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quarta-feira, 12 de maio de 2004

. . . poucas pessoas adultas tratariam quatro crianças assim como tu nos trata e sempre nos tratou: de igual para igual, sem um pingo de arrogância, sem aquele ar de superioridade e sem aquela nossa velha e conhecida expressão de sarcasmo e até um pouco de cinismo no rosto. (...)

Beijos
Nana, Jut, Arthur e Rê

Ao ler esta parte da carta que os amigos da Manuela - da 7ª série do colégio Anchieta - escreveram para ela, comentei em voz alta, para eles, algum grunhido, algum som de indignação, ao perceber que "adultos" podem tratar "crianças" com diferença. Aos meus grunhidos quase que eles não entendiam se eu estava gostando ou não das palavras deles, quando que a resposta era sim, claro. Das palavras e também das almas que espiavam pelos olhos dos 3/4 (Nana, Arthur e Rê) que eu conheci naquele dia. E pelo menos a Nana - a mais falante - demonstrou - em blog - que teve simpatia por mim. Indignei-me porque muitos dos adultos já estão mortos, apenas zumbizando por aí. Como eu sempre digo que disse o Bukowski: "Quase todo mundo nasce gênio e é enterrado imbecil". Eu acho que uma pessoa completa e resolvida contém todos seus anos decorridos dentro de si. Certos processos que alguns defendem como de amadurecimento, eu chamaria de endurecimento ou descoloração da vida. Depois de grunhir, e de fazer algum silêncio, acrescentei "É assim que 'eles' nos tratam também".

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