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quarta-feira, 8 de julho de 2015

Necessidade Psicológica de Auto-Estima/Auto-Crítica
(Dina Patrícia das Neves Vieira Guerreiro)


Carl Rogers (1961/1980), na sua teoria de desenvolvimento da personalidade e tomando por base o seu método da terapia centrada no cliente, postula que é necessário ajudar os indivíduos a tornarem-se mais conscientes e a aceitarem as suas próprias características, a serem mais capazes de elaborar as angústias e a ultrapassarem o sofrimento. Desta forma, a ênfase é posta no modo como cada indivíduo vive e interpreta a sua própria realidade e as capacidades e responsabilidades de cada pessoa para responder às situações e guiar a sua própria vida (Novo, 2003). Acrescenta ainda que a necessidade que cada indivíduo tem de manter, realizar e desenvolver as suas características e potencialidades inscreve-se, segundo C. Rogers, numa tendência de realização que tem componentes de crescimento fisiológicos e psicológicos; os primeiros têm maior importância nos períodos iniciais da vida, os segundos desempenham um papel determinante na idade adulta e na velhice (Novo, 2003). Assim sendo, é notória a importância da necessidade psicológica de Auto-Critica, num sentido adaptativo, quando da regulação das necessidades psicológicas dos indivíduos. Podemos assim concluir que o indivíduo, para um desenvolvimento coerente e saudável ao longo da vida, precisa balancear constantemente a necessidade psicológica de Auto-Estima e de Auto-Critica, uma vez que apenas detendo uma poderá alcançar a outra, isto é, ao possuir auto-estima torna-se mais capaz de tolerar as criticas e aprender com elas nos diferentes momentos da sua vida, e vice-versa.


Conceito de Auto-Estima 

A Auto-Estima é frequentemente definida como a componente avaliativa e valorativa da pessoa acerca de si mesmo. Este componente, por sua vez, está diretamente relacionado com as habilidades reais da pessoa (Arsenian, 1942, cit. por Korman, 1967).

Bednar e Peterson (1995) definem a Auto-Estima como o “sentimento duradouro e afetivo de valor pessoal, baseado em auto-percepções precisas”. Segundo estes autores, a auto-estima relaciona-se mais com a forma como as pessoas interpretam os feedbacks dos outros, em detrimentos do conteúdo dos próprios feedbacks. Ainda assim, é de notar a influência que o meio intrínseco da pessoa possui para estimar os níveis de auto-estima, uma vez que uma pessoa que acredite em si própria e seja detentora de uma auto-estima adaptativa tolera eficazmente os feedbacks do exterior.

Kernis (2003b), com o propósito de apresentar uma auto-estima elevada e equilibrada, distingue a auto-estima de Elevada Segura e Elevada Insegura. Desta forma, a auto-estima elevada poderia tomar diversas formas ou tipos:

  • Defensiva, onde a pessoa relata sentimentos positivos de auto-valorização, embora interiormente experimente sentimentos negativos; 
  • Genuína – a pessoa relata sentimentos positivos de auto-valorização; 
  • Contingente – diz respeito aos sentimentos positivos de auto-valorização que são dependentes do alcance de resultados específicos, expectativas etc.; 
  • Verdadeira – diz respeito aos sentimentos positivos de auto-valorização que não necessitam de uma validação contínua ao longo do tempo; 
  • Instável – diz respeito aos sentimentos de auto-valorização que se desenvolvem num curto espaço de tempo; 
  • e Estável – diz respeito aos sentimentos de auto-valorização imediatos, que variam pouco, ou podem mesmo não variar. 


Posto isto, a Auto-Estima elevada pode ser frágil ou segura dependendo do grau em que é defensiva ou genuína, contingente ou verdadeira, instável ou estável, e discrepante ou congruente, em relação aos sentimentos subentendidos na auto-valorização. Assim, uma auto-estima óptima é caracterizada por qualidades associadas à genuinidade, verdade, estabilidade, e congruência (Kernis, 2003b).

Bednar, Peterson e Wells (1989), propõem que níveis baixos de auto-estima baseiam-se na escolha de evitar situações difíceis, em detrimento de se entregar a estas. Por conseguinte, as auto-avaliações da pessoa tornam-se negativas e colocam de parte as avaliações positivas que outras pessoas significativas possam fazer de si. Podendo nestes casos conduzir a evitamentos, essencialmente, no que diz respeito a contextos sociais, culminando em perturbações como a ansiedade social.


Conceito de Auto-crítica

A Auto-critica diz respeito ao modo como o Self se relaciona consigo mesmo, podendo ser descrita como um comportamento psicológico reflexivo, ocasionalmente adoptado por diversas pessoas, sendo secundário à incapacidade do Self para contra-atacar as críticas auto-dirigidas (Gilbert & Irons, 2005, Blatt & Zuroff, 1992; cit. por Whelton & Greenberg, 2005). Assim, em traços gerais, a auto-critica refere-se aos sinais internos negativos que surgem em cada um nas situações de fracasso e perda. As pessoas em diversas situações podem, por isso, sentir-se envergonhadas, derrotadas e submeterem-se aos seus próprios ataques internos. De acordo com Blatt e Zuroff (1992, cit. por Zuroff & Duncan, 1999), os indivíduos mais auto-críticos envolvem-se num atroz e constante autoescrutínio, experimentando o sentimento de medo face à desaprovação e crítica de outros significativos. Contudo, é importante salientar que existem diferentes módulos e mentalidades que controlam os comportamentos de ataque, bem como as respostas defensivas do indivíduo que é atacado.

Segundo Kohut (1971, 1977, cit. por Gilbert et al., 2004) nos momentos de insucesso e fracasso, as pessoas podem lidar com a frustração de duas formas distintas, as quais resultam das experiências precoces internalizadas; por um lado, podem atacar-se com raiva narcísica contra o Self, ou, por outro, podem tranquilizar-se e promover o auto-crescimento. No mesmo sentido, apontam os resultados de Zuroff, Koestner e Powers (1994, cit. por Gilbert et al., 2004), que permitem-lhes concluir que o grau de auto-critica manifestado na infância constitui-se como um imponente preditor do posterior ajustamento no adulto. A auto-critica, em alguns casos, pode provocar sofrimento, estando na origem de sérios problemas psicológicos, sendo que as pessoas auto-criticas tendem a ser altamente competitivas e muito exigentes consigo mesmas (Blatt & Zuroff,1992; cit. por Sturman & Mongrain, 2005).

Em 1997 Gilbert (cit. por Gilbert et al., 2004) reconhece que a auto-critica podia emanar de esforços da pessoa para se aperfeiçoar e prevenir erros e frustrações, pelo que as suas formas e funções parecem ser o reflexo das competências desenvolvidas para regular os relacionamentos externos. (...) Posto isto, este estudo permitiu identificar duas funções: a correcção do Self e o ataque ao Self e três formas: Self inadequado, o Self tranquilizador e o Self detestado (querer magoar-se a si mesmo).

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