há digitais na arma, nos cartuchos, na caneta e na nota de suicídio. Desde quando os suicidados apagam as próprias digitais?
5. O cartão de crédito de Kurt foi usado duas vezes em quantias relativamente altas depois de sua morte.
6. Um sujeito que afirma ter sido contratado por Courtney para matar o marido por 50 mil dólares foi encontrado morto, atropelado por um trem.
7. Kurt teve uma overdose em Roma, pouco antes de morrer. Courtney se referiu ao fato como um acidente. Depois da morte do marido, ela disse que essa overdose foi uma tentativa de suicídio. Se realmente foi, por que ela não fez nada para impedi-lo de tentar novamente?
8. Quando Kurt saiu de sua reabilitação para drogados, ligou para sua avó e marcou uma pescaria. A avó de Kurt diz que ele parecia muito feliz. Dylan [seu melhor amigo] disse que Kurt estava fazendo uma série de planos ao sair da reabilitação. Kurt amava muito sua filha Frances para deixá-la sozinha. Costumava dizer que segurá-la era a melhor droga do mundo. Uma pessoa que visitou Kurt no centro de reabilitação [a babá Farry] disse que esperava encontrá-lo deprimido, mas se surpreendeu com a alegria e disposição de Kurt.
9. Kurt estava se divorciando de Courtney. Ele inclusive havia feito um novo testamento, mas não havia assinado ainda. Segundo amigos, ele teria excluído Courtney desse novo testamento. A polícia se recusa a revelar o que ele contém.
10. Quando Kurt anunciou que o Nirvana não iria participar do festival de Lollapalooza, Courtney ficou furiosa. A banda ganharia milhões, e ela não se conformava que Kurt estava desistindo do dinheiro.
11. Durante uma entrevista em 1998, Dave Grohl admitiu que o Nirvana estava se separando na época da morte de Kurt.
12. No dia 4 de abril, um analista financeiro de Michigan diz ter se encontrado com Kurt. Durante a conversa, ele afirma ter perguntado se Kurt já fora ameaçado de alguma forma. O músico respondeu positivamente e disse temer por sua vida.
13. Quando o corpo de Kurt foi encontrado, a polícia automaticamente disse que era suicídio. Apenas algumas polaroids foram tiradas no local, e um outro filme batido jamais foi revelado.
14. Courtney Love deu um tiro no pé ao vetar a exibição do documentário Kurt And Courtney, no Sundance. A retirada do filme reacendeu o debate em torno da versão oficial de suicídio.
[15. Quando Courtney recebeu a visita, no centro de reabilitação Exodus, da pessoa que iria dar-lhe a notícia da morte de Kurt, teria visto a má-nova no olhar dela, e as duas teriam ficado, segundo a biografia, dez minutos apenas se olhando, até o momento em que o silêncio foi quebrado por uma pergunta de Courtney: How?]
"Kurt Cobain queria deixar tudo. Queria deixar as turnês, queria deixar seu grupo, queria deixar os negócios que o pressionavam para produzir sua música em vez de simplesmente tocá-la. [Iria começar um projeto com o Michael Stipe.] Mas Kurt Cobain não queria deixar a vida." (Tom Grant)
quarta-feira, 12 de novembro de 2003
Mas, afinal, quem diabos é Stanley Donwood?
"Stanley Donwood conheceu os integrantes da banda quando ainda estavam na faculdade - ele havia assistido a um show deles em Oxford. A afinidade imediata foi com Thom Yorke, seu maior colaborador. 'Nós discutimos muito as minhas idéias, que surgem junto com as do Thom e inspiram as músicas do Radiohead', disse Stanley ao Sillycon Alley Daily (PHILPOTT, 2003). Desde The Bends, a arte final da capa e encarte dos discos, além dos cartazes promocionais e o design do site oficial, passaram a ser feitos por Stanley, em parceria com Thom Yorke (que usa o codinome Doktor Tchocky). (...) A partir de 1993, qualquer forma de material promocional do Radiohead é criado pelo artista, escritor e webdesigner de 32 anos, que sempre contou com liberdade total de criação e afirma que nunca teve algum trabalho vetado pela banda. Ele se dedica a trabalhar com a banda, embora tenha um site onde exponha seu trabalhos, o Slowly Downward (...), e eventualmente trabalhe desenhando capas de livros. Stanley raramente dá entrevistas e, quando o faz, usa uma conta de e-mail criada especialmente para a ocasião." (COLLA, 2003)
"Não existe nenhuma outra banda com maior coerência entre a genialidade da música e a genialidade da arte visual que a ilustra." (DICKEL, 2003, oralmente, antes de COLLA, 2003)
"Thom Yorke é formado em Artes Plásticas." (COLLA, 2003[2], oralmente, depois de COLLA, 2003[1])
"Stanley Donwood conheceu os integrantes da banda quando ainda estavam na faculdade - ele havia assistido a um show deles em Oxford. A afinidade imediata foi com Thom Yorke, seu maior colaborador. 'Nós discutimos muito as minhas idéias, que surgem junto com as do Thom e inspiram as músicas do Radiohead', disse Stanley ao Sillycon Alley Daily (PHILPOTT, 2003). Desde The Bends, a arte final da capa e encarte dos discos, além dos cartazes promocionais e o design do site oficial, passaram a ser feitos por Stanley, em parceria com Thom Yorke (que usa o codinome Doktor Tchocky). (...) A partir de 1993, qualquer forma de material promocional do Radiohead é criado pelo artista, escritor e webdesigner de 32 anos, que sempre contou com liberdade total de criação e afirma que nunca teve algum trabalho vetado pela banda. Ele se dedica a trabalhar com a banda, embora tenha um site onde exponha seu trabalhos, o Slowly Downward (...), e eventualmente trabalhe desenhando capas de livros. Stanley raramente dá entrevistas e, quando o faz, usa uma conta de e-mail criada especialmente para a ocasião." (COLLA, 2003)
"Não existe nenhuma outra banda com maior coerência entre a genialidade da música e a genialidade da arte visual que a ilustra." (DICKEL, 2003, oralmente, antes de COLLA, 2003)
"Thom Yorke é formado em Artes Plásticas." (COLLA, 2003[2], oralmente, depois de COLLA, 2003[1])
segunda-feira, 10 de novembro de 2003
"O cantor do Radiohead Thom Yorke pode dizer exatamente quando e onde ele atingiu seu limite: foi no dia 19 de novembro de 1997, no momento em que ele caminhou para o camarim depois de um show em Birmingham, Inglaterra. Durante sete meses, a banda estava excursionando para promover OK Computer - e ainda haviam mais cinco meses por vir. Mas Yorke já estava esgotado. 'Eu saí do palco no fim daquele show', ele lembra, 'sentei no camarim e não conseguia falar. Na verdade, eu não conseguia falar. As pessoas estavam dizendo Você está bem?, e eu sabia que elas falavam comigo. Mas eu não conseguia ouvi-las. E eu não conseguia falar. Eu apenas já tinha tido demais. E eu estava cansado de dizer que eu já tinha tido demais. Eu estava além daquilo'". (FRICKE, 2001, p. 65)
"Outra idéia interessante aparece no videoclipe de Just, filmado em uma estação de trem de Londres. Um homem está deitado na rua, preocupando os transeuntes, que se perguntam o que há de errado e porque ele está deitado ali. Enquanto isso, o Radiohead está tocando em um apartamento da vizinhança (a conversação entre as pessoas é legendada). Em um determinado momento, o homem concorda em contar por que está deitado no chão, mas antes disso ele avisa: 'Vocês não sabem o que estão perguntando'. A legenda pára quando ele revela suas razões. Logo depois, a câmera mostra as pessoas deitando no chão, exatamente como o homem. Embora perguntados muitas vezes sobre o significado deste vídeo, a banda nunca deu explicações, preferindo deixar que os fãs tirassem suas próprias conclusões." (COLLA, Manuela Martini. O ser e o nada: um estudo sobre a relação mídia/música da banda Radiohead. São Leopoldo: Unisinos, 2003. 96 p.)
Comprei, no Beco dos Livros, Cartas A Um Jovem Poeta, do Rainer Maria Rilke (R$ 8,00), e um do Kurt Vonnegut (R$ 15,00). E, na Feira do Livro, nada.
mand em 10/10/03 18:18
está se sentindo meio Yoko Ono hoje?
Douglas Dickel em 13/10/03 09:07
Foi o John Lennon que botou o sobrenome da Yoko no meio. Mas tanto faz sentir-me John ou Yoko. Somos um só.
"Courtney estava programada para uma apresentação solo, mas depois de tocar Doll Parts e Miss World, ela chamou seu marido Yoko e Kurt subiu no palco. Juntos eles fizeram duetos de Pennyroyal Tea e a música do Leadbelly Where Did You Sleep Last Night?." (Cross)
está se sentindo meio Yoko Ono hoje?
Douglas Dickel em 13/10/03 09:07
Foi o John Lennon que botou o sobrenome da Yoko no meio. Mas tanto faz sentir-me John ou Yoko. Somos um só.
"Courtney estava programada para uma apresentação solo, mas depois de tocar Doll Parts e Miss World, ela chamou seu marido Yoko e Kurt subiu no palco. Juntos eles fizeram duetos de Pennyroyal Tea e a música do Leadbelly Where Did You Sleep Last Night?." (Cross)
sexta-feira, 7 de novembro de 2003
Vanguarda. O que esta palavra representa para mim, no post em que eu reclamo da falta dela, é um som realmente que não se encaixa em nenhum rótulo, não serve para ser ouvido com freqüência por sua natureza anticonvencional, mas que mexe com alguma coisa dentro da minha mente, muda minha visão de música, meu panorama do que pode ser feito com instrumentos musicais. Apresenta uma sonoridade impactante. Reclamei mais do RS. No Brasil deve ter alguma coisa, e o limite entre a vanguarda e a não-vanguarda, mesmo para um sujeito só, no caso eu, situação em que não há necessidade de concordância de opiniões diferentes, é nublado. O Ivan Santos, da De Inverno Records, de Curitiba, fez um longo comentário no post abaixo sobre o assunto e indicou várias bandas, de vanguarda ou não, que ele acha interessantes nos cenários alternativos paranaense e brasileiro em geral. Achei que valia a pena trazer o comentário aqui para o main stage.
Ivan em 06/11/03 16:59
Aí Douglas, atrasado, eu volto aqui pra comentar aquela história da falta de bandas de “vanguarda” no Brasil; eu diria o seguinte; sobre “vanguarda” acho complicado dizer, porque esse conceito é muito discutível hoje em dia, mas com certeza atualmente tem muita gente fazendo coisas legais, diferentes, autorais no Brasil. Só pra ficar em alguns exemplos de coisas que chegaram até a gente, eu que eu lembro agora e te recomendo a dar uma procurada : 1) Hurtmold, de São Paulo, banda que tocou no Rock de Inverno 3, e tem dois cds lançados pela submarine records, e faz um som que transita entre Mogwai e Tortoise (a comparação é minha), o que eu já vi alguns chamando de pós-hardcore [e eu, de math rock]; 2) de Vitória, tem o lesi.o.nada grupo que tem um ep ótimo lançado em 2000, e combina longas passagens instrumentais com vocais sussurrados; 3) tem o Wandula, de Curitiba, que combina música européia, trilha de filme, minimalismo; 4) e a Edith, vocalista do Wandula e do Svetlana, que já tem dois discos lançados, com instrumentação de piano, violoncelo, acordeon, escaleta, teclado, e canções em várias línguas; 5) tem o Vurla, de SP, que tocou recentemente aqui no Curitiba Pop Festival, e também faz rock instrumental, na linha de Mogwai e etc (está pra ser lançado o primeiro disco pela slag records); 6) tem o Continental Combo, de SP, novo projeto do Sandro Garcia (Momento 68), que reúne influências que transitam sonoramente entre: folk rock, mod, levadas jazzy, rock psicodélico, pós-punk e rhythm and blues, somado a letras em português que referenciam à poesia surrealista, e lançou recenmentente o EP “Nova manhã”; 7) o mesmo sandro tem outro projeto, Dellatrons, que lançou um cd que é uma trilha de um filme que na verdade não existe, o pretexto pra eles fazerem um som experimental e climático. 8) daqui de Curitiba, teve recentemente o lançamento do cd solo do Lúcio Machado (parceiro da De Inverno Records, responsável pela parte técnica da maioria das gravações/lançamentos do selo), chamado x´tru metal (não sei como se escreve direito) e que é isso mesmo, um cd de rock, pesado, psicodélico e climático, só que todo instrumental, sem vocais; 9) aqui tem também uma outra banda chamada Naftalanja, que também lançou um cd instrumental, quase jazz psicodelic rock, e cujos shows são verdadeiros happenings; 10) tem o Blue Afternoon, que acaba de lançar disco pela Bizarre Records, de SP, e faz um som na linha do Tindersticks, com vocais graves e melodias soturnas; 11) tem o disco solo do Maurício Takara (submarine records), baterista do Hurtmold (e que também toca com Oto, Stela Campos), ele gravou o disco tocando quase todos os intrumentos, tudo instrumental, com um detalhe, nenhuma música tem nome, elas são identificadas simplismente como 001,002, etc; 12) ainda de Curitiba, tem o Vitoriamario, um dos muitos projetos do Guilherme Glerm, ex-vocalista do Boi Mamão; esse projeto não tem uma formação fixa, e as apresentações são descritas como “rituais eletroacústicos”; 13) e tem um dos meus preferidos dos últimos tempos, o Gianoukas Papoulas, de SP, que não é vanguarda, nem revolucionário ou experimental, nem se pretende a reiventar a roda, mas apenas a fazer boas canções, bem tocadas, com arranjos interessantes, boas letras, enfim, uma aula de simplicidade e bom gosto (lançou ótimo ep recente disponível na trama virtual e na página deles, que também é bem legal) 14) e tem o cidadão instigado, banda liderada pelo guitarrista Fernando Catatau, de Fortaleza, que um disco que soa como se o tom zé tocasse numa banda de jazz rock psicodélico, todo gravado analogicamente. (...)
Ivan em 06/11/03 16:59
Aí Douglas, atrasado, eu volto aqui pra comentar aquela história da falta de bandas de “vanguarda” no Brasil; eu diria o seguinte; sobre “vanguarda” acho complicado dizer, porque esse conceito é muito discutível hoje em dia, mas com certeza atualmente tem muita gente fazendo coisas legais, diferentes, autorais no Brasil. Só pra ficar em alguns exemplos de coisas que chegaram até a gente, eu que eu lembro agora e te recomendo a dar uma procurada : 1) Hurtmold, de São Paulo, banda que tocou no Rock de Inverno 3, e tem dois cds lançados pela submarine records, e faz um som que transita entre Mogwai e Tortoise (a comparação é minha), o que eu já vi alguns chamando de pós-hardcore [e eu, de math rock]; 2) de Vitória, tem o lesi.o.nada grupo que tem um ep ótimo lançado em 2000, e combina longas passagens instrumentais com vocais sussurrados; 3) tem o Wandula, de Curitiba, que combina música européia, trilha de filme, minimalismo; 4) e a Edith, vocalista do Wandula e do Svetlana, que já tem dois discos lançados, com instrumentação de piano, violoncelo, acordeon, escaleta, teclado, e canções em várias línguas; 5) tem o Vurla, de SP, que tocou recentemente aqui no Curitiba Pop Festival, e também faz rock instrumental, na linha de Mogwai e etc (está pra ser lançado o primeiro disco pela slag records); 6) tem o Continental Combo, de SP, novo projeto do Sandro Garcia (Momento 68), que reúne influências que transitam sonoramente entre: folk rock, mod, levadas jazzy, rock psicodélico, pós-punk e rhythm and blues, somado a letras em português que referenciam à poesia surrealista, e lançou recenmentente o EP “Nova manhã”; 7) o mesmo sandro tem outro projeto, Dellatrons, que lançou um cd que é uma trilha de um filme que na verdade não existe, o pretexto pra eles fazerem um som experimental e climático. 8) daqui de Curitiba, teve recentemente o lançamento do cd solo do Lúcio Machado (parceiro da De Inverno Records, responsável pela parte técnica da maioria das gravações/lançamentos do selo), chamado x´tru metal (não sei como se escreve direito) e que é isso mesmo, um cd de rock, pesado, psicodélico e climático, só que todo instrumental, sem vocais; 9) aqui tem também uma outra banda chamada Naftalanja, que também lançou um cd instrumental, quase jazz psicodelic rock, e cujos shows são verdadeiros happenings; 10) tem o Blue Afternoon, que acaba de lançar disco pela Bizarre Records, de SP, e faz um som na linha do Tindersticks, com vocais graves e melodias soturnas; 11) tem o disco solo do Maurício Takara (submarine records), baterista do Hurtmold (e que também toca com Oto, Stela Campos), ele gravou o disco tocando quase todos os intrumentos, tudo instrumental, com um detalhe, nenhuma música tem nome, elas são identificadas simplismente como 001,002, etc; 12) ainda de Curitiba, tem o Vitoriamario, um dos muitos projetos do Guilherme Glerm, ex-vocalista do Boi Mamão; esse projeto não tem uma formação fixa, e as apresentações são descritas como “rituais eletroacústicos”; 13) e tem um dos meus preferidos dos últimos tempos, o Gianoukas Papoulas, de SP, que não é vanguarda, nem revolucionário ou experimental, nem se pretende a reiventar a roda, mas apenas a fazer boas canções, bem tocadas, com arranjos interessantes, boas letras, enfim, uma aula de simplicidade e bom gosto (lançou ótimo ep recente disponível na trama virtual e na página deles, que também é bem legal) 14) e tem o cidadão instigado, banda liderada pelo guitarrista Fernando Catatau, de Fortaleza, que um disco que soa como se o tom zé tocasse numa banda de jazz rock psicodélico, todo gravado analogicamente. (...)
quinta-feira, 6 de novembro de 2003
Instigante foi o adjetivo mais presente nos pareceres dos julgadores do Fumproarte acerca do projeto Ambivalência, contou-me o Muriel há alguns segundos. Uma julgadora empolgou-se destacadamente, escrevendo que dá para sentir nos poemas aquilo que não foi dito porque não haveria como ser dito, mas que está indicado. Também foi falado da surpresa de jovens estarem misturando poesia e filosofia. Ousadia foi outro adjetivo usado. Assim que tivermos acesso a cópias dos pareceres, transcreveremos os principais momentos aqui. Era isso, nossas chances são boas.
(Extra, extra! Eu sempre dou a notícia antes de ela se confirmar.) Blanched em dezembro no Putzel - dia 6 com televisões e Deus E O Diabo & dia 13 com O Apanhador e Blemish.
"Depois do show, Kurt rejeitou todos os pedidos de entrevista, exceto um: o da Monk, uma revista de viagem de publicação irregular. (...) Quando indagado sobre Aberdeen, ele contou uma história de quando havia sido expulso da cidade: 'Eles me perseguiram até o Castelo de Aberdeen com tochas, exatamente como o monstro de Frankenstein. E eu escabei em um balão.' (...) Ele descreveu sua comida favorita como 'água e arroz'. Quando perguntado se acreditava em reencarnação, respondeu: 'Se você realmente é uma pessoa má, você voltará como mosca e comerá cocô.' E quando Crotty perguntou a Kurt que título ele daria a sua autobiografia, sua resposta foi 'Eu Não Estava Pensando, de Kurt Cobain'." (Cross)
Eu sou um cara que praticamente não tem crises de mau humor. Mas semanalmente estou tendo um pico, numa escala de mau humor - desde a hora em que eu me despeço da Manuela, antes da passar a noite em São Leopoldo, até o dia seguinte na hora em que eu a reencontro - em forma de parábola invertida, tendo como vértice a caminhada da Estação Mercado até o meu trabalho, não sem antes ter passado pelo ventilador-endoençador do trem. Como eu conseguia fazer isso todos os dias da semana?? Todos os pontos dessa parábola envolvem coisas aparentemente normais porém ruins, incluindo agora a péssima estabilidade do servidor do Soulseek, e todo mundo não vê a hora de isso terminar.
[mau humor]
a calçada é um playlist de infinitas caras no random play,
e nenhuma delas é a tua, e isso me dá ânsia de vômito.
[mau humor]
a calçada é um playlist de infinitas caras no random play,
e nenhuma delas é a tua, e isso me dá ânsia de vômito.
quarta-feira, 5 de novembro de 2003
Blanched & Blemish (SP)
13 de dezembro
sábado
Putzel Beer (NH)
O Apanhador
[a confirmar]
13 de dezembro
sábado
Putzel Beer (NH)
O Apanhador
[a confirmar]
"O tablóide The Globe publicou uma matéria com a manchete Filha de astros do rock nasce drogada, com direito a foto de um recém-nascido deformado que fraudulentamente se insinuava ser Frances [ver foto em http://www.nirvanafreak.com]. (...) Axl Rose, dos Guns N' Roses, chegava a ponderar no palco: Kurt Cobain é um puta drogado com uma esposa drogada. E se o bebe nasceu deformado, eu acho que os dois deveriam ir para a cadeia." (Cross)
Aniversários. Meu Projeto Ambicioso deu certo! Eu não fumo há dois meses. Eu quase nunca bebi, mas faz um mês que eu ingeri álcool pela última vez e decidi não tomar mais nunca sequer um gole. E amanhã faz meio ano que eu e a Manuela encostamos as nossas bocas e o que tem dentro delas pela primeira vez. Ela, o Suzin e o Muriel perceberam que, desde que eu parei de fumar (a vontade vem às vezes com a necessidade de relaxar, mas a decisão é irrevogável, e há outras maneiras de relaxar), eu me concentro melhor para conversar, expresso mais claramente as minhas idéias. Eu me sinto mais equilibrado, inclusive sem mais roer unhas. Mas é claro que eu não invalido tudo o que eu já escrevi aqui sobre os paraísos artificiais. O aprendizado foi um dos maiores da minha vida. Só que, depois dele, vem o declive, como disse o Kurt antes de se viciar em heroína. Terminou o curso de 5 anos, já tenho o diploma.
Meu projeto Ricky Fitts mudou do Blogger para o Fotolog, já que desde que eu tive a idéia foi criado um sistema de blog de fotografias. Já tem um enquadramento meu lá.
terça-feira, 4 de novembro de 2003
Tem gente em excesso fugindo. Uma cidade brasileira tem em média 32% de fumantes. Em 2002, cada habitante do país tomou 5,92 litros de bebida alcóolica. Tem gente em excesso se chapando na lei. Até bonito é drogar-se socialmente, com a permissão da manutenção da riqueza dos empresários das drogas legais. Eu queria saber também a média de equilíbrio emocional dessa população, porque pimenta não cura o vício de roer unhas.
> vamos começar a iniciação do suzin?? que tal a gente
> gravar um cd-coletânea de introdução para ele e dar
> de presente o mais rápido possível?
>
> muriel
Sim! Pensemos nos itens.
1. Sonic Youth
2. Mogwai (Godspeed ocupa muito espaço...)
3. Massive Attack
4. Frank Poole
5. Nine Inch Nails
6. Built To Spill
7. Blonde Redhead
8. Placebo
9. PJ Harvey
10. Radiohead
11. Explosions In The Sky
12. Silver Apples
13. Low
14. Joy Division
15. Interpol
16. Patti Smith
A gente pode chamar a coletânea de Catequese e espalhar para mais pagãos a serem convertidos!
> gravar um cd-coletânea de introdução para ele e dar
> de presente o mais rápido possível?
>
> muriel
Sim! Pensemos nos itens.
1. Sonic Youth
2. Mogwai (Godspeed ocupa muito espaço...)
3. Massive Attack
4. Frank Poole
5. Nine Inch Nails
6. Built To Spill
7. Blonde Redhead
8. Placebo
9. PJ Harvey
10. Radiohead
11. Explosions In The Sky
12. Silver Apples
13. Low
14. Joy Division
15. Interpol
16. Patti Smith
A gente pode chamar a coletânea de Catequese e espalhar para mais pagãos a serem convertidos!
segunda-feira, 3 de novembro de 2003
Por que será que praticamente não há bandas de vanguarda em Porto Alegre e no Brasil? Não se ousa e não se cria. Será que o Massari é chamado de Reverendo Massari porque gosta de catequizar? Eu gosto de catequizar. Emprestei três CDs de MP3 para o meu amigo-de-almoço, que, no ano passado, não sabia que música era arte assim como um quadro. E o Experimental Jet Set, Trash And No Star. Quem sabe se espalhando mais bandas, mais cores diferentes do rock alternativo, esse quadro pobre da arte musical no país não vai mudando, a trote de lesma? Eu gosto de pesquisar bandas e de sugeri-las aqui, assim como mostrar e emprestar CDs para os amigos. A parceria mais direta é com o Muriel, que geralmente é aberto e, mesmo que não goste na primeira audição, ouve mais vezes e, não raro, acaba gostando, de fato. Aliás, não quer ler o Mate-me Por Favor? A Manuela disse que o presenteia com um. Meu amigo-de-almoço, o Flávio, resumiu numa palavra os MP3: tristes. Para ele, o melhor foi Air e o pior, Cat Power. Eu disse para ele não desistir do Sonic Youth na primeira audição, a qual adiantei que seria esquisita. Ele estava ansioso para ouvir a minha banda preferida e estudar o "UFO", como eu sou chamado pelos colegas de trabalho dele. Ele disse que gosta das músicas que ele ouve e gosta, que não acha certo isso de se acostumar, de ouvir mais vezes. Eu aprendi a ouvir mais vezes na Showbizz de fevereiro de 1997, com a Courtney Love na capa. A resenha era do Earthling, do David Bowie, feita pelo Pedro Só. Ele escreveu que ouviu oito vezes para descobrir o que aquela sonoridade queria dizer. Eu levei mais de dez anos - e muitas audições de muitas sonoridades - para entender The Ramones. É maravilhoso como a história do gosto musical - de ouvintes pesquisadores-obsessivos e interessados como eu - progride como uma árvore: um galho mais grosso origina uns outros mais fininhos, enquanto que alguns aparentemente fortes apodrecem e caem ou não crescem mais a partir dali. Eu quero ir para Nova York, assistir a shows que signifiquem um avanço no pensamento artístico. Ou pelo menos para outras capitais brasileiras. Porto Alegre está pobre.
O show da Blanched no Putzel está temporariamente desconfirmado, aguarda-se uma data que não seja adiada. Dia 4 de dezembro há a possibilidade de Blanched e Deus E O Diabo na quinta independente do Dr. Jekyll.
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