Lama Padma Samten, sobre o que budismo chama de compaixão irada (Vajrakilaya):
Compaixão é não permitir o êxito das ações negativas. Se pudermos evitar que uma pessoa tenha êxito em uma ação negativa, melhor. Melhor por quê? Não é que estejamos contra a pessoa ou que também tenhamos agora uma fixação no lodo; não é isso, nós não estamos jogando um jogo. Se a pessoa tem êxito em ações negativas e as segue executando, ela fica fixada nessas ações e é difícil de tirar a pessoa dali. Precisamos protegê-la, evitando que haja sucesso dentro de ações que vão criar um ambiente super-negativo para ela própria. Não deveríamos permitir que essas bolhas tenham êxito, isso é tolerância zero. Não é tolerância zero com a pessoa, não é falta de paciência, não é dureza, não é maldade, não é irmos para o inferno e atacar a pessoa. É tolerância zero com a bolha de realidade que está produzindo aquilo. Notamos aquilo: se temos capacidade de desarticular, desarticulamos; se não temos, registramos — não perdemos a oportunidade de registrar.
Considero que esse ponto da tolerância zero está totalmente abandonado no tempo em que estamos vivendo agora. Uma época eu estava estudando a história do conhecimento em várias culturas, e vi algo interessante relativo ao pensamento chinês. Dizia-se que, no tempo em que o Taoísmo regia o Imperador na China, quando ocorria um crime, as pessoas não procuravam o autor do crime (na nossa linguagem isso seria caracterizar, fotografar, punir, etc), mas procuravam o ambiente (a bolha de realidade) que tinha permitido a pessoa a fazer aquele tipo de ação. Como a pessoa achou que aquilo era favorável? Esse é o verdadeiro inimigo, vocês entendem? Se eu pegar uma pessoa, culpar, caracterizar e prender, aquilo vai seguir solto, pairando, vai pegar outro, outro, outro, e aquilo ainda se expande. É a mesma coisa que colocar na cadeia todas as pessoas com dengue, enquanto a dengue continua fluindo. Estamos pegando a pessoa que foi vitimada e não o agente; o agente está no nível sutil. Vamos olhar como as ações não virtuosas estão pairando, estão totalmente disseminadas no nível sutil, na mídia em geral — reificadas, mostradas em detalhes. As pessoas adquirem esses referenciais, que viram os carmas delas mesmas; isso é um processo infeccioso. Mas se eu não vejo esse processo amplo, eu pego as pessoas que foram alcançadas pelas emoções negativas, eu culpo e condeno. Estamos longe de tolerância zero, estamos facilitando a disseminação da doença.
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sábado, 4 de agosto de 2018
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