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segunda-feira, 27 de julho de 2015

Lama Padma Samten e o aspecto da mendicância
(Transcrição de trecho da palestra do vídeo ao final da postagem)


Ninguém fica de fora por não pagar, então a sanga prosperou. Quando a gente não mendiga, não dá, ao outro, oportunidade de gerar méritos. A mente dele não muda. Quando dizemos aos outros que eles não precisam contribuir, estamos reduzindo-os a seres que não têm generosidade, que não têm possibilidade de ajudar. Quando as pessoas oferecem, elas crescem. O CEBB [Centro de Estudos Budistas Bodisatva, criado pelo Lama Samten e que tem sedes por todo o país] não tem fonte de renda. Não tem uma empresa gerando e deslocando recursos. Ele é sustentado pelo próprio Buda, no sentido de que ele gera méritos, as pessoas acham que aquilo é interessante, e então elas oferecem.

Eu tenho pedido aos tutores que andam pelas várias cidades que eles mendiguem, porque isso viabiliza o Darma. Esse é o processo que o Buda utilizou. A instrução dele é 'Você peça para quem tem e peça para quem não tem. Vá mendigar nos lugares mais humildes'. A comida que você ganhar das pessoas mais humildes lhes dará a oportunidade de não se sentirem carentes, a oportunidade rara de se sentirem generosas. Aquele que está num mundo de carência e de sofrimento, se ele oferece, ele tem mais méritos do que alguém que está num mundo de riqueza e oferece alguma coisa grandiosa. Ele faz uma transformação interna.

O aspecto econômico é crucial. Se não temos isso, como os tutores vão andar? Se não somos autônomos, vamos precisar vender o nosso tempo para alguém, fazer alguma outra coisa que não tem nada a ver, para poder ter algumas horas de fazer o que se quer. Não é uma boa ideia. Então o aspecto da generosidade é crucial, maravilhoso. O meio hábil de andar no mundo é muito importante, faz a diferença – fazer as coisas funcionarem ou não. Se eu não mendigar, a sanga vai desaparecer. Ela é sustentada pelo mérito dela. Se faltar mérito, a sanga afunda.

No momento em que se tivesse um recurso fixo, a sanga declinaria rapidamente. Porque nesse caso ela não seria sustentada por mérito, mas seria sustentada por outra coisa, seria usada uma ótica do samsara. Se tivermos uma fonte externa que assopre sobre a sanga, nós vamos destruí-la. Porque as pessoas, em vez de ascenderem por mérito, por sua habilidade de trazer benefício aos outros, elas ascenderiam pela capacidade de empurrar o outro com o cotovelo e assumir as posições para dirigir o fluxo de recursos, eventualmente para vantagem própria. Então iria surgir uma burocracia dentro do CEBB. Vocês olhem o Estado, ele é essencialmente isso. As pessoas se empurram, tomam conta dos lugares e se acham muito importantes porque estão dirigindo o fluxo financeiro daquilo. Aquele dinheiro não é deles, mas eles agem como se fosse deles. Ao ponto de que o Estado se torna um predador da população. Ele cobra impostos e as pessoas nem veem que elas estão pagando, mas estão, o tempo todo. Esse recurso vai para algum lugar e alguém vai administrar aquilo.

O processo da mendicância é muito mais estável. No mundo oficial, a sensação é que sempre há uma carência de recursos. Se eu tiver duas ou três pessoas oferecendo tudo para a sanga, ela se destrói. Porque no momento em que um desses falha, ou dois falham, afunda tudo. Um número grande de doadores de pequenas quantidades é estável, ele se sustenta, porque, se um sai, outro entra, e assim vai.

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