Pondé e o método d
a raposa:
Isaiah Berlin (nascido na Letônia e radicado na Inglaterra) escreveu, em seu ensaio "O Porco-Espinho e a Raposa", sobre os diferentes modos como se constituem o pensamento e a vida de um grande autor. Ele mesmo, Berlin, podendo ser elencado entre as raposas. Shakespeare, Montaigne e Aristóteles seriam raposas (eu acrescentaria o grande crítico Carpeaux a este grupo) [e eu o Edgar Morin, com sua Teoria da Complexidade]; Freud, Hegel e Marx, porcos-espinhos. Para Berlin, raposas são flexíveis, não precisam de coerência ou unidade interna entre os elementos e teorias manipuladas pelo pensamento (ou vividas no dia a dia) porque não operam a partir de uma visão de mundo que supõe "um centro de sentido" do mundo. O "sentido da realidade", título de um dos seus maiores ensaios, é a pluralidade desta, sem nenhuma unidade última descritível por uma teoria da realidade ou da história. Eu posso, por exemplo, concordar com a teoria da mercadoria de Adorno e ao mesmo tempo achar que ela não esgota o entendimento do mundo. O "método" da raposa é não ter método. O porco-espinho trabalha com a ideia de que ele descobriu o conjunto de teorias que explica o mundo (a "unidade do mundo" foi descoberta por ele), como o inconsciente de Freud, a dialética de Hegel ou o capital de Marx.
Existe também a fábula de Esopo sobre os mesmos animais, e sua moral é que, algumas vezes, o remédio para a cura de um mal é pior que o mal em si mesmo.
Por fim, Berlin mencionou a seguinte frase do poeta grego Arquiloco: "A raposa sabe muitas coisas, mas o porco-espinho sabe uma grande coisa."


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