"Quando surge um sintoma, é sinal que o estresse passou dos limites"
alerta a psicóloga Ana Maria Rossi, especialista em estresse no trabalho
(Juliano Machado/Portal do TRT4)
A psicóloga Ana Maria Rossi preside a International Stress Management Association no Brasil (Isma-BR). É doutora em Psicologia Clínica e Comunicação Verbal. Especializou-se em estresse e biofeedback na Florida State University e na Menninger Foundation (EUA). É licenciada pela Biofeedback Society of America, precursora das técnicas de autocontrole e biofeedback no Brasil.
Ana - Existem pesquisas científicas que dizem que o melhor para o trabalhador são períodos de férias mais curtos e mais frequentes ao longo do ano. A pessoa acumula estresse durante 11 meses e aí tem 30 dias em que é obrigada a relaxar. Muitas vezes só essa obrigação de descansar em um tempo limitado gera mais estresse que o trabalho.
Portal - Quais seriam as principais causas de estresse no trabalho?
Ana - Em primeiro lugar, a grande simultaneidade de tarefas, o que gera longas jornadas de trabalho e mesmo assim a pessoa não tem tempo de executar todas as atividades. A maioria das pessoas está correndo contra o relógio, com a sensação de que sempre está devendo alguma coisa. Também a falta de reconhecimento: às vezes as pessoas tentam fazer aquilo que sabem e gostam, mas nunca se sentem gratificadas, não são reconhecidas. Então, perdem a motivação, perdem o entusiasmo pelo seu trabalho. E, ainda, o problema das relações interpessoais no ambiente de trabalho, que geram consequências na vida fora dele. Existem outras causas, é claro, mas estas seriam as principais.
Portal - Existe resistência por parte dos empregadores quanto a medidas de adequação das jornadas, como introdução de pausas para descanso ou mesmo redução da carga horária diária?
Ana - Infelizmente aqui no Brasil e em diversos outros países do mundo existe a ideia de que quanto mais tempo o profissional ficar no trabalho mais dedicado ele é. Os empresários não se dão conta de que se não houver um equilíbrio entre a vida pessoal e a vida profissional, o trabalhador pode ficar 18 horas no trabalho, mas vai cometer mais erros, vai haver mais incidência de acidentes do trabalho, vai ficar muito mais cansado. Pode até produzir mais, mas com menos qualidade. Temos que tentar mudar a cabeça dos empresários nesse sentido.
Portal - Como identificar o momento em que o nível de estresse requer tratamento?
Ana - Infelizmente, na nossa sociedade ocidental, o sintoma e a doença são sinais de que o nível de estresse passou dos limites. Se a pessoa sempre dormiu bem e de repente passa a ter insônia, é um sinal de desequilíbrio; a pessoa tinha dores de cabeça três vezes por semana, agora tem cinco... Então o sintoma se modificou quanto à frequência, intensidade ou duração, sinal de que houve um agravamento da situação. Ou seja, o aparecimento de um sintoma ou a alteração de um sintoma já existente pode ser um sinal de que é hora de parar. Mas as pessoas normalmente não param: se têm dificuldade para dormir, tomam remédio; se o estômago fica ruim, tomam digestivos... E então o sintoma vira doença.
Texto: Juliano Machado (Secom/TRT4)
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quarta-feira, 12 de junho de 2013
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