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terça-feira, 7 de julho de 2009

A longa e (incompleta) domesticação do gato
por Carlos A. Driscoll, Juliet Clutton-Brock, Andrew C. Kitchener e Stephen J. O'Brien


(...) No quesito utilidade para o homem, vamos apenas dizer que não são nada propensos a seguir ordens. Esses atributos sugerem que enquanto os outros domesticados foram resgatados da vida selvagem pelos homens, que os criaram para tarefas específicas, os gatos mais provavelmente optaram por viver entre os homens, devido às oportunidades que eles próprios encontraram.

Os povoamentos iniciais do Crescente Fértil entre nove e dez mil anos atrás, durante o período neolítico, criaram um ambiente totalmente novo para quaisquer animais selvagens que fossem suficientemente flexíveis e curiosos (ou apavorados e famintos) para explorá-lo. O camundongo doméstico, o Mus musculus domesticus, foi um desses animais. Os arqueólogos descobriram restos desse roedor, originário do subcontinente da Índia, no meio dos primeiros depósitos de grão selvagem dos homens, em Israel, datando de cerca de dez mil anos atrás. O camundongo provavelmente não conseguia competir bem com os camundongos selvagens locais que viviam ao ar livre, mas mudando-se para as casas e armazéns das pessoas, proliferou.

É quase certo que, no caso, esses camundongos atraíram os gatos. Mas as montanhas de lixo nos arredores das cidades provavelmente também foram um grande atrativo, fornecendo recursos o ano inteiro para os felinos que tivessem a esperteza de explorá-los. Essas duas fontes de alimento teriam incentivado os gatos a se adaptarem à vida junto aos homens; usando o jargão da biologia evolucionária, a seleção natural favoreceu os gatos que foram capazes de coabitar com os homens e assim ganharem acesso ao lixo e aos camundongos. (...)

A ampla gama de tamanhos, formas e temperamentos, encontrada em cães (comparem um chihuahua com o enorme dinamarquês), é inexistente entre os gatos. Os felinos mostram muito menos variedade, pois, diferentemente dos cães que, desde os tempos pré-históricos, eram criados visando certas tarefas, como a guarda, a caça e o pastoreio, os gatos selvagens não foram submetidos a essas pressões de criação seletiva. Para entrar em nossos lares, tiveram apenas de desenvolver certa disposição amigável em relação aos homens.



E será que os gatos atuais estão realmente domesticados? Bem, sim, mas apenas o suficiente, pois embora satisfaçam o critério de tolerar os seres humanos, a maioria dos gatos domésticos ainda é livre e não conta com os homens para alimentá-lo ou para se acasalar. E, se por um lado, outros animais domesticados, como os cães, pareçam bastante diferentes dos seus ancestrais, o gato comum doméstico mantém muito da sua aparência original. Existem algumas diferenças morfológicas: as pernas mais curtas, um cérebro menor e, como bem notou Charles Darwin, um intestino mais comprido, que pode ser uma adaptação advinda do ato de remexer sobras de cozinha.

Mesmo assim, o gato doméstico está longe de parar de evoluir. De posse da tecnologia de inseminação artificial e da inseminação in vitro, hoje os criadores de gatos impulsionam a genética dos felinos domésticos em direção a um terreno inexplorado: estão criando gatos domésticos híbridos com outras espécies de felinos, produzindo novas espécies exóticas. O gato bengal e o caracata, por exemplo, resultaram do cruzamento do leopardo asiático com o caracal, respectivamente. O gato doméstico pode, por isso mesmo, estar às portas de uma evolução radical e sem precedentes, em um animal composto de multiespécies, cujo futuro só pode ser imaginado.

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