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sábado, 2 de junho de 2018

Alexandre Bagdonas Henrique:

1. A ciência é uma tentativa de explicar os fenômenos naturais e pressupõe para fins práticos que seu objeto de estudo é real (realismo pragmático).- Evita-se assim tanto a ideia de que a ciência apenas descreve os fenômenos quanto a noção de que as teorias científicas sejam ideias arbitrárias sem qualquer conexão com a realidade.

2. A ciência busca descrever o mundo de uma maneira simples, ordenada e compreensível. - Evita-se a noção de que o mundo é necessariamente ordenado e compreensível, ou que exista necessariamente uma finalidade nos processos naturais, assim como a de que ele é caótico e desordenado e que a causalidade seria imposta arbitrariamente.

3. O conhecimento científico é provisório e confiável. - Evita-se tanto o absolutismo epistemológico quanto o relativismo epistemológico radical. Ainda que o conhecimento humano seja imperfeito e não chegue a verdades definitivas, produz resultados valiosos e duráveis e existe a possibilidade de comparação entre teorias.

4. Ceticismo moderado.- Evita-se tanto a tese de que a ciência se constitui de verdades imutáveis, quanto a de que as teorias são facilmente refutadas por experimentos. Existe um certo grau de dogmatismo entre os cientistas. Por outro lado, esse dogmatismo é moderado, até porque um certo grau de ceticismo também é importante. O questionamento das teorias estabelecidas é importante na ética da comunidade científica, que valoriza os cientistas que encontram falhas nos trabalhos consagrados.

5. Racionalismo moderado. Em contraste com a tese de que a ciência seja totalmente racional ou completamente irracional. - Os argumentos científicos devem adequar-se aos princípios da razão lógica. Porém há fatores “irracionais” que influenciam a prática científica; dessa forma evita-se a “reconstrução racional” como única forma de descrevê-la. Não é aconselhável apenas transmitir conteúdos prontos aos alunos, sem mostrar os conflitos e erros inerentes ao processo de construção do conhecimento científico.

6. Empirismo moderado, em contraste à noção empírico-indutivista e ateórica. - A produção do conhecimento científico envolve a observação e o registro cuidadoso de dados experimentais, mas os experimentos não são a única rota para o conhecimento e são dependentes de teorias, já que uma observação significativa não é possível sem uma expectativa pré-existente. As interpretações de evidências empíricas são complexas, não permitindo interpretações únicas.

7. Pluralidade metodológica, em contraste com a noção de um método rígido e imutável, assim como a ideia de que não existe nenhum método nas ciências. - Não é possível defender o método científico como um conjunto de etapas que devem ser seguidas mecanicamente. Não é possível descrever de maneira rígida e algorítmica a prática científica. Há uma grande variedade de métodos e os cientistas são criativos.

8. Existem critérios de demarcação, que definem o que é ciência. Porém, esses critérios são flexíveis, não há critérios rígidos e atemporais. - Evita-se também a ideia de que ciência, religião, metafísica, artes, vodu e astrologia são todas formas equivalentes de se ver o mundo. Os critérios de demarcação são definidos pela comunidade científica e mudam ao longo da história.

9. A ciência e a tecnologia impactam uma à outra.- Evita-se a noção de que a ciência seja neutra e descontextualizada, independente de influências da sociedade e da produção, ou que as teorias científicas sejam pré-requisito para a criação de tecnologias (Vannucchi 1996), assim como a imposição de que todo conhecimento científico deva ter utilidade prática. Existe influência das agências de fomento sobre os objetivos da pesquisa, o que pode levar ao favorecimento de pesquisas com maior chance de possibilitar produtos rentáveis. Porém esta influência não precisa ser vista como necessariamente negativa, já que a pesquisa científica costuma ser financiada com dinheiro público. Por isso, é razoável que a população como um todo participe da decisão sobre quais tipos de investigação científica merecem receber maior financiamento.

10. A ciência busca ser objetiva, mas não é completamente neutra e imparcial. - Trata-se de uma atividade humana, logo, as características dos cientistas (tais como sexo, idade, personalidade, ideais políticos, etnia, entre outras) podem influenciar o modo como eles enfatizam certas evidências ou interpretam os dados experimentais. Ou seja, características subjetivas têm influência sobre a prática científica, mas a ética científica dominante propõe que se busque minimizar essa influência.

11. Externalismo moderado, evitando tanto o externalismo quanto o internalismo radicais.- Evita-se o determinismo social, em particular a noção de que ciência seja totalmente determinada pela vontade das classes dominantes, assim como o mito da neutralidade e universalidade completas da atividade científica. Há influência político-econômica sobre as ciências através das agências de fomento e dos interesses, tanto públicos quanto particulares, sobre o que deve ser pesquisado. Busca-se minimizar os fatores subjetivos particulares no processo de verificação das teorias, mas não no direcionamento da investigação científica.

12. A ciência é uma construção coletiva. - Evita-se a noção de que as teorias sejam realizadas apenas por gênios isolados, que nunca cometeriam erros (Martins R. 2006, p. xviii). Por outro lado, é importante reconhecer o valor dos trabalhos dos grandes cientistas, evitando a ideia de que todas as contribuições sejam equivalentes.

13. A ciência tem valor, mas não responde a todas as perguntas. - Evita-se tanto o cientificismo como a total desvalorização da ciência. Existem questões que estão fora do campo de investigação científica. A ciência não é a única forma válida de se obter conhecimento a respeito do mundo.

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