Follow douglasdickel on Twitter
www.flickr.com
[douglasdickel]'s items Go to [douglasdickel]'s photostream


Instagram
http://soundcloud.com/input_output
:: douglasdickel 18 anos de blog :: página inicial | leituras | jormalismo ::
:: trabalho artístico :: projeto musical input_output | desenhos | fotografia instagram | fotografia flickr | pesquisa de discos | pesquisa de filmes | programa podcast musical ::
:: catarses musicais inativas :: hotel | blanched | o restaurante | homem que não vive da glória do passado ::
:: no pé da página :: currículo | discografia ::

domingo, 3 de fevereiro de 2013

"Tome, por exemplo, a história de Tonio, no Tonio Kröger, de Thomas Mann. Opai de Tonio era um sólido homem de negócios, um cidadão de relevo em sua cidade natal. O pequeno Tonio, porém, tinha um temperamento artístico, por isso mudou-se para Munique e reuniu se a um grupo de literatos, que se sentiam superiores aos meros ganhadores de dinheiro e aos homens de família. Assim, eis aí Tonio dividido entre dois polos: seu pai, que era um bom pai, responsável e tudo o mais, mas que nunca tinha feito o que queria, em toda a sua vida; e, por outro lado, aquele que deixa sua cidade natal e assume uma atitude crítica em relação à vida que se levava lá. Mas Tonio descobriu que de fato amava a gente de sua cidadezinha. E, embora se julgasse um pouco superior a eles, em termos intelectuais, e pudesse falar deles com palavras cortantes, seu coração, apesar de tudo, estava com eles. Mas quando partiu, para viver com os boêmios, descobriu que estes tinham tal desdém pela vida que tampouco poderia viver com eles. Por isso deixou os e escreveu uma carta a um do grupo, dizendo: Admiro aqueles seres frios e orgulhosos que se arriscam nos caminhos da beleza elevada e diabólica e menosprezam a ‘humanidade’; mas não os invejo. Pois, se alguma coisa é capaz de fazer de um literato um poeta, essa coisa é o amor de minha cidade natal pelo humano, aquilo que existe e é comum. Todo calor deriva desse amor, toda doçura e todo humor. De fato, quanto a mim, creio mesmo que esse amor deve ser aquele sobre o qual está escrito que se pode ‘falar com a língua dos homens e dos anjos’, que, no entanto, soa, quando o amor falta, ‘como metal ruidoso ou címbalo tilintante’." (Joseph Campbell)



Thomas Mann escreveu Tonio Kröger em 1965. Um exemplo de como sempre houve aquele grupo de pessoas com uniforme de artista, todos se achando bons e se elogiando entre si, sentindo-se especiais e fora da sociedade, mas incapazes de sentir o amor e de captar a real poesia da vida, a começar pela humildade e a compaixão.

Nenhum comentário: