"O indie é o novo mainstream." (Lucio Ribeiro) O que ele não vê - e os adolescentes do mundo todo também não vêem - é que isso não é positivo. "Em idéias, a maioria sempre está errada." (Joseph Campbell) Se é o novo mainstream, é porque adotou fórmulas musicais e se inseriu no pacote do modismo adolescente. Os tops desse mainstream na atualidade são o Coldplay e o Franz Ferdinand. E os meus pais não entendem que o meu sonho não é chegar até aí, que a verdadeiro significado de sucesso é outro.
Relembrando:
"A arte, por outro lado, é sempre perturbadora, permanentemente revolucionária. E isso porque o artista, na proporção de sua grandeza, enfrenta sempre o desconhecido, e aquilo que ele traz de volta dessa confrontação é uma novidade, um símbolo novo, uma nova visão da vida, a imagem externa de coisas interiores. Sua importância para a sociedade não é a de expressar opiniões recebidas ou dar expressão clara aos sentimentos confusos das massas: essa função cabe ao político, ao jornalista, ao demagogo. O artista é aquilo que os alemães chamam de ein Rüttler, um perturbador da ordem estabelecida. O maior inimigo da arte é a mente coletiva, em qualquer de suas manifestações. A mente coletiva é como a água, que busca sempre o nível de gravidade mais baixo: o artista luta para sair desse pantanal, para buscar um nível superior de sensibilidade e percepção individual. Os sinais que manda de volta são, com freqüência, ininteligíveis para a multidão, mas vêm então os filósofos e os críticos para interpretar a sua mensagem. (...) Qualquer que seja o ângulo pelo qual abordemos esse problema da função das artes na sociedade contemporânea, é evidente que sua função adequada é inibida pela natureza de tal sociedade." (REED, Herbert. Arte e alienação: o papel do artista na sociedade. Rio de Janeiro: Zahar, 1983.)
"(...) Se tomarmos esse tipo de resposta como significando que o grande público está definitivamente em oposição a um tipo melhor de arte e prefere o pior, podíamos, de qualquer modo, formular uma lei sociológica, estabelecendo uma relação - embora uma relação de ordem inversa - entre qualidade estética e popularidade; mas, neste caso, não há indícios de qualquer atitude consistente em relação à qualidade estética. Sem dúvida, há sempre uma certa tensão entre qualidade e popularidade, por vezes . . . um conflito declarado. A arte com algum valor é dirigida àqueles que atingiram um certo nível cultural, não ao 'homem natural' de Rousseau; a sua compreensão depende de certas pré-condições de tipo educacional e a sua popularidade é, inevitavelmente, limitada. (...) Não se deve . . . esquecer que o estranho, o invulgar, o difícil tem, simplesmente em si, um efeito perturbador sobre o público não educado." (HAUSER, Arnold.)
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