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sábado, 10 de janeiro de 2015

"Não é todo mundo que percebe, mas as árvores dançam. Para notar é necessário estar em outra dimensão temporal. Elas dançam o tempo. Sutis, movem-se enquanto crescem, espiralando-se em direção às suas extremidades, deixando-se levar pelas lufadas incessantes de ar. Adentrando a terra, as raízes aprofundam-se em simetria aos galhos irrompendo a atmosfera. É na escuridão invisível que o movimento se adensa, testa firme os diferentes pontos de resistência da solidez mineral, conduzindo suas curvas subterrâneas. Não há instinto de performance ali. Há o puro prazer de existir. Menos em dias de tempestade, quando elas se deixam possuir pelo furor do vento e exultam freneticamente, farfalhando sua folhas, gemendo seus galhos. Na calmaria que se segue, a quietude permite entrever o êxtase doce com que elas se entregam ao derramar lento do tempo. Talvez ali, observando os vestígios solidificados em casca, seja possível permitir-se também esse dançar (quase) imóvel." (Laura Backes)


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