"Não há um chamado dos céus. Não há trombetas. Nem sombra de um anjo anunciador aparecendo diante de um cenário azul-turquesa. É bem mais simples do que parece: quando nascemos, temos um potencial quase ilimitado de talentos. Crianças, podemos experimentar de tudo, da música à matemática, da invenção de objetos às histórias fantásticas. Tudo parece original, novinho em folha. Até os 5 anos, a criança não foi devidamente formada pela cultura, pela visão de mundo de seus pais, dos amiguinhos, da escola etc. 'Os produtos criados pelas crianças pequenas são mais graciosos, sugestivos e originais do que os moldados pelas outras um pouco mais velhas', afirma o psicólogo americano Howard Gardner no livro 'Mentes extraordinárias'.
"Mas a porca torce o rabo a partir dos 7 anos (não por acaso a idade em que grande parte das crianças ingressa na escola). A partir desse momento os destinos dos pequenos ficam cada vez mais ligados às realidades e opções disponíveis em sua sociedade. Cabe, portanto, aos pais o papel de não deixar esse fogo ser apagado lentamente. A regra de ouro é nunca perturbar o mundo em miniatura criado pelos filhos. Dizer 'não' o tempo inteiro é uma ótima forma de gestar um adulto sem viço e imaginação. O 'sim' (com responsabilidade e cuidados, claro) é essencial para o florescimento da imaginação desde os primeiros anos de vida. (...)
"E por que as crianças são um exemplo para quem deseja redespertar para o mundo da criatividade? Porque se, para elas, falta repertório (cultura e conhecimento dos meios formais de produção), sobra intuição. 'A base da criatividade é a intuição', afirma o arquiteto e ex-monge budista Márcio Lupion. Aprender a usar a imaginação, portanto, é reeducar-se para a intuição. Mas mesclando-a com todas as vivências e culturas que fazem parte da história de cada um. (...)
"Saia da casinha.
"Quando ficamos adultos, tudo parece ter sido feito para obedecer a um padrão. Se você é mais jovem, deve incorporar o papel de filho, de aluno, de novato. Mais velho, quase sempre terá que desempenhar o papel de pai. E o de funcionário, de vizinho e assim por diante. Isso é natural. É da vida. Mas há um grande perigo a rondar tudo isso: o risco do clichê. Conformar-se aos padrões pré-estabelecidos é uma forma de podar a criatividade. Se você estiver fazendo ou percebendo algo muito familiar ou mesmo batido, repense sua situação. O feijão-com-arroz é uma delícia, mas é importante variar a dieta. (...)
"Muita gente tem o pânico da página em branco (ou da tela em branco, ou da agenda em branco) porque justamente é a hora do vamos ver, o momento em que os sonhos, as ilusões, os palpites têm que ser desenvolvidos. Isso exige certa disciplina. Quanta gente tem o romance de sua geração todinho na cabeça, mas não move uma palha para começar a escrevê-lo. Assim não vale. O melhor é começar, sem pensar se o romance será vendido para o cinema ou arrancará elogios do crítico mais carrancudo do pedaço. Apenas escreva. Tente. Um dia sai." (Leandro Sarmatz/Vida Simples)
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