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sexta-feira, 23 de maio de 2003

Quando abriu a porta do elevador eu já senti a ventania lá fora. Saí, e já começou a chover, e a ventania virou a minha sombrinha do avesso. Tive que segurá-la como se eu fosse um windsurfer. Logo eu estava tomando um banho gelado: sentia a água gelada escorrendo por todo o corpo, entre ele e os tecidos das roupas. A melhor saída é conformar-se. Não há nada a fazer. Não demorou para a sombrinha quebrar. Larguei-a no primeiro lixo que encontrei. Fui caminhando impávido, caminhando dentro de poças, tendo o cabelo lambido pela água e o rosto como calha. Sentia que o movimento contínuo mantinha meu corpo aquecido. Minha alma já estava. Impermeável. Quando eu tinha que parar por causa das pessoas mais lentas na minha frente, eu sentia a roupa encostando na pele e esfriando-a um pouco. No túnel do metrô, como se eu tivesse saído de uma piscina, torci minha camiseta e molhei o chão perto da escada rolante. Dentro do trem, sentei no chão, encostado na porta, e dormi ouvindo Spiritualized no walkman. All I want in life is a little bit of love to take the pain away, getting strong today, giant step each da-a-ay. Da Estação São Leopoldo até em casa, novo banho gelado, desta vez com a proteção extra do casaco-do-vô que até então estava seco e me esquentando.

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