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domingo, 18 de setembro de 2011

Minha chefe achou que havia "um lago" na música que eu estava ouvindo...








(Manuel Valente/FACT Magazine)


Já tinham partilhado estúdio em duas outras ocasiões (no álbum “Cendre” e no EP “Sala Santa Cecília”), não sendo por isso qualquer tipo de surpresa mais uma colaboração entre o austríaco Fennesz e o japonês Ryuichi Sakamoto.

Nos últimos anos o piano de Sakamoto tem sido requisitado também para colaborações com o alemão Alva Noto, mas enquanto com este se sente que cristalizaram um tipo de abordagem, com o austríaco pressente-se que ainda existe muito mais por desbravar, através de uma música calorosa e profunda.
Enquanto na parceria com Alva Noto é o piano de Sakamoto que sobressai, aqui a presença de Fennesz é mais pronunciada. Os ruídos e o ambientalismo electrónico parecem dissipar-se, como se quisessem ficar na retaguarda, mas na realidade constituem o motivo central de cada uma destas peças instrumentais, marcando a tonalidade e o espaço, desenhando-o cuidadosamente.

É no meio que o piano de Sakamoto surge, subtil e cândido, como habitualmente. Em vez de grandes momentos de improviso o que existe é uma música sensitiva e melancólica, ordenada de forma quase imperceptível, como se Fennesz procurasse a textura perfeita, elaborando organismos granulados e subtis camadas de ruído, enquanto Sakamoto introduz melodias.

É uma música de sequências harmónicas e átomos de som criando uma nova tapeçaria. Na maior parte das vezes fica um rasto indelével de formas fluidas, de sons em miniatura, projectando uma geografia sonora que parece imutável, numa música de camadas, onde nada parece acontecer, mas que é capaz de potenciar o máximo impacto emocional em quem a ouve.

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