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quarta-feira, 16 de julho de 2003

O sol está voltando, e isso me alegra.

Novas reflexões minhas geram hipótese para que os livros do Schopenhauer não sejam jogados no lixo. A minha vida está (muito) boa, faz algum tempo. A felicidade gerada pelo amor, pelo exercício do sentido da vida, permeia todos os segundos dos meus dias. Isso contraria a teoria do Schop, de que não existe felicidade, mas apenas cessações MOMENTÂNEAS da dor. Eis que reflito sobre as recaídas que às vezes vêm a mim, aquelas que atribuo ao inferno pós-revelhão e seu conseqüente trauma. Mas tais recaídas podem vir de mesmo antes, da época do trabalho de conclusão e do desemprego, em que a depressão instalou-se em mim. Mas podem vir de mesmo antes, de toda a forma como eu fui criado, dos traumas que surgiram já na infância. Mas podem vir de mesmo antes, da NATUREZA HUMANA. Tais recaídas podem ser uma reação natural do organismo à felicidade aguda. Porque elas parecem não ter origem. Tentar explicá-las é cometer injustiça com um inocente, é azedar algo que nem tem prazo de validade. Então a esperteza neste caso é ficar calmo, detectar tal peculiaridade do organismo humano e esperar passar - a própria calma e o carinho da namorada ou dos amigos podem catalizar a contra-reação. Quando passa, o salto da alma é tão grande que dá uma alegria e uma indignação quanto à existência do estado anterior. Antes disso, os sintomas são de depressão - desânimo geral e indignação pela falta de motivo direto. Tais recaídas servem para que a felicidade seja, de fato, dividida em momentos. No caso do amor em mim, momentos longos. Mas servem, de fato, para que os livros do Shopenhauer não sejam jogados no lixo.

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