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domingo, 26 de julho de 2015

Anatomia da intuição
(Irene Orce)


Segundo o dicionário, a intuição é uma percepção clara e imediata [inmediata, diz o espanhol => sem mediação] de uma ideia ou situação, sem necessidade de raciocínio lógico. Uma espécie de relâmpago de certeza que não requer pensamento reflexivo nem análise minuciosa. Ainda que não haja consenso na comunidade científica sobre de onde vem exatamente essa qualidade tão ecorregadia, o certo é que ela é útil para nossa sobrevivência. Não é infalível, mas nos facilita a tomar decisões, especialmente nos momentos mais importantes da nossa vida. É uma chave capaz de abrir a fechadura de qualquer situação complexa, sugerindo-nos uma determinada conduta ou uma concreta postura. A magia da intuição reside na rapidez das respostas que nos oferece. Diferentemente da análise racional, que requer tempo, atenção e esforço, a intuição nos aporta soluções imediatas a partir de um marco muito mais amplo e sutil.

Se isso não bastasse, nos mostra que sabemos mais do que cremos que sabemos. Daí a importância de aprender a escutá-la. Ainda que não seja garantia de que as coisas saiam como esperamos, nos promete que nossas decisões serão coerentes com a pessoa que somos, honrando nossos valores essenciais. Está intimamente relacionada com nossa voz interior, porque, quanto mais estivermos em contato com nós mesmos, mais poderemos apreciá-la. Para ela, temos que aprender a criar espaços de silêncio.

Geralmente, diante de qualquer situação, tendemos nos cobrir de dados que nos dão um panorama, um lastro de probabilidades que nos oferece uma certa segurança. Antes de tomar uma decisão, o que buscamos é a resposta correta, o caminho que nos levará a conseguir aquilo a que nos propusemos. O melhor resultado possível. E, para conseguirmos acertar, nos baseamos nos dados de que dispomos. Acreditamos que, quanto mais informação, menos possibilidade de errar em nosso critério ou em nossas decisões. E não costumam faltar fontes de informação para nutrirmo-nos. Não por acaso, vivemos na era da informação, plugados na rede. Mas a equação nem sempre nos oferece o resultado esperado. Nem tudo podemos resolver no plano mental.

(...) O certo é que o corpo é uma valiosa fonte de informação, a qual muitas vezes ignoramos. Em muitas ocasiões, especialmente quando enfrentamos situações dolorosas ou incômodas, nos refugiamos na cabeça. Decidimos entender o que sentimos, em vez de nos permitir sentir. Cada vez mais tendemos a viver a partir da mente, a interagir por meio de telas. Parece que temos esquecido que a pele é o veículo que nos permite experimentar a vida. A intuição é um compêndio de informação que acessamos de forma inconsciente e que nos adverte de potenciais perigos e oportunidades. (...)

Para ativar nossa capacidade intuitiva, temos que começar despertando nossa percepção. Escutar a nós mesmos nos leva a escutar mais os outros, e isso nutre cada uma das relações que mantemos. Podemos praticar a atenção, dar espaço ao que sentimos, em vez de catalogar e optar por esconder o sentimento. Isso passa por nos atrevermos a entrar mais em contato com nosso corpo, prestando mais atenção ao que percebemos através dos sentidos. Neste processo, também é útil minimizar os automatismos, rompendo com as inércias e as rotinas estabelecidas. Experimentar um itinerário diferente para ir de casa ao trabalho, ou dar espaço na agenda a atividades novas e diferentes, é um bom primeiro passo. Quando fazemos algo diferente, estamos mais sensíveis, mais conectados com o que se passa ao nosso redor. Por isso que uma boa forma de cultivar a intuição é assumir riscos e sair da zona de conforto.

Viver a partir da intuição pode dar medo, porque estamos muito apegados à nossa mente racional, e deixá-la de lado nos faz sentir que perdemos o controle. O que nos dita nosso interior nem sempre vai na linha do que propõem as convenções sociais. Mas vale a pena dar-lhe um voto de confiança. Cada vez que algo interno nos diz ‘acho que tenho que fazer isto’, se abre uma porta que nos leva a uma nova aventura. Não por acaso, a intuição é um superpoder. Não nos transforma em super-heróis, mas nos converte em protagonistas de nossa própria vida. Nos oferece capacidade de influência, autoconhecimento e compreensão do mundo em que vivemos. Para potencializá-la, antes de tomar uma decisão, podemos tentar senti-la, ao invés de pensá-la. Escutar o coração, as entranhas, o instinto que habita dentro. Apostar na intuição supõe um exercício de coragem. Ser quem se é, nos tempos de hoje, nem sempre é uma atitude popular. Mas é a única maneira de viver uma vida autêntica.

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