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terça-feira, 6 de maio de 2003

"a indiferença carcome a minha alma. não existe esperança. não existe luz. já não quero mais abrir a boca. ela me trai. ela me machuca. ela me devora de fora pra dentro. e por ela só entram ratazanas. e sombras. não quero mais sair de casa. nem do meu quarto. nem de dentro de mim mesmo. nem da morte de minha alma. o corpo é decrépito. tem ação própria. perambula sozinho pelo patético mundo dos mortos. dos mediados. dos nada. o corpo podre se socializa. o corpo podre é aceito. o corpo podre é celebrado. é amado. a alma brilhante se esconde por entre as farpas pedidas e úmidas desta carcaça imberbe que é apenas corpo e mais nada. não quer ser rejeitada. não quer ser vista nem lembrada. nunca mais. aqui não há credo. não há esperança. e não quero que ela exista. que surja. que perdure. desejo secar. desejo espremer as últimas gotas azedas da alma. e secar. despir-me do sentimento que sempre ofereço de graça ao mundo que é miséria e que é nada. guardar. catalisar. reservar. acumular dentro de mim todo esse sentimento. toda essa emoção. em silêncio. sem abrir mais a boca. e sem esboçar mais sorrisos. nem qualquer emoção. guardar tudo em mim. tornar-me selibatário de mim mesmo. isolar minha alma dos entes mundados. são eles que nos fazem sofrer. deixar que o corpo assim decrépito caminhe por entre a massa e faça as suas vezes sociais. que é o que eles querem. é o que eles gostam. e então usar todo o sentimento para o nada. que é a arte. que sou eu. e que e é e sempre será a única coisa que realmente importa nesta vida. só não sei pra que." (muriel)

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