Não tem como fazer cocô com os faxineiros, que ficam no banheiro em quase tempo integral, batendo papo sobre se a garota deu bola ou não deu e cantarolando um sambinha batucando nas paredes das patentes. Depois disso, passam de cabine em cabine, que são cinco, e mexem na maçaneta das portas fechadas tentando abri-las. Ora, se estão fechadas, não precisa e não se deve testar se tem alguém. As portas são para fechar quando estamos lá dentro fazendo força. E, se estamos fazendo a tal força, é sagrado que a façamos sem papo, sem samba e sem tentativa de invasão. De vez em quando aparece um rodo quase alcançando os pés. E isso parece que é em todos os andares do prédio, pois o Flávio, do 15.º, falou que só falta eles botarem a cabeça por baixo da porta. Tem mais, eles puxam assunto com quem vai lá mijar. Um burro pensaria que é preconceito, mas imagina que tipo de assunto eu vou ter que esses caras. Nenhum. Um deles me disse que quem arrebentou uma cordinha que é presa atrás da porta e que segura os rolos de papel higiênico merecia ter um carro andando de ré esmagando a sua cabeça.
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quarta-feira, 4 de setembro de 2002
Olhando a vitrine da banca, a capa com uma índia bonita é mais sensual do que as capas eróticas e pornográficas. O clichê da excitação é uma coisa tão forçada e artificial, com aquelas caras e unhas, que passa longe da pretensão, que é de ser "animal". ANIMAL é a atriz principal do filme Hot'N'Frosty, o melhor vídeo pornô que eu já peguei. É de emocionar. Ela é tão boa que fica em posições que só uma fêmea humana fazendo sexo e entregando-se a isso pode ficar - nada de burras com bronzeados, silicones, corpos brilhando de óleo. Quanto mais animal, quanto mais instinto, mais provoca o instinto dos outros, mais demonstra prazer e incentiva prazer. Para o filme ser melhor, só se as mulheres do filme não tivessem raspado os pêlos.
sábado, 31 de agosto de 2002
Pela fila dos quatro elevadores da ala norte do Centro Administrativo do governo estadual passou uma vaca com sapatos de salto fazendo aquele barulho a cada passo. Um cara na minha frente na fila imitou os passos da mulher irônico dando passos parado no mesmo lugar. O cara estava, sobre a barriga, de calça bege, camisa salmão, sapato bicolor de tons pastéis. No pulso, relógio com pulseira de metal e correntinha de ouro. No buço, bigode. As mãos para trás e o rosto sério avacalhando com a vaca.
Fito Paez, uma história bonita
Takeda> É a cara do Marcelo Ferla.
Goyo> Pra mim, ele é uma mistura do Ivan Lins com o Gerald Thomas.
Douglas> Eu e o Caco chapados pulamos felizes no show do FSM. Todo mundo sabia a letra e cantou junto e as bandeiras da Argentina e do Uruguai tremulavam no meio do público. Foi esquisito.
Goyo> Assisiti a um show dele naquele festival da M2000. Vcs lembram disso? Era na Praia do Barco, perto de Capão Novo. Na real, TIVE que assisitir, porque tava esperando o show do Helmet.
Galera> Eu tava nesse show. Evidentemente, fui ao festival apenas para encher a cara e assistir ao show do Helmet. O do Fito Paez era o penúltimo, antes do Helmet. E o show do narigão não terminava NUNCA. O cara tocou mais de uma hora, e nada. Cheio de fãs do Helmet esperando, só pra começar a quebradeira. Jogaram um saco cheio de areia no palco e acertaram bem em cima do teclado do Fito Paez, eu lembro. Mas ele continuou tocando. Aí arrebentaram duas cordas da guitarra dele. E ele CONTINUOU tocando. Eu tava junto com um amigo meu, o Walter, que começou a berrar FITO PAEZ PUUUUTO. De repente, surgiu um argentino careca com barba ruiva, 2,10m de altura, embriagado, que segurou o Walter pelo pescoço, levantou ele do chão, acendeu um isqueiro Zippo e colocou debaixo do nariz dele e perguntou: "Quem é puto? QUEM??" Ele ia matar o Walter, mas chegou um cabeludo hippie e abraçou o gigante, e acalmou ele com uns papos de paz e amor, até ele soltar o pescoço do Walter. Durante o show do Helmet, eu tomei uma voadora no peito, e o Walter uma cotovelada no queixo. Na volta para Capão da Canoa, a pé, eu fui atropelado por um Monza no acostamento. Em baixa velocidade, claro, mas fiquei com um roxão grotesco na coxa. (...)
Goyo> Se não me engano, quem jogou aquele saco/garrafa/sei lá no palco foi o Marcos, dos Walverdes, ou um deles. (...)
Sapo> puta show esse do Helmet. e foi o marcos quem atirou a garrafa cheia de areia no teclado. eles tinham conversado com os Helmets antes do show e eles dedicaram uma música pros "local friends, Wall-vewr-dizz". que show absurdo. e choveu MUITO assim que acabou o show do Helmet.
Douglas> Eu tive uma romântica no show dele no Planeta Atlântida. Sabe como é, naquele aperto, uma mulher bem na tua frente. A velocidade da música foi propícia. A única coisa que a gente falou um com o outro foi na hora em que eu saí pra ir no banheiro, no show do Skank. "Tenho que ir no banheiro. Qual é o teu nome?", eu disse. "Onde tu mora?", ela respondeu. "Novo Hamburgo", na época. "A gente nunca vai se encontrar." Ela era mais velha e tinha uma aliança num dedo. E uma roupa tipo um maiô com uma bermuda por cima.
Goyo> Eu tava lá pelo Helmet, também. Fui com MEU PAI.
Douglas> Fui com meu pai no Emerson, Lake & Palmer em Gramado. Dia dos pais.
Takeda> É a cara do Marcelo Ferla.
Goyo> Pra mim, ele é uma mistura do Ivan Lins com o Gerald Thomas.
Douglas> Eu e o Caco chapados pulamos felizes no show do FSM. Todo mundo sabia a letra e cantou junto e as bandeiras da Argentina e do Uruguai tremulavam no meio do público. Foi esquisito.
Goyo> Assisiti a um show dele naquele festival da M2000. Vcs lembram disso? Era na Praia do Barco, perto de Capão Novo. Na real, TIVE que assisitir, porque tava esperando o show do Helmet.
Galera> Eu tava nesse show. Evidentemente, fui ao festival apenas para encher a cara e assistir ao show do Helmet. O do Fito Paez era o penúltimo, antes do Helmet. E o show do narigão não terminava NUNCA. O cara tocou mais de uma hora, e nada. Cheio de fãs do Helmet esperando, só pra começar a quebradeira. Jogaram um saco cheio de areia no palco e acertaram bem em cima do teclado do Fito Paez, eu lembro. Mas ele continuou tocando. Aí arrebentaram duas cordas da guitarra dele. E ele CONTINUOU tocando. Eu tava junto com um amigo meu, o Walter, que começou a berrar FITO PAEZ PUUUUTO. De repente, surgiu um argentino careca com barba ruiva, 2,10m de altura, embriagado, que segurou o Walter pelo pescoço, levantou ele do chão, acendeu um isqueiro Zippo e colocou debaixo do nariz dele e perguntou: "Quem é puto? QUEM??" Ele ia matar o Walter, mas chegou um cabeludo hippie e abraçou o gigante, e acalmou ele com uns papos de paz e amor, até ele soltar o pescoço do Walter. Durante o show do Helmet, eu tomei uma voadora no peito, e o Walter uma cotovelada no queixo. Na volta para Capão da Canoa, a pé, eu fui atropelado por um Monza no acostamento. Em baixa velocidade, claro, mas fiquei com um roxão grotesco na coxa. (...)
Goyo> Se não me engano, quem jogou aquele saco/garrafa/sei lá no palco foi o Marcos, dos Walverdes, ou um deles. (...)
Sapo> puta show esse do Helmet. e foi o marcos quem atirou a garrafa cheia de areia no teclado. eles tinham conversado com os Helmets antes do show e eles dedicaram uma música pros "local friends, Wall-vewr-dizz". que show absurdo. e choveu MUITO assim que acabou o show do Helmet.
Douglas> Eu tive uma romântica no show dele no Planeta Atlântida. Sabe como é, naquele aperto, uma mulher bem na tua frente. A velocidade da música foi propícia. A única coisa que a gente falou um com o outro foi na hora em que eu saí pra ir no banheiro, no show do Skank. "Tenho que ir no banheiro. Qual é o teu nome?", eu disse. "Onde tu mora?", ela respondeu. "Novo Hamburgo", na época. "A gente nunca vai se encontrar." Ela era mais velha e tinha uma aliança num dedo. E uma roupa tipo um maiô com uma bermuda por cima.
Goyo> Eu tava lá pelo Helmet, também. Fui com MEU PAI.
Douglas> Fui com meu pai no Emerson, Lake & Palmer em Gramado. Dia dos pais.
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Diferenças de referências
Chinakel ouviu Joyce falando sobre o bar Garagem Hermética e resolveu comentar.
- O Garagem Hermética está reabrindo, parece.
- Ah é? Ouvi dizer que é uma loucura total.
- Em que sentido?
- Todos.
- Pra mim é absolutamente normal. Depende da festa.
- Pois é, aquelas com som mais pesado...
- As festas mais alternativas são mais "calmas" do que baile gaudério.
- Não sei... Eu nunca fui lá...
Chinakel ouviu Joyce falando sobre o bar Garagem Hermética e resolveu comentar.
- O Garagem Hermética está reabrindo, parece.
- Ah é? Ouvi dizer que é uma loucura total.
- Em que sentido?
- Todos.
- Pra mim é absolutamente normal. Depende da festa.
- Pois é, aquelas com som mais pesado...
- As festas mais alternativas são mais "calmas" do que baile gaudério.
- Não sei... Eu nunca fui lá...
sexta-feira, 30 de agosto de 2002
quinta-feira, 29 de agosto de 2002
Presenciei na rua uma suruba a três com dois voyeurs. Um casal já estava grudado, de costas um para o outro, no asfalto, enquanto um outro com pêlo ondulado branquinho-sujo tentava entrar também, formando um T de cãezinhos. Os voyeurs, na calçada, um estava deitado meio desinteressado e o outro de quatro, atento. Peguei a calçada e ao passar ao lado da suruba o branquinho-sujo trepando rosnou para mim. Atravessei a rua e tomei a calçada da quadra seguinte. Andei alguns metros quando vi um dos dois cães da casa de dois pisos no portão. O com pêlo ondulado pretinho, o mais latidor barulhento para os passantes. Estava atento e suando pela língua, de fora, de excitação pelo cheiro de sexo da cadela e pelo cansaço de tentar mas não poder transpor as grades.
Na manhã do outro dia, por volta das 7h30, estavam os cinco dormindo em escadinhas de portas de casas quase vizinhas, com apenas a rua separando e um ângulo de diferença de 90 graus. Os três clarinhos estavam onde alguém colocou duas caixinhas-caminhas para servir de dormitório dos cães da rua-vizinhança, e os dois pretinhos, noutra porta.
Na manhã do outro dia, por volta das 7h30, estavam os cinco dormindo em escadinhas de portas de casas quase vizinhas, com apenas a rua separando e um ângulo de diferença de 90 graus. Os três clarinhos estavam onde alguém colocou duas caixinhas-caminhas para servir de dormitório dos cães da rua-vizinhança, e os dois pretinhos, noutra porta.
O trabalho e a profissão são tão fincados na mente das pessoas pela tradição e a lógica da sociedade, são tão artificiais e traumatizantes (no fundo, num lugar trancafiado do cérebro), que aqueles que têm muitas tarefas em seu trabalho não suportam e fazem de tudo para não permitir que um colega sem tarefas faça alguma coisa divertida, alguma coisa real, fora da escravidão assalariada. Preferem e fazem de tudo para exigir que o colega disfarce estar trabalhando. O recalque rege o mundo.
***
Chegou 1984. A vida começou a se transferir para o mundo virtual. Quem não está nele não vive, apenas subvive em comunicação e informação e facilidade de tempo (quase instantâneo), espaço (todo o mundo conectado) e dinheiro (de graça) para a manifestação da alma e a fruição dessas manifestações. Quem vive nesse admirável mundo novo é monitorado por não apenas um, mas vários Grandes Irmãos (para não usar a expressão em inglês desgastada recentemente pela tevê sem nem sequer estar sendo compreendida pelos espectadores, o que já era de se esperar daqueles que se acreditam animais racionais).
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Chegou 1984. A vida começou a se transferir para o mundo virtual. Quem não está nele não vive, apenas subvive em comunicação e informação e facilidade de tempo (quase instantâneo), espaço (todo o mundo conectado) e dinheiro (de graça) para a manifestação da alma e a fruição dessas manifestações. Quem vive nesse admirável mundo novo é monitorado por não apenas um, mas vários Grandes Irmãos (para não usar a expressão em inglês desgastada recentemente pela tevê sem nem sequer estar sendo compreendida pelos espectadores, o que já era de se esperar daqueles que se acreditam animais racionais).
quarta-feira, 28 de agosto de 2002
Por mais que se tente escrever, nada mais existe de fato do que a percepção e o sentimento. Se é que se pode chamá-los assim. Se é que se pode chamar.
Ladrão e assaltante é simplesmente um animal que prefere roubar a comida ou a moradia ou o sexo do outro animal ao invés de buscar e conquistar o seu próprio. (A compreensão do mundo é muito mais fácil fazendo comparações entre o homem e os demais seres do seu reino na natureza. A lógica da vida é uma só. Aquela criada pela Cultura é fictícia.) Então me veio a dúvida sobre qual dos dois é o ser mais forte, se é o roubante ou é o roubado. Me parece que é o roubado, mas isso pode ser uma visão impregnada pela Cultura. Parece que é o roubante porque ele usa a força para efetuar a tomada de posse.
terça-feira, 27 de agosto de 2002
Como seria a vida da espécie humana se não tivessem instituído a roupa? Como seria a cultura e como seria no frio?
Eu e o Sérgio tivemos uma ligação muito forte. Primeiro porque eu entendi e conheci ele bem rapidamente e vice-versa. Coisa não muito fácil de acontecer. E segundo porque eu demonstrei tanto gostar dele que ele valorizou isso e gostou de mim também. E pensar que eu achei que ele era burocrático e chato, na primeira aula. E que alguns continuaram achando ele um chato, ou um lunático porque não queria ter tevê em casa e apaixonou-se por Beleza Americana. As aulas de Estética e Cultura de Massa em Brasília foram o ponto mais útil e empolgante do meu curso de jornalismo. Foi o clímax porque juntou o melhor assunto com o professor mais legal. E dois dos colegas tornaram-se dois dos nossos melhores amigos. E depois a gente chora que só acontece merda na vida.
segunda-feira, 26 de agosto de 2002
O RESTAURANTE DO FIM DO UNIVERSO, projeto meu e da Madi de covers de sons alternativos, está com site de conteúdo provisório. A Madi é que vai ser a webdesigner do conteúdo definitivo. Por enquanto, tem um link lá para o blog de cardápios, dois comentários sobre o nosso primeiro show, no último dia 15, no Dr. Jekyll, e uma foto, de fundo, tirada pela Vivian Eiko naquela noite.
Eles estão em extinção. Seja um deles. Sugira aos outros que sejam um deles. Não podemos deixar que a bateria eletrônica seja a única alternativa. Afinal, neste mundo estressante, nada melhor do que surrar aqueles troços com aqueles pauzinhos. E tem outra. Não é preciso aprender notas musicais, só ritmo, olha que maravilha. E substitui a musculação. Tem um esporte que é uma delícia, a Destruição de Baquetas. Na cena independente gaúcha, temos dois atletas treinando essa modalidade esportiva: Iuri, da Tom Bloch, e Gordinis, da Not So Easy. Sem contar que você pode derrubar todas as peças da bateria no final do show para completar a catarse. Cuidando para não estragar, é claro, porque é caro. Bateria é massa. Sério.
Todos os cinco integrantes do Strokes já se beijaram na boca entre si, só para "ver como era". Eles já disseram também com qual outro integrante da banda cada um ficaria se fosse mulher. Deu na coluna do Lúcio Ribeiro que deu na The Face deste mês.
sexta-feira, 23 de agosto de 2002
Se lavar as mãos depois de fazer xixi fosse imprescindível, sexo oral seria nocivo à higiene e à saúde. Concordo com o Juca Chaves ou o Ary Toledo, que disse que o certo é lavar as mãos antes.
Com quem já me acharam parecido:
- Cláudio Dickel
- Cláudio Heinrich
- Carlos Alberto Ricceli
- Brad Pitt
- Beavis
- Daniel Feix
- Liam Gallagher
- Cláudio Dickel
- Cláudio Heinrich
- Carlos Alberto Ricceli
- Brad Pitt
- Beavis
- Daniel Feix
- Liam Gallagher
No metrô da volta do trabalho anteontem eu não dormi porque não consegui sentar num lugar em que pudesse encostar a cabeça. Então fiquei olhando uma menininha de cinco meses no colo da mãe desdentada. Sei que era menininha porque usava roupas com cores em tons de vermelho. Ela babava bastante e sorriu para flores de plástico no colo da mulher sentada aos seus 90º. Eu estava sentado atrás da mulher das flores de plástico e acho que a menininha uma hora me viu e eu sorri. Na verdade muitos sorriam para ela e passavam por ali para dar a sua olhadinha. Os adultos amam os bichinhos e as criancinhas porque estes são tudo aquilo que aqueles deixaram de ser. Muitos atribuem a morte do espírito à exigência de responsabilidade e de trabalho da idade adulta. Confundem idade adulta com adultez. Adultez mórbida. Mas nem é preciso dizer que a real causa é o Grande Pensamento Universal. Aquele que as pessoas acoplam aos seus cérebros para não precisarem pensar e não sofrerem desafios sociais de coragem em defesa de si mesmo como uma pessoa separada fisicamente das outras e da Massa. Eu olhava para a menininha com expressão que os outros devem ter classificado como de pai bobo.
Mas uma hora a mãe desdentada desceu com a menininha de cinco meses. No lugar delas sentou uma pessoa que eu não soube o sexo, mas que era muito bonita. Eu não pude parar de olhar. (Eu estava com sorte, aquele lugar era um bom lugar.) Mesmo se fosse um cara. Eu não tinha nada a perder. Olhava bastante também para tentar saber qual era o sexo. Tinha um rosto simples e bonito. O cabelo era curto, um pouco volumoso e desgrenhado. Usava uns colares com pecinhas de madeira. A blusa de lã não era colada e por isso não dava saber se ela tinha seios. As mãos e o jeito de mexê-las eram femininos, mas isso não quer dizer que fosse uma menina. A calça e o casaco que ela vestiu quase na hora de descer também eram femininos, mas idem. Ela não ficou me olhando também, ou por não ter me notado, ou por não ter dado importância, ou por timidez, ou por desinteresse, ou porque era um cara. Usava uma mochila grande e caída nas costas e demonstrava certo problema de auto-estima pela postura de todas as partes do seu corpo. Desceu na Estação Unisinos, onde eu desci, pegou o mesmo ônibus que eu até a universidade, mas dentro dele eu não a vi mais. Daria para comparar com o personagem da Mila Jovovic no Million Dollar Hotel, o rosto, o cabelo e o espírito de pés nus, descalços. Mas talvez fosse mais bonita. Ou bonito.
Mas uma hora a mãe desdentada desceu com a menininha de cinco meses. No lugar delas sentou uma pessoa que eu não soube o sexo, mas que era muito bonita. Eu não pude parar de olhar. (Eu estava com sorte, aquele lugar era um bom lugar.) Mesmo se fosse um cara. Eu não tinha nada a perder. Olhava bastante também para tentar saber qual era o sexo. Tinha um rosto simples e bonito. O cabelo era curto, um pouco volumoso e desgrenhado. Usava uns colares com pecinhas de madeira. A blusa de lã não era colada e por isso não dava saber se ela tinha seios. As mãos e o jeito de mexê-las eram femininos, mas isso não quer dizer que fosse uma menina. A calça e o casaco que ela vestiu quase na hora de descer também eram femininos, mas idem. Ela não ficou me olhando também, ou por não ter me notado, ou por não ter dado importância, ou por timidez, ou por desinteresse, ou porque era um cara. Usava uma mochila grande e caída nas costas e demonstrava certo problema de auto-estima pela postura de todas as partes do seu corpo. Desceu na Estação Unisinos, onde eu desci, pegou o mesmo ônibus que eu até a universidade, mas dentro dele eu não a vi mais. Daria para comparar com o personagem da Mila Jovovic no Million Dollar Hotel, o rosto, o cabelo e o espírito de pés nus, descalços. Mas talvez fosse mais bonita. Ou bonito.
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