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terça-feira, 1 de novembro de 2011


Sobre um sentido (dos últimos dias e) do dia 11/11/2011





by Douglas Dickel on Tuesday, November 1, 2011 at 5:13pm
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(Sequência natural da metáfora "Convidar o Freddy Krueger para um piquenique no Jardim Botânico".)


O onze vem depois do dez. O arcano X, do tarô, é a Roda da Fortuna. Então, temos que saber o que é o nosso 10 atual pra saber o que muda quando chegarmos daqui a dez dias no nosso 11. Sallie Nichols:


X - Roda da Fortuna

"Visto que a natureza de toda roda é o movimento, não podemos prender o significado desta carta a um momento fixo do tempo cronológico. A Roda do Tarô representa um ponto decisivo que pode ocorrer em qualquer idade — e girará para todos nós muitas vezes.

"Às vezes, temos a impressão de que a nossa roda pessoal está presa num sulco - que as 'mesmas' experiências nos acontecem reiteradamente; ou, às vezes, podemos ver-nos aparentemente encalhados num sonho ou pesadelo recorrente. Toda a vez que ocorrem essas coisas, podemos estar seguros de que não foi a Roda da Fortuna que encalhou, mas nós mesmos. Como reza o adágio: 'Quem se esquece da história está condenado a repeti-la.' Toda a vez que tivermos a impressão de que a história se repete, podemos perguntar a nós mesmos: O que foi que esquecemos? Que qualidades específicas de nossa vida podemos enxergar num contexto histórico mais amplo? Em seguida, penetrando o sentido simbólico do sonho ou acontecimento recorrente, podemos destravar-lhe o significado mais dilatado, de modo que nossas vidas se soltem e nossas energias voltem a caminhar para a frente.

"Para usar outra metáfora, um sonho ou acontecimento recorrente é como o tilintar incessante do telefone. Quando, finalmente, apanhamos o fone, o soar da campainha cessa e podemos ouvir a mensagem. Toda a vez que formos capazes de voltar-nos para o inconsciente e ouvir-lhe a mensagem, o movimento repetitivo da roda da vida parecerá abrir-se numa espiral cada vez mais ampla. Todos nós, provavelmente, experimentamos os vários estágios pelos quais chegamos a apreender-lhe o movimento espiral. Eis aqui o modo com que Jung os descreve: 'O caminho para a meta parece caótico e interminável a princípio, e só gradativamente aumentam os sinais de que ele está levando a algum lugar.' (...)

"Um dos primeiros baralhos de Tarô que se conhecem apresenta a Roda da Fortuna em sua forma medieval mais comum. Quatro figuras humanas aparecem fixadas na roda. A que se acha a caminho do topo está dizendo Regnabo (reinarei), e está deixando crescer um par de orelhas de burro. A que se encontra em cima da roda ostenta orelhas de burro plenamente desenvolvidas. Empunha o cetro de soberano e diz Regno (reino). A que está descendo perdeu as orelhas de burro e deixou crescer o rabo. Diz Regnavi (reinei). O velho barbudo no fundo, a única figura totalmente humana, pintado de quatro, diz Sum sine regno (estou sem reino). 


XI - A Força

Do comedor saiu comida,
e do forte saiu doçura.
- Juízes 14:14


"Com a ajuda dela, o herói também explorará as forças instintivas dentro de si. Aprenderá a sacrificar o poder do ego em prol de outra espécie de força. (...) A figura impávida da animaexiste num setor profundo da psique do moço, relativamente desconhecido para ele. Ela não está sob o controle consciente do ego, de modo que vagueia, livre, nos sonhos e visões dele. Ela o colocará em contato com as escuras florestas do seu ser e com as criaturas selvagens que ali encontrará. Ela o ajudará a domar a sua natureza animal de modo que ele não mais fique inteiramente debaixo do seu poder.

"No Louco vimos um feliz viandante saracoteando com o seu cãozinho pelas estradas da vida. O animal mordia os calcanhares do dono, como se estivesse querendo dizer-lhe alguma coisa. Talvez o herói do Tarô não tivesse dado atenção suficiente ao seu amistoso lado instintivo, pois, na Força, a natureza animal é agora pintada como enorme leão - um animal selvagem tão ameaçador que o herói não consegue enfrentá-lo diretamente, e tão perigoso que não pode ignorá-lo.

"Felizmente, a dama mágica é capaz de enfrentar o leão e dar-lhe a atenção que merece. Simbolicamente falando, isso poderia significar que a natureza humana do herói é agora capaz de fazer frente à sua natureza animal. Mas a consciência do ego não pode haver-se diretamente com as forças indomadas do inconsciente. Uma relação entre esses dois aspectos da psique só pode ser levada a cabo através da mediação da anima. (...)

"Todos, sem dúvida alguma, já passaram pela experiência de ser 'engolidos' por um afeto. Sabemos que emoções súbitas podem literalmente agarrar-nos — como o lado animal da nossa natureza pode saltar sobre nós, vindo de trás, para reclamar o que lhe é devido. Nessas ocasiões, a consciência do ego é posta de lado e os nossos corpos são presa de uma força incontrolável. Tintamos de medo, trememos de raiva, coramos de vergonha ou rimo-nos histericamente, sentindo, ao mesmo tempo, que lágrimas repentinas nos molham o rosto. Quando essas coisas acontecem, o eu do nosso ego, inerme e humilhado, tenta fugir simbólica, se não literalmente. Desejamos deixar o incidente para trás.

"Toda vez que tentamos voltar as costas para essa parte 'animal' de nós mesmos, ela se torna ainda mais voraz e exigente. Se lhe ignorarmos as exigências, poderemos ser visitados por uma doença psicossomática. As energias instituais, persistentemente ignoradas, podem rebentar seus laços de forma destrutiva, resultando disso crimes passionais. Em outros casos extremos, a dissociação do lado animal produz episódios esquizofrênicos, em que a conexão do ego com o corpo se torna tão fragmentada que várias partes do corpo são personificadas, e cada qual parece falar e agir independentemente. Sermos empolgados, por mais brevemente que seja, pelo nosso lado instintivo pode revelar-se uma experiência destrutiva. Quem quer que tenha ficado "fora de si" de raiva, "ralado" de inveja ou "possuído" pela luxúria, nunca mais poderá imaginar-se totalmente acima dos animais. Tais confrontações nos recordam rudemente que nós, humanos, somos, na melhor das hipóteses, animais que se desenvolveram de um modo especial.

"Se não quisermos ser sacudidos pelo animal interior contra a nossa vontade, não podemos pô-lo atrás de nós. Mais cedo ou mais tarde teremos de prestar-lhe atenção, como a Dama Força está fazendo. Precisamos pôr as mãos no seu focinho escancarado e tornar-nos conhecidos íntimos dessa criatura. (...) Mas o fato de experimentar o poder do animal não significa que temos de gritar nossas raivas e agressões, a plenos pulmões, tolerando nossa própria histeria em nome da terapêutica. Ao contrário, toda a vez que jogamos em outros os nossos afetos, jogamos fora alguma coisa que nos pertence: a experiência do animal como nosso animal — e perdemos contato com a sua força. (...)

"A Força do Tarô não tem medo. Observando-a, talvez possamos ter alguma ideia da melhor maneira de abordar e domar o nosso leão interior. Que é exatamente o que a dama está fazendo com as mãos? Essa pergunta deixou perplexas gerações de comentadores do Tarô. Dizem alguns que ela está fechando a boca do leão. Dizem outros que ela a está abrindo. Talvez se tenha deixado a pintura propositadamente ambígua, pois é evidente que a dama deve executar cada ação em vários momentos, conforme as ocasiões. Há momentos em que o leão instintivo precisa bocejar e esticar-se, ou emitir um alegre rugido; e outros há em que até os reis - especialmente os reis - precisam aprender a pacientar e a dominar-se.

"Alguns dizem que quando as mãos da dama estão abrindo a boca do leão fazem-no a fim de ensinar-lhe a magia da fala humana. A ser assim, a fera também partilha com ela dos segredos sem palavras da natureza, visto que as duas figuras parecem envolvidas num diálogo harmonioso. Dir-se-iam unidas num estado de perfeita harmonia, pois o desenho e o colorido dessa velha carta põem em destaque o equilíbrio entre as duas figuras.

"O título da carta, A Força, refere-se à dama ou ao leão? Quiçá a ambos, pois ambos são figuras poderosas. Na realidade, a sua força parece vir do mútuo envolvimento. Ainda que dê a impressão de dominar o leão, a dama também participa da sua essência."

Os instintos suprimidos e feridos são os perigos que ameaçam o homem civilizado: os impulsos não reprimidos são os perigos que ameaçam o homem primitivo. Em ambos os casos o "animal" é alienado de sua verdadeira natureza; e para ambos, a aceitação da alma animal é a condição da totalidade e de uma vida plenamente vivida. O homem primitivo precisa domesticar o animal em si mesmo e fazer dele o seu companheiro útil; o homem civilizado precisa curar o animal em si mesmo e torná-lo seu amigo. [Aniela Jaffé, "Symbolism in the Visual Ans", Manand Symbols, C. G. Jung, org., Garden 1964].

Por fim, não vou deixar de fora uma pequena análise do 20 que vem junto com o 11 em nosso ano:


XX - O Julgamento

Eis que vos digo um mistério: Nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade.
- I Coríntios


Nos comentários da minha postagem, Julio Luz escreveu que Todos Somos Um. Todos somos UM no sentido de que nós humanos juntos formamos a sociedade da espécie; e que nós vivos juntos formamos o Ecossistema, a Natureza, a Terra; que nós planetas juntos... etc. Ao mesmo tempo em que cada célula nossa forma o nosso UM; cada átomo e cáda átimo etc. 

Ao mesmo tempo em que cada um de nós é UM, e não DOIS. Não é racional puxando de um lado e animal puxando de outro. Não é uma luta confusa entre os dois. Cada um de nós é UM centro mediando todas as facetas, todas elas amigas entre si, mesmo que tentem brigar, muitas vezes. Sallie Nichols:


"Em todo o transcorrer da história humana, o homem tem feito a heroica tentativa de libertar-se do controle automático da natureza animal, a fim de descobrir um padrão por trás da charada sem sentido de nascimento e decadência intermináveis, e uma significação transcendental nos altos e baixos aparentemente quixotescos da Roda da Fortuna."


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