dias de aura cinzenta
claridade constante
que não muda
que não oscila
opacidade plana
que não se exalta
que não se altera
constância concreta
que não tem volume
que não tem paixão
estabilidade
continuidade
perenidade
permanência
estática
inércia
constante
dias de aura avarenta
dias de cara limpa
dias de cara amassada
dias de cara enxugada
dias de cara cinzenta
e alma prateada
resplandescente
e absolutamente
fragilizada
dias de alma latente
dias de alma aviltada
dias de alma acuada
dias de alma tensa
dias de alma enganada
e desenganada
e enganada outra vez
tola
quase sempre equivocada
dias de alma assim
e apenas sutilmente
lacrimejante
e então umidamente
colada
no dorso
dos ossos
da pele úmida
e nervosa
tensa
tensa
tensa
e sempre temerosa
são mesmo dias de alma cinzenta
talvez à espera
de uma alvorada
luz estática
luz que irrita
luz que não muda
que não figura
e que não desfigura
luz de mentira
que esconde as sombras
que esconde a fluidez
da história
do tempo
que esconde a perspectiva
e que faz o instante
parecer estático
há que se acomodar o tenso espírito
nalgum lugar donde exista vista para a alvorada
de onde mesmo o céu chuvoso e cinza
ofereça a vaga idéia de que o tempo corre
de que o tempo muda
de que o tempo transforma
tempo
que não deixa de ser constante
que não deixa de ser estática
que não deixa de ser ausência
ausência que espera estática
esta concretamente abstrata
iluminada palavra esperança
que não deixa de ser tudo o que existe
e que não deixa mesmo de ser apenas vã
luz
tempo
esperança
ausência
acostuma-te com esta vida, alma tensa
[muriel paraboni]
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