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terça-feira, 1 de abril de 2003

Eu estava pensando justamente sobre isto nas últimas semanas: como definir a beleza? Eis que na minha leitura de Joyce chego no seguinte trecho:

"Os sentimentos excitados pela arte imprópria são cinéticos, desejo, ou repulsa. O desejo nos compele a possuir, a ir para alguma coisa; a repulsa nos compele a abandonar, a partir duma dada coisa. (...) A emoção estética . . . é, por conseguinte, estática. O espírito fica detido e suspenso acima do desejo e da repulsa. (...) O desejo e a repulsa excitados por meios estéticos impudicos não são realmente emoções estéticas, não são senão físicas. A nossa alma contrai-se ante aquilo que teme e responde ao estímulo daquilo que deseja por uma ação puramente reflexa do sistema nervoso. (...) A beleza expressa pelo artista não pode despertar em nós uma emoção que é cinética, ou uma sensação que é puramente física. Ela desperta ou deve despertar, ou induz, ou deve induzir, um êxtase estético, uma piedade ideal ou um terror ideal, um êxatse que perdura, que se prolonga e acaba, por fim, dissolvido pelo que eu chamo o ritmo da beleza. O ritmo é a primeira relação formal estética duma parte com outra parte, em qualquer conjunto ou todo estético, ou dum todo estético para a sua parte ou para as suas partes, ou duma parte para o todo estético do qual é parte. (...) A arte é a disposição humana de matéria sensível ou inteligível para um fim estético. (...) Santo Tomás de Aquino diz que o belo é a apreensão do que agrada. (...) As mais satisfatórias relações do sensível devem . . . corresponder às fases necessárias da apreensão artística. Descobre-as e terás descoberto as qualidade da beleza universal. Integritas, consonantia, claritas. (...) Para ver aquele cesto, o teu espírito, antes de mais nada, separa o cesto do resto do universo visível que não é o cesto. A primeira fase de apreensão é uma linha limitando, contornando o objeto a ser apreendido. Uma imagem estética se nos apresenta seja no espaço ou no tempo. O que é audível apresenta-se no tempo, o que é visível apresenta-se no espaço. Mas, tanto temporal como espacial, a imagem estética é em primeiro lugar luminosamente apreendida como autolimitada e autocontida sobre o incomensurável segundo plano do espaço ou do tempo, que não o são. Tu a apreendes como uma coisa. Tu a enxergas como um todo. Apreendes o seu todo. Eis o que é integritas. Então, depois, tu passas dum a outro ponto, conduzido por suas linhas formais; apreendes cada ponto como parte em função de outra parte dentro dos seus limites; sentes o ritmo de sua estrutura. Em outras palavras, a síntese da percepção imediata é seguida pela análise de apreensão. (...) Tu a apreendes como complexa, múltipla, divisível, separável, inteirada pelas suas partes, o resultado de duas partes e a sua soma harmoniosa. Eis o que é consonantia. Tal qualidade suprema [claritas] é sentida pelo artista quando primeiro a imagem estética é concebida em sua imaginação. (...) O instante em que essa suprema qualidade de beleza, a radiação clara da imagem estética, é apreendida luminosamente pelo espírito que foi surpreendido por sua inteireza e fascinado por sua harmonia é o luminoso êxtase de prazer estético . . . " (JOYCE, James. Retrato do artista quando jovem.)

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