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sexta-feira, 19 de novembro de 2010
"Não é um pensamento discursivo [o de Deleuze e Guattari], mas segundo a própria definição deles, é uma máquina fundamentalmente energética, destinada a vibrar e a fazer vibrar aqueles que dela se aproximam e a engajá-los em um movimento produtivo, que não passa exatamente pelas idéias nem pelas palavras, passa pelos afetos. Por afetar e ser afetado. Passa pela capacidade de vibrar em consonância, passa pela capacidade de despertar o entusiasmo, a vontade de viver, a vontade de criar." (Gregório Baremblitt)
Haverá um novo Gabiru? Eu voto em Edu. Abaixo, montagem feita pelo Globo Esporte.

Vaiados: Alecsandro, Edu e Wilson Matias.

Vaiados: Alecsandro, Edu e Wilson Matias.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
VE2: Tree of Codes
Originally uploaded by Visual Editions.
Jonathan Safran Foer
Tree of codes (2010)
Vanity Fair - O que inspirou o design?
JSF - Ele te ajuda a lembrar que a vida pode te surpreender.
VF - De quem é Tree Of Codes? É um livro seu? Ou é do Bruno Schulz? Você está usando as palavras dele.
JSF - Este livro é meu. O livro dele é uma obra-prima, isto foi o meu experimento. Minha história não tem nada a ver com a do livro dele. Para o meu, em vez de eu ter usado todo o dicionário como ponto de partida para a escrita, eu usei uma "paleta" mais limitada. Mas é a mesma ideia.
VF - Cortando palavras fora você está criando algo. Você vê paralelos a isso na sua escrita ficcional?
JDF - Acho que não. Digamos assim: há dois tipos de escultura. Há o tipo que extrai: Michelangelo começa com um bloco de mármore e vai descascando. E há o tipo que adiciona, feito com argila, empilhando. A forma como eu escrevo romances é empilhando, empilhando, empilhando e empilhando.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Werner Diermaier, do Faust, recebeu um disco do input_output.
Segundo o jornal Zero Hora, "algumas pessoas" reclamaram da performance dessa escritora, porque a) ela gritava muito; b) parecia alcoolizada; c) oferecia bebida alcoólica a menores; d) o ato estava prejudicando as compras. Além disso, e) "a ação da Brigada Militar foi no sentido de colaborar para a segurança de todos, inclusive da própria manifestante". Em seu blog, Telma Scherer antecipa a performance "Não alimente o escritor": "Estarei atada a uma pequena casa de cachorro repleta de contas de aluguel e telefone (todas em meu nome). Outros elementos cênicos como uma coleira, um espelho e uma garrafa de conhaque e suas manipulações formarão a imagem poética". (Ariela Boaventura)
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filosofia,
literatura,
performance
domingo, 14 de novembro de 2010
"Eu quis apenas expressar sentimentos relacionados à vivência que tive nos últimos meses, quando acumulei muitas contas e tive que deixar o apartamento onde morava. Formei com as contas uma imagem poética em três dimensões, pus meu corpo em cena e utilizei alguns objetos cênicos." (Telma Scherer)
Escritora realiza performance na Feira do Livro e é retirada por policiais
Expositores reclamaram da apresentação e chamaram a Brigada Militar
Uma ocorrência policial marcou a Feira do Livro de Porto Alegre na noite dessa sexta-feira. A poeta e escritora Telma Scherer, de 31 anos, realizava uma intervenção artística na Praça da Alfândega quando foi abordada por policiais do 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM) que teriam recebido uma denúncia de expositores. Segundo a reclamação, a apresentação de Telma estaria reunindo muitas pessoas na Rua da Praia e atrapalhando a circulação de pedestres e visitantes do evento. Testemunhas disseram que a ação dos PMs foi violenta. Amigos e pessoas que assistiam a apresentação contaram que pelo menos 10 policias abordaram a escritora, que foi conduzida em uma viatura ao posto da Brigada Militar na Praça XV, no Centro da Capital.
Além de testemunhas, esteve no local o vice-presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro, Osvaldo Santucci. Ele negou que a Câmara tenha acionado a polícia, mas confirmou que a apresentação não fazia parte do calendário oficial da feira e que algumas pessoas teriam reclamado do acúmulo de expectadores.
O capitão Marcelo Fernandes do 9º BPM, conversou com a escritora e com o representante da Câmara do Livro e disse desconhecer as denúncias de ação truculenta.
Cerca de 40 pessoas se reuniram para assistir Telma falar sobre sua condição de escritora. Ela teria emocionado o público ao revelar que precisou deixar seu apartamento porque estava com três meses de alguel atrasado. A performance artística questionava o sistema literário, o que pode ter incomodado representantes do mercado editoral. Telma disse, no entanto, que a crítica não foi a uma pessoa ou instituição em particular. A escritora contou que ficou constrangida com a ação da polícia.
Escritora realiza performance na Feira do Livro e é retirada por policiais
Expositores reclamaram da apresentação e chamaram a Brigada Militar
Uma ocorrência policial marcou a Feira do Livro de Porto Alegre na noite dessa sexta-feira. A poeta e escritora Telma Scherer, de 31 anos, realizava uma intervenção artística na Praça da Alfândega quando foi abordada por policiais do 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM) que teriam recebido uma denúncia de expositores. Segundo a reclamação, a apresentação de Telma estaria reunindo muitas pessoas na Rua da Praia e atrapalhando a circulação de pedestres e visitantes do evento. Testemunhas disseram que a ação dos PMs foi violenta. Amigos e pessoas que assistiam a apresentação contaram que pelo menos 10 policias abordaram a escritora, que foi conduzida em uma viatura ao posto da Brigada Militar na Praça XV, no Centro da Capital.
Além de testemunhas, esteve no local o vice-presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro, Osvaldo Santucci. Ele negou que a Câmara tenha acionado a polícia, mas confirmou que a apresentação não fazia parte do calendário oficial da feira e que algumas pessoas teriam reclamado do acúmulo de expectadores.
O capitão Marcelo Fernandes do 9º BPM, conversou com a escritora e com o representante da Câmara do Livro e disse desconhecer as denúncias de ação truculenta.
Cerca de 40 pessoas se reuniram para assistir Telma falar sobre sua condição de escritora. Ela teria emocionado o público ao revelar que precisou deixar seu apartamento porque estava com três meses de alguel atrasado. A performance artística questionava o sistema literário, o que pode ter incomodado representantes do mercado editoral. Telma disse, no entanto, que a crítica não foi a uma pessoa ou instituição em particular. A escritora contou que ficou constrangida com a ação da polícia.
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quinta-feira, 11 de novembro de 2010
"Deve dar um trabalho danado a pesquisa para fazer músicas boas."
Bingo. Palavras de Bruno Sarmento Cantisani, advogado trabalhista, fã do finado Pelicano e amigo.
Bingo. Palavras de Bruno Sarmento Cantisani, advogado trabalhista, fã do finado Pelicano e amigo.
terça-feira, 9 de novembro de 2010

"As preocupações das pessoas hoje não tem nada a ver com Van Gogh ou Picasso, há muito mais densidade e flexibilidade em nossa estética e em nossa condição moral." (Ai Weiwei)
Darth Vader e Imperador?

"O cruzamento do glitch de Nicolai com a voz de Bargeld traduzia-se num disco pulsante e dançável q.b. - porque a electricidade também dança - e definitivamente pop, isto tendo em conta o background primário de cada um dos intervenientes. Por que a utilização do termo pop? Porque é visível que nos anbb existe um cuidado em ir além da simples experimentação e criar algo semelhante ao que coloquialmente apelidamos de canção. 'Mimikry' é sem sombra de dúvida um happening de registo entre dois dos mais importantes nomes da música dita experimental, e um facto interessante é ambos provirem de partes distintas da hoje reunificada Alemanha: Blixa é ocidental, Nicolai de leste." (Paulo Cecílio/Bodyspace.net)

E é exatamente essa "canção além da experimentação" que é a versão do input_output do "objetivo de fazer música pop perfeita" (vide Ian McCulloh).

"O cruzamento do glitch de Nicolai com a voz de Bargeld traduzia-se num disco pulsante e dançável q.b. - porque a electricidade também dança - e definitivamente pop, isto tendo em conta o background primário de cada um dos intervenientes. Por que a utilização do termo pop? Porque é visível que nos anbb existe um cuidado em ir além da simples experimentação e criar algo semelhante ao que coloquialmente apelidamos de canção. 'Mimikry' é sem sombra de dúvida um happening de registo entre dois dos mais importantes nomes da música dita experimental, e um facto interessante é ambos provirem de partes distintas da hoje reunificada Alemanha: Blixa é ocidental, Nicolai de leste." (Paulo Cecílio/Bodyspace.net)

E é exatamente essa "canção além da experimentação" que é a versão do input_output do "objetivo de fazer música pop perfeita" (vide Ian McCulloh).
domingo, 7 de novembro de 2010
"A indústria cultural vende cultura. Para vendê-la, deve seduzir e agradar o consumidor. Para seduzi-lo e agradá-lo, não pode chocá-lo, provocá-lo, fazê-lo pensar, fazê-lo ter informações novas que o perturbem, mas deve devolver-lhe, com nova aparência, o que ele já sabe, já viu, já fez." (Marilena Chauí)
Entretenimento. Três horas é tempo que pode propiciar perda de rumo, balaio de gatos, samba do crioulo doido, por vaidade e/ou falta de coesão, como David Lynch em 'INLAND EMPIRE'. Momentos ótimos [1. A coelha muda e guitarrista! 2. Ursula Collishonn cantando. 3. "Só faltava você. Welcome, welcome, welcome." 4. "Tatiana Mielczarski: seu Michel (sic) Jackson correria o risco de ser melodramático estivesse em mãos menos talentosas. O texto final é sensível e tocante, o que dá a produção um final excelente." (Rodrigo Monteiro) 5. A fada de duas cabeças. 6. A lagarta do pufe gigante inflável.] podem se perder na quilometragem irregular. Minimalismo, muito apreciado por mim e exercido em 'Dentrofora', por exemplo, é o completo oposto de 'Wonderland'. E no intervalo da peça tocou Paul McCartney de 43 anos atrás.

"'Wonderland e o que M. Jackson encontrou por lá' é, para mim, até agora, o melhor espetáculo produzido por Porto Alegre nesse ano de 2010. É extremamente interessante, bastante rico e, talvez, um dos mais importantes que a capital gaúcha teve nesse período. E aplaudi-lo não é uma gentileza, mas um dever. Um dever que se justifica na análise que se tentará fazer aqui, essa um passo além do aplauso já certamente dado." (Rodrigo Monteiro, 01/11/2010)
"'Homem que não vive da glória do passado', uma produção que não merece nem mesmo a gentileza de um aplauso, apesar de haver nela muito estudo envolvido, mesmo que não saibamos muito bem qual estudo é esse." (Rodrigo Monteiro, 28/03/2010)
"Ninguém merece a gentileza de um aplauso." (Personagem A Crítica - que convive com A Academia e A Vanguarda - em 'Wonderland e o que M. Jackson encontrou por lá', de Felipe Vieira de Galisteo e Daniel Colin. E A Vanguarda odeia todo mundo.)

"'Wonderland e o que M. Jackson encontrou por lá' é, para mim, até agora, o melhor espetáculo produzido por Porto Alegre nesse ano de 2010. É extremamente interessante, bastante rico e, talvez, um dos mais importantes que a capital gaúcha teve nesse período. E aplaudi-lo não é uma gentileza, mas um dever. Um dever que se justifica na análise que se tentará fazer aqui, essa um passo além do aplauso já certamente dado." (Rodrigo Monteiro, 01/11/2010)
"'Homem que não vive da glória do passado', uma produção que não merece nem mesmo a gentileza de um aplauso, apesar de haver nela muito estudo envolvido, mesmo que não saibamos muito bem qual estudo é esse." (Rodrigo Monteiro, 28/03/2010)
"Ninguém merece a gentileza de um aplauso." (Personagem A Crítica - que convive com A Academia e A Vanguarda - em 'Wonderland e o que M. Jackson encontrou por lá', de Felipe Vieira de Galisteo e Daniel Colin. E A Vanguarda odeia todo mundo.)
sábado, 6 de novembro de 2010
543
01:10:27,333 --> 01:10:29,982
Que quati, hein?

484
01:04:09,351 --> 01:04:10,846
- Olá!
- Oi!
485
01:04:11,143 --> 01:04:13,663
Trouxe a cerveja.
O filme já vai começar.
486
01:04:13,992 --> 01:04:17,253
Na verdade não lhe chamei
para ver um filme.
487
01:04:17,512 --> 01:04:19,234
- Não?
- Não.
488
01:04:19,846 --> 01:04:20,927
Está...
489
01:04:21,191 --> 01:04:22,914
- Vamos lá em cima?
- Sim.
490
01:04:23,494 --> 01:04:25,281
- Você já foi caçar?
- Claro.
491
01:04:27,845 --> 01:04:30,976
Lembra-se daquela noite
quando disse que vi algo?
492
01:04:31,748 --> 01:04:35,578
Acho que estava histérico,
pois não era um fantasma.
493
01:04:36,420 --> 01:04:38,492
- Era um quati.
- Verdade?
494
01:04:39,011 --> 01:04:42,142
Um quati enorme.
Do nosso tamanho.
495
01:04:42,946 --> 01:04:44,734
Onde está o quati agora?
496
01:04:45,281 --> 01:04:47,321
Eu o tranquei no armário.
497
01:04:51,074 --> 01:04:53,081
- Você não tem medo de quati, tem?
- Eu? Não...
498
01:04:53,408 --> 01:04:57,368
O que quer que eu faça?
499
01:05:01,310 --> 01:05:03,350
Já viu isto antes?
500
01:05:03,679 --> 01:05:07,290
- Sim, todos os dias, o que é?
- É o arpão do meu tio.
501
01:05:08,669 --> 01:05:11,353
- Pegue-o.
- Ta certo.
502
01:05:11,678 --> 01:05:15,986
Se o quati for para o telhado,
puxe esta linha.
503
01:05:17,180 --> 01:05:19,831
Por que ele iria
para o telhado?
504
01:05:20,060 --> 01:05:23,506
Lá há um buraco por onde
passa para ir se alimentar.
505
01:05:23,803 --> 01:05:27,065
E então volta aqui e
faz sujeira no armário.
506
01:05:30,938 --> 01:05:33,304
É melhor usar isso.
507
01:05:35,641 --> 01:05:39,731
Quando ele aparecer, você atira
entre os olhos.
508
01:05:39,960 --> 01:05:44,302
Por que ser não o matar, ele
escapará. Então segure firme.
509
01:05:44,568 --> 01:05:51,277
Venha aqui. Fique aqui
para que tenha uma boa mira.
510
01:05:51,862 --> 01:05:57,577
Está tudo planejado.
Abrirei a porta à meia noite
...
539
01:09:38,540 --> 01:09:40,679
Roger!
540
01:10:10,855 --> 01:10:12,710
Harold, voltei!
541
01:10:13,608 --> 01:10:15,973
Espere!
Sou eu!
542
01:10:16,646 --> 01:10:21,948
É você mesmo?
Graças a Deus!
543
01:10:27,333 --> 01:10:29,982
Que quati, hein?
01:10:27,333 --> 01:10:29,982
Que quati, hein?
484
01:04:09,351 --> 01:04:10,846
- Olá!
- Oi!
485
01:04:11,143 --> 01:04:13,663
Trouxe a cerveja.
O filme já vai começar.
486
01:04:13,992 --> 01:04:17,253
Na verdade não lhe chamei
para ver um filme.
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01:04:17,512 --> 01:04:19,234
- Não?
- Não.
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01:04:19,846 --> 01:04:20,927
Está...
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01:04:21,191 --> 01:04:22,914
- Vamos lá em cima?
- Sim.
490
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- Você já foi caçar?
- Claro.
491
01:04:27,845 --> 01:04:30,976
Lembra-se daquela noite
quando disse que vi algo?
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Acho que estava histérico,
pois não era um fantasma.
493
01:04:36,420 --> 01:04:38,492
- Era um quati.
- Verdade?
494
01:04:39,011 --> 01:04:42,142
Um quati enorme.
Do nosso tamanho.
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01:04:42,946 --> 01:04:44,734
Onde está o quati agora?
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Eu o tranquei no armário.
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- Você não tem medo de quati, tem?
- Eu? Não...
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O que quer que eu faça?
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Já viu isto antes?
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- Sim, todos os dias, o que é?
- É o arpão do meu tio.
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01:05:08,669 --> 01:05:11,353
- Pegue-o.
- Ta certo.
502
01:05:11,678 --> 01:05:15,986
Se o quati for para o telhado,
puxe esta linha.
503
01:05:17,180 --> 01:05:19,831
Por que ele iria
para o telhado?
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01:05:20,060 --> 01:05:23,506
Lá há um buraco por onde
passa para ir se alimentar.
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E então volta aqui e
faz sujeira no armário.
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É melhor usar isso.
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Quando ele aparecer, você atira
entre os olhos.
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Por que ser não o matar, ele
escapará. Então segure firme.
509
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Venha aqui. Fique aqui
para que tenha uma boa mira.
510
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Está tudo planejado.
Abrirei a porta à meia noite
...
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Roger!
540
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Harold, voltei!
541
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Sou eu!
542
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É você mesmo?
Graças a Deus!
543
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Que quati, hein?
sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Joan Miró. Blue II. 1961. Oil on canvas. 270 x 355 cm.
Musée National d'Art Moderne, Centre Georges Pompidou, Paris, France.
Afixei uma réplica da pintura acima na parede do meu local de trabalho, acima do monitor do meu computador.
- Eu não tô entendendo esses quadros aí - disse um advogado, usando plural pelos pôsteres de guepardo e do In Rainbows, logo ao lado).
- Mas arte não é de entender. Cada um pode ter a sua interpretação.
- Isso aí uma criança foi lá e fez e acham bonito.
- Não. Criança não faz isso. Isso é do Miró.
- O que será que ele entendeu quando fez, então?
- O artista também não precisa entender.
- Tu é da área também, por isso tu tá falando isso?
- Sim.
- ...
- Tá, as bolinhas pretas podem ser pedras... ou reticências rumo ao infinito.
- Tá, e o vermelho?
- Aí tem que pensar o que pode ser o azul. Se o azul for tristeza, o vermelho pode ser uma fagulha de alegria.
- Putz! É muito profundo isso. Eu não consigo entender.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Sobre o castelo do Kafka.

(Ronaldo Correia de Brito)
"Era tarde da noite quando K. chegou. A aldeia jazia na neve profunda. Da encosta não se via nada, névoa e escuridão a cercavam, nem mesmo o clarão mais fraco indicava o grande castelo. K. permaneceu longo tempo sobre a ponte de madeira que levava da estrada à aldeia e ergueu o olhar para o aparente vazio".
Dessa forma supostamente simples, parecendo uma narrativa convencional, começa O Castelo, romance escrito por Kafka em cerca de seis meses, de fins de fevereiro a começo de setembro de 1922. Narrado em primeira pessoa nas quarenta e seis páginas iniciais, só a partir desse ponto passa para a terceira pessoa. Mais tarde o autor reescreverá o começo do livro também na terceira pessoa. Esse impasse tem que ver com o que anotou Modesto Carone: aquele que narra, em Kafka, não sabe nada, ou quase nada, sobre o que de fato acontece - do mesmo modo, portanto, que o personagem. O narrador, como o personagem K., não tem chances de explicar o que se passa no mundo claro que a neve recobre do lado de fora nem nos interiores escuros em que as formas se ocultam.
O prefeito fala da complexa trama de encaminhamentos de processos entre os departamentos do castelo, mesmo para uma questão simples, gerando erros nos envios de petições, atrasos, arquivamentos, até a solução absurda de contratar serviços sem a menor necessidade deles, apenas para ajustar os vários equívocos burocráticos do processo. O diálogo entre K. e o prefeito é uma síntese do universo kafkiano, reforça o ponto de vista de Günther Anders de que Kafka era um realista que enxergava "um mundo do poder total e totalitariamente institucionalizado". Ou seja, como um profeta visionário Kafka anteviu a automação humana e transformação do homem num joguete burocrático de sistemas como o fascismo, o comunismo e o capitalismo.
Tais circunstâncias se repetem de forma obsessiva e absurda em todo o relato de O Castelo, da primeira à última página. Nada acontece segundo uma lógica habitual. No entanto, a lógica que se revela e que nos escapava até então, apesar de todos os seus absurdos, parece única, verdadeira e real. Como se Kafka descascasse as mentiras que nos cercam, deixando exposta uma realidade sem nenhum encantamento, nenhuma chance de romantismo ou afeto. As metáforas são abolidas, as descrições poéticas de cenários e objetos não existem, sentimentos de compaixão desaparecem. Tudo funciona nesse mundo de O Castelo dentro de uma ordem de poder esmagadora, uma burocracia paralisante que torna a ação individual impossível, não por conta de uma força trágica e divina, mas pela perversidade de sistemas inventados pelo próprio homem e que o impedem de algum dia alcançar a verdade.

(Eduardo Andrade)
“K” encontrou-se com o prefeito, que habilmente desmereceu o serviço para o qual havia sido contratado, enfraquecendo propositadamente a sua posição. Nesta conversa o prefeito convenceu “K” a aceitar a tarefa de servente em uma escola da comunidade em substituição a para a qual ele havia sido contratado. Deixou transparecer que apesar de não haver necessidade do novo serviço estava autorizando por exercício de autoridade, inclusive, a sua permanência nas dependências da escola juntamente com Frieda, e os seus dois ajudantes.
A proposta aceita por “K” por falta de alternativa, sinalizou que Klamm não tinha o poder que diziam possuir. Há de se entender que o prefeito usou “K” para enviar a Klamm uma mensagem subjetiva sobre as forças contrárias existentes nas relações políticas administrativas.
Na busca incansável de explicação para o que estava acontecendo “K” se depara com Olga, irmã de Barrabás o mensageiro de Klamm, que depois de longa conversa põe em dúvida o poder de Klamm e de outros funcionários do castelo, referindo-se inclusive às mensagens ditas como enviadas por Klamm como possíveis de não serem oficiais.
Por fim, Pepi que substituiu Frieda nos serviços do balcão da Hospedaria dos Senhores após o rompimento do relacionamento com Klamm, ao sentir a possibilidade do retorno dela (Frieda) ao seu posto, tentou incutir na mente deste que a facilidade que ele teve para conquistá-la ocorreu devido o interesse de Frieda de usá-lo para chamar a atenção do ex-amante Klamm.
Pelo visto, Franz Kafka acreditava que o poder é capaz de desenvolver tentáculos eficazes de sustentar estruturas administrativas hierárquicas incoerentes, que funcionam para satisfazerem interesses esdrúxulos, cujo uso envolve o relacionamento humano, e este pode se tornar fator importante no divisor de águas.
O poder atrai todos os tipos de energia, e, o bom exercício passa por permear o linear da ética, os interesses públicos e sociais.

(Ronaldo Correia de Brito)
"Era tarde da noite quando K. chegou. A aldeia jazia na neve profunda. Da encosta não se via nada, névoa e escuridão a cercavam, nem mesmo o clarão mais fraco indicava o grande castelo. K. permaneceu longo tempo sobre a ponte de madeira que levava da estrada à aldeia e ergueu o olhar para o aparente vazio".
Dessa forma supostamente simples, parecendo uma narrativa convencional, começa O Castelo, romance escrito por Kafka em cerca de seis meses, de fins de fevereiro a começo de setembro de 1922. Narrado em primeira pessoa nas quarenta e seis páginas iniciais, só a partir desse ponto passa para a terceira pessoa. Mais tarde o autor reescreverá o começo do livro também na terceira pessoa. Esse impasse tem que ver com o que anotou Modesto Carone: aquele que narra, em Kafka, não sabe nada, ou quase nada, sobre o que de fato acontece - do mesmo modo, portanto, que o personagem. O narrador, como o personagem K., não tem chances de explicar o que se passa no mundo claro que a neve recobre do lado de fora nem nos interiores escuros em que as formas se ocultam.
O prefeito fala da complexa trama de encaminhamentos de processos entre os departamentos do castelo, mesmo para uma questão simples, gerando erros nos envios de petições, atrasos, arquivamentos, até a solução absurda de contratar serviços sem a menor necessidade deles, apenas para ajustar os vários equívocos burocráticos do processo. O diálogo entre K. e o prefeito é uma síntese do universo kafkiano, reforça o ponto de vista de Günther Anders de que Kafka era um realista que enxergava "um mundo do poder total e totalitariamente institucionalizado". Ou seja, como um profeta visionário Kafka anteviu a automação humana e transformação do homem num joguete burocrático de sistemas como o fascismo, o comunismo e o capitalismo.
Tais circunstâncias se repetem de forma obsessiva e absurda em todo o relato de O Castelo, da primeira à última página. Nada acontece segundo uma lógica habitual. No entanto, a lógica que se revela e que nos escapava até então, apesar de todos os seus absurdos, parece única, verdadeira e real. Como se Kafka descascasse as mentiras que nos cercam, deixando exposta uma realidade sem nenhum encantamento, nenhuma chance de romantismo ou afeto. As metáforas são abolidas, as descrições poéticas de cenários e objetos não existem, sentimentos de compaixão desaparecem. Tudo funciona nesse mundo de O Castelo dentro de uma ordem de poder esmagadora, uma burocracia paralisante que torna a ação individual impossível, não por conta de uma força trágica e divina, mas pela perversidade de sistemas inventados pelo próprio homem e que o impedem de algum dia alcançar a verdade.

(Eduardo Andrade)
“K” encontrou-se com o prefeito, que habilmente desmereceu o serviço para o qual havia sido contratado, enfraquecendo propositadamente a sua posição. Nesta conversa o prefeito convenceu “K” a aceitar a tarefa de servente em uma escola da comunidade em substituição a para a qual ele havia sido contratado. Deixou transparecer que apesar de não haver necessidade do novo serviço estava autorizando por exercício de autoridade, inclusive, a sua permanência nas dependências da escola juntamente com Frieda, e os seus dois ajudantes.
A proposta aceita por “K” por falta de alternativa, sinalizou que Klamm não tinha o poder que diziam possuir. Há de se entender que o prefeito usou “K” para enviar a Klamm uma mensagem subjetiva sobre as forças contrárias existentes nas relações políticas administrativas.
Na busca incansável de explicação para o que estava acontecendo “K” se depara com Olga, irmã de Barrabás o mensageiro de Klamm, que depois de longa conversa põe em dúvida o poder de Klamm e de outros funcionários do castelo, referindo-se inclusive às mensagens ditas como enviadas por Klamm como possíveis de não serem oficiais.
Por fim, Pepi que substituiu Frieda nos serviços do balcão da Hospedaria dos Senhores após o rompimento do relacionamento com Klamm, ao sentir a possibilidade do retorno dela (Frieda) ao seu posto, tentou incutir na mente deste que a facilidade que ele teve para conquistá-la ocorreu devido o interesse de Frieda de usá-lo para chamar a atenção do ex-amante Klamm.
Pelo visto, Franz Kafka acreditava que o poder é capaz de desenvolver tentáculos eficazes de sustentar estruturas administrativas hierárquicas incoerentes, que funcionam para satisfazerem interesses esdrúxulos, cujo uso envolve o relacionamento humano, e este pode se tornar fator importante no divisor de águas.
O poder atrai todos os tipos de energia, e, o bom exercício passa por permear o linear da ética, os interesses públicos e sociais.
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(Carlos Etchichury/Zero Hora de 04/11/2010)
Um acórdão da 3ª turma do Tribunal Regional do Trabalho do Rio Grande do Sul (TRT4) condenando uma franquia do McDonald's da Capital a indenizar em R$ 30 mil um ex-gerente que engordou 30 quilos durante os 12 anos de trabalho na lanchonete repercutiu dentro e fora do país. No campo jurídico, juízes, professores e pesquisadores acreditam que a decisão do TRT reforça uma tendência adotada por magistrados em valorizar as relações de trabalho num sentido mais amplo. Conforme o advogado Vilson Natal Arruda Martins, entre as funções de seu cliente estava a degustação dos produtos vendidos no estabelecimento.
Além da indenização, o TRT-RS determinou que a franquia auxilie o ex-funcionário a custear um tratamento médico visando à redução de peso. A decisão, que ratificou parcialmente uma sentença em primeira instância, não é definitiva porque permite recurso. Em nota, a empresa Kallopoli Comércio de Alimentos, franqueada da marca McDonald's, informa que "está trabalhando para avaliar as medidas jurídicas em relação ao caso". O texto diz também que a "rede oferece grande variedade de opções de alimentos e cardápios balanceados para atender às necessidades diárias de seus funcionários".
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