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quinta-feira, 5 de agosto de 2004

[...]

a minha alma respira com dificuldade porque o asfalto lhe cobre quase que totalmente a pele. sobre ele andam tantas máquinas de aço quantos são os seres da espécie humana que recebem bastantes folhas na troca por uma escravidão disfarçada durante dez horas e meia de um dia de vida. minha respiração é defeituosa devido à combustão de líquidos que essas máquinas precisam para se locomover mais rápido. há pressa. e elas são muito muito pesadas e rápidas. e matam. meus olhos enxergam embaçado por causa das cores e letras em toda parte. cores e letras cores e letras cores e letras. meu ouvido não presta mais, porque não param de invandi-lo os zumbidos dos motores de máquinas climáticas, máquinas de dados, máquinas de luz, máquinas de onde saem diálogos de novelas e notícias sérias & máquinas de onde saem coisas similares a músicas, produzidas por seres humanos para trocar por bastantes folhas daquelas. são máquinas dentro de máquinas, e nem se eu começasse a escavar agora, nos meus vinte e seis anos, eu conseguiria romper todo o aço e todo o plástico até a hora do meu fim para poder encostar no planeta. isso se o meu fim existir. se os fins tiverem permissão para existir.

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