Difícil é tentar descrever
-- Daniel Matos
Premeditado ou não, o título pode dizer mais do que se espera. Blanched toca Angelopoulos. Apesar de as músicas não serem inéditas, não é possível conter a surpresa. Além da ligação forte com o tipo de linguagem, forma, cores e emoções transmitidas no contato direto com as duas obras (mais especificamente se fôssemos comparar com o filme Paisagem Na Neblina, elas nos fazem refletir sobre nós mesmos, como um suspiro, um espreguiçar de braços, um impulso, uma revelação, que produz seus efeitos para sempre, mas que se aquieta com o tempo. Com essa sensação de introspecção, deixamo-nos levar, seja pela leveza, pela beleza ou pelo ritmo acentuadamente lento, marca registrada de ambas. As obras contam com uma riqueza de detalhes surpreendentes, porém talvez não percebida no primeiro contato. As belas melodias, os diálogos significativos, o lirismo das letras, as explosões precisas de distorções, microfonias e tudo o mais que agride, tudo reunido com bom gosto. "Estando mais fortes, seguimos. O tempo amadurece-nos enquanto a juventude supérflua declina. Não devemos mais nada aos mortos." Existem coisas acontecendo, saiba perceber.
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quinta-feira, 27 de maio de 2004
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