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terça-feira, 7 de julho de 2009

Soltar animais exóticos é um erro grave
Paulo Martinelli


Libertar um animal exótico na natureza é, antes de um ato de amor aos bichos, uma grande burrice. Por animais exóticos, entendam-se as espécies que não são nativas do Brasil, aqueles animais belos ou estranhos que compramos nas chiques pet shops de hoje, como as iguanas. Às vezes, o animal que era gracioso e doce no começo, torna-se incômodo e a solução é dada da forma mais estúpida possível, soltando-o num sítio ou num matagal da área rural. O cientista Jacques Vielliard anuncia três desastres possíveis: ou o animal morre porque não tem e não sabe como sobreviver num ambiente diferente de seu habitat natural, ou irá contaminar outros bichos, porque está doente, ou vai virar uma praga e competir com espécies nativas.

Exemplos clássicos e até tragicômicos vêm da Austrália, que tem uma fauna nativa muito peculiar e exclusiva. Saudosos dos coelhos de sua ilha natal (e bastante interessados em se divertir com a caça), os colonizadores britânicos decidiram levar os roedores para a nova terra. Sem predadores naturais à altura, os prolíficos coelhos viraram praga e passaram a atacar as plantações. A solução, que num momento parecia brilhante, revelou-se uma trapalhada: os colonizadores resolveram importar outro animal, um predador de coelhos, a raposa. Estas proliferaram e, além de comerem os roedores e não conseguirem exterminá-los, passaram a atacar indefesas espécies da fauna australiana nativa.

Os gatos domésticos, por outro lado, ainda dão muita dor de cabeça aos zoólogos e ambientalistas da Austrália. Lá eles praticamente se asselvajaram e tornaram-se uma ameaça à fauna local. Tanto que hoje são caçados impiedosamente. Mas o exemplo mais curioso da Austrália é a importação do brasileiríssimo sapo-cururu, relata Vielliard. Lá, os anfíbios prosperaram e, para não variar, viraram praga. Chegam a impedir o trânsito de veículos em estradas tal a sua quantidade.

No Brasil há os exemplos da introdução de duas espécies selvagens de aves, os pardais europeus e os bicos-de-lacre, oriundos da África. Os primeiros ganharam status de praga urbana e chegaram a ser apontados como responsáveis pelo sumiço dos tico-ticos, com quem competiriam, o que não está confirmado. O tico-tico, na verdade, é parasitado por outra espécie de pássaro, o chopim. Este ataca os ninhos do tico-tico, descartando os ovos e colocando os seus no lugar. Por instinto a mãe tico-tico criará o filhote como se fosse seu.

Os bicos-de-lacre, belos pássaros ornamentais, adaptaram-se bem ao meio rural e urbano e são vistos sobretudo em capinzais com sementes. Mais recentes são os exemplos do caramujo gigante da África e uma espécie de mexilhão asiático. O primeiro, introduzido para fins comerciais, já é uma ameaça ambiental. O segundo, vindo para o continente no lastro de navios, está proliferando em águas da Bacia do Prata, podendo chegar ao Pantanal. Esse mexilhão é, além de problema ambiental, uma dor de cabeça mais aguda com conseqüências até para a economia do Pais, pois a espécie tem o hábito de se instalar e se reproduzir em turbinas de hidrelétricas, chegando a travar os mecanismos. Dá para imaginar Itaipu travando as turbinas e pondo boa parte do Brasil às escuras.

Há outros invasores, ainda. No Rio Grande do Sul, há o javali, que vem causando prejuízos ao cultivo de arroz. Alguns peixes exóticos como a carpa, a tilápia e o bagre africano fogem de locais onde são criados e atacam as populações de peixes nativos.

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