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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Ontem, o alemão Hans-Thies Lehmann, autor de 'Teatro pós-dramático', foi centro de roda de debates no Teatro Renascença, em Porto Alegre, em evento essencialmente político e essencialmente pouco artístico-intelectual, dados os debatedores que estavam no palco, 13 deles praticamente incapazes de conversar com Lehmann. Exceto João de Ricardo, que faz de fato teatro pós-dramático, os outros debatedores eram nomes "importantes" do teatro porto-alegrense, muitos deles inclusive desconhecedores do tema de Lehmann. Pelo menos algumas perguntas ingênuas acabaram gerando boas aulas sobre o que não é mais arte no mundo desde o século 19. No final, assobiei de alegria durante as palmas. E, no saguão, depois de tudo, Lehmann interagiu com Créu, o gato do Centro Municipal de Cultura.

"Tudo depende da capacidade de descobrir o que é político onde habitualmente não se percebe nada." (Hans-Thies Lehmann)

Roberto Oliveira - A quem se dirige o teatro pós-dramático?

Lehmann - Em primeiro lugar, a arte não se dirige a ninguém.

"O crítico deve olhar para si mesmo como um artista, um filósofo, um autor. E um autor é responsável, em primeiro lugar, por ele mesmo, depois pelo objeto, 'a realidade' que pretende fazer passar, e somente em seguida, em terceiro lugar, pelo público. Joyce, Proust e Beckett jamais teriam escrito aquilo que escreveram se constantemente se perguntassem 'Qual é a minha responsabilidade diante do público?'. Os artistas importantes, assim como os críticos, dirigem-se sempre ao que eu chamaria um público potencial, não um público real. O público que hoje recusa um gesto potencialmente artístico e profundo (porque não podem ver para além da provocação ou da forma inabitual que é utilizada), provavelmente em breve, mesmo daqui a alguns anos, estará a seguir o artista e a descobrir novos domínios de possibilidades de expressão artística." (Hans-Thies Lehmann)

E quando perguntado sobre a dificuldade de se ter público em obras de qualidade, Lehmann respondeu que, se poucos vão, "paciência, este é o nosso destino", ressaltando que a ele interessa o aspecto artístico, não o sociológico e econômico. "É uma questão de honestidade intelectual do dramaturgo."

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