Como de costume esporádico, Felipe Dreher:
::: u m a j a n e l a a r r o m b a d a n o p a r a í s o
((((((((((( ou esquecendo o ex-traguismo ))))))))))
ganhei uma cadeira de rodas. agora posso ficar ao sol no jardim com os outros pacientes da clínica. mas não gosto de sol. então, não vou. posso muito. dançar sobre seringas no refeitório. rolar sobre as máquinas de eletrochóque no porão / escuro até a máquina ser ligada, aí uma luz vermelha percorre o corpo dos que viajam nela, uma luz verde nas suas cabeças. posso beber o soro dos que vegetam (super-vegetais). roubar o veneno para rato na dispensa.
ganhei uma cadeira de rodas. agora posso ser poeta, lamber musgo das paredes, desenhar obcenidades no mofo, descascar a tinta plástica branca que deseja, assim como eu, fugir desse hospital acéptico.
ganhei, sim, uma cadeira de rodas. posso enrolar meu corpo com gaze ou esparadrapo e brincar de múmia. posso eu mesmo dar eletrochóques na minha cabeça e ir prájá falar com artaud sobre o teatro de artaud. agora posso ser mecânico, piloto. agora posso ser veloz. brincar com as serras, os tornos, os martelos, as máquinas da oficina.
ganhei uma cadeira de rodas. agora posso viajar no tempo. agora posso morrer mais rápido. ah. como estou feliz com meu novo brinquedo.
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