SCHOPENHAUER, Arthur. A arte de ter razão - em 38 estratagemas.
Consegui oito na internet.
1. A extensão: "projetar" a afirmação do oponente para além dos seus limites naturais, interpretando-a da forma mais genérica possível, tomando-a no sentido mais lato possível ou exagerando-a; inversamente, reduzir a sua própria afirmação, da forma mais restrita possível (quanto mais uma afirmação se torna "geral", mais ficará desprotegida face a ataques). Exemplo: "A Inglaterra é a primeira nação em arte dramática." Réplica: "É sabido que têm pouco valor em música e, portanto, também na ópera." E a contra-réplica: "A música não integra a arte dramática, dado que esta respeita exclusivamente à tragédia e à comédia."
2. Recorrer à homonímia para alargar o âmbito da afirmação a algo que, para além de uma palavra em comum, não tenha efetivamente nada a ver com o tema em debate. De seguida, refutar de forma luminosa, dando assim o ar de ter conseguido refutar por completo a afirmação do adversário. Exemplo: "Você não se iniciou ainda nos mistérios da filosofia Kantiana." Réplica: "Esse assunto dos mistérios não me interessa nada."
3. Tomar a afirmação que fora colocada de uma forma relativa como se o tivesse sido de forma genérica, ou, pelo menos, concebê-la num contexto completamente diferente e refutá-la então nesse âmbito. Exemplo: Num debate sobre filosofia, defendo a posição de uma dada corrente filósofa, ao mesmo tempo que, falando de Hegel, afirmo que o que ele escreveu não tem valor. O meu oponente não procura refutar a minha tese, limitando-se a dizer que também os filósofos que eu defendi escreveram muitas coisas sem valor. Embora reconhecendo tal, defenderia que a minha afirmação não tinha implícito um elogio às suas qualidades de escritores, mas enquanto homens, pelos seus atos, de um ponto de vista prático (enquanto que de Hegel apenas se podia falar de "qualidades" teóricas!).
4. Quando pretendemos alcançar uma determinada conclusão, não devemos deixá-la prever pelo adversário, mas ir conseguindo, gradualmente, de forma "discreta", que o oponente vá admitindo as suas premissas ao longo do debate... até ao seu "convencimento total".
5. Para demonstrar a nossa tese, podemos igualmente ter de utilizar falsas premissas (considerando que, no final, "a verdade" pode acabar por delas decorrer).
6. "Camuflar" o postulado que queremos provar sob a forma de outro nome (por exemplo, "boa reputação", em vez de "honra"; "virtude", em lugar de "virgindade") ; ou alterando o conceito ("animais de sangue quente", em vez de "vertebrados"); ou admitindo como verdade geral o que é contestado a nível individual ou particular (por exemplo, da contestação da "certeza da medicina" por via da incerteza inerente a todo e qualquer ser humano).
8. Chega-se ao ponto de provocar a fúria do adversário (dizendo dele uma clara e óbvia injustiça ou provocando-o), dado que, em tal estado psicológico, dificilmente terá o discernimento e a capacidade de desenvolver julgamentos corretos.
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