Parece que quem tem bicho é mais humano, mais tranqüilo e mais feliz. Percebo isso num sábado em que pego um dos nossos gatos e a sacolinha-transporte dele, ponho ela no ombro e ele no colo e saio pelas ruas rumo a um, digamos, centro de animais (pet shop não me soa bem). Eu estou feliz, com aquele bichinho que eu amo ali nos meus braços, caminho e vou conversando com ele, que não entende as palavras mas a entonação canta às suas orelhas giratórias. Ele está feliz, olhando as casas e os prédios, principalmente estabelecimentos comerciais abertos. Uma mulher nos pára e conta que tem quatro. Seguimos caminho e uma menina passa com um sorriso genuíno de ver a dupla ali na calçada. No centro, as pessoas estão todas felizes cuidando dos seus companheirinhos ingênuos. Deixo o Tune lá e vou ao cinema, pego-o na volta. A veterinária está feliz porque "Como esses quatro se deram bem, todos!" e fico feliz ao ouvi-la. Começando o caminho inverso da ida, de novo o Tune no colo e a sacola no ombro, um menino do outro lado da rua grita "Eu ganhei um gato! Eu ganhei um gato!". Dou mais três passos e ele grita mais "Tio, quer ver o gato que eu ganhei?". Grito "Quero!". Que bonito, qual é o nome dele, Bóris, e o teu, Mateus, esse aqui é o irmão dele, traz ele aqui um dia para eu ver, trago sim. Prosseguimos mais um pouco quando, do outro lado da rua, aquele que antes era o nosso lado, uma mulher... Espera que eu tenho que contar do outro dia que eu passei de novo por um gato bonito, tigrado com olhos verdes e só as patinhas brancas, só que daquela vez eu estava com a minha câmera e me pus a fotografá-lo. Moradores do prédio vieram dizer-me que o gato era "dali", que tinham tentado adaptá-lo a um apartamento mas que o negócio dele é a rua mesmo. Ângelo. De tchau, me deixou três sangues no pulso. Voltando ao dia do cinema, um daqueles moradores, a tal mulher de quem eu começava a falar, gritou "Esse é o teu?". Atravessamos a rua e eu gritando "Esse é o meu!" Lindo. Ela ficou feliz, e nós também. Quando chegamos em casa, quem ficou feliz foi o irmão, o Fuzzy. E assim por diante.
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