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quarta-feira, 11 de agosto de 2004



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Quarta, 11 de agosto de 2004, 16h43
Blanched toca paisagens sonoras
Danilo Fantinel

Diluição, densidade, calmaria, turbulência, espasmos,
espaços, silêncios e murmúrios. O branco, o cinza, o preto e
o ralo abaixo, onde tudo se mistura. Assim como na capa do
álbum da Blanched, onde as cores simplesmente cedem espaço
umas às outras até o ponto onde não há mais luz, o som da
banda se contrai e se expande, criando buracos negros e
massas críticas ao bel prazer dos músicos.

Difícil entender? Talvez. Porém, com certeza mais fácil do
que explicar é ouvir e sentir o pós-rock essencial da banda
de Novo Hamburgo. Formada em 2000, agora o grupo lança seu
segundo EP, Blanched toca Angelopoulos.

Com 5 faixas e 38 minutos, muitos deles instrumentais, o
quinteto é perito em explosões de guitarras, viradas de
bateria, sopros atmosféricos e ambientes densos, tudo regido
pela emoção. O pós-rock desses gaúchos é como o post-rock
dos gringos: desprende-se das regras do pop rock e abre
espaço para a música livre, absoluta.

Assim, a banda caminha ao lado de grupos ícones do gênero,
como Mogwai, Explosions in the Sky e Slint. Mas não só eles
servem de inspiração. Pode-se ouvir ecos de Muse, Grandaddy
e dos brasileiros Fellini e The Gilbertos, especialmente em
alguns vocais murmurados.

"Tentamos fazer um som bem particular, de acordo com nosso
jeito de tocar e gosto pessoal, mas as influências sempre
têm papel decisivo e não hesitamos em explorá-las. Outras
bandas que gostamos são Sonic Youth e Low. Mas há
influências bem heterogêneas também. Nosso baterista, por
exemplo, toca em uma banda de hip-hop e é fã do gênero. E
por aí vai", explicou o baixista, guitarrista e escritor
Daniel Galera.

Blanched toca Angelopoulos foi gravado entre fevereiro e
abril de 2004 no Estúdio 12, de Marcelo Fruet, em Porto
Alegre. O novo EP ainda não teve lançamento oficial, mas já
está sendo vendido pela Peligro Discos e no site da banda.
Chora um pouco e pede também o primeiro EP Ter estado aqui,
que você pode ouvir no
http://www.tramavirtual.com.br/blanched

No dia 31 de julho, Priscila Wachs (flauta
transversa/voz/samples), Marcelo Koch (bateria), Daniel
Galera (baixo/guitarra), Leonardo Fleck (voz/guitarra/baixo)
e Douglas Dickel (guitarra/vocal/gaita/baixo) fizeram show
no Festerio Gordurama, em São Leopoldo, quando tocaram
músicas do último EP e novas composições. Em setembro, a
banda deve tocar em Curitiba, no festival de música e
literatura Perhapiness.

Mas afinal, quem é Angelopoulos???

O nome do álbum saiu de um show que nunca rolou. Convidaram
a banda para tocar no projeto Rock no Cinema, no qual bandas
tocam na Sala P.F. Gastal, na Usina do Gasômetro, em Porto
Alegre, enquanto imagens são projetadas na tela. Os músicos
queriam tocar com cenas dos filmes do cineasta grego Theo
Angelopoulos, especialmente o filme Paisagem na Neblina.

"Pensamos ter a ver com o clima da banda e a idéia de imagem
desbotada, neblina, etc. Mas nossa participação no projeto
nunca vingou. Mesmo assim, a idéia do Blanched toca
Angelopoulos ficou na nossa cabeça, e quando gravamos o EP
decidimos usar como título", disse Galera.

O disco saiu. Agora falta o show na capital gaúcha. E o
filme dos irmãos que saem em busca do pai e são "adotados"
por um jovem desconhecido, você já assistiu? Então veja, daí
o pacote ficará completo.

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