' ' Uma das coisas que mais me chamou atenção no grupo foi uma mistura de medo do comunismo associado ao medo do feminismo. “Minha bandeira jamais será vermelha”, disse uma apoiadora. Na verdade, parecia querer dizer “minha vagina jamais será peluda”. Há um permanente terror de que a ditadura do proletariado se torne a ditadura da baranga. Eduardo Bolsonaro, inclusive, declarou recentemente que as mulheres de esquerda são feias, pouco higiênicas e com cabelo no sovaco. Para um público fã de seu pai, declarações como essa são completamente normais.
As postagens de um grupo fechado são fixadas [obcecadas] em mostrar mulheres cis ou trans antibolsonaro, e que são negras e gordas como sinônimos de algo abjeto, sujo e depravado. Alguns comentários: “Tirem essa berração da rede social isso faz mal as famílias brasileiras repetindo isso veio do inferno 666” ou “Ela é feita de bosta? não ver o tamanho dela e a cara de suja, não tem aspectos de limpa. Mulher suja. #Elanuncavainosrepresentar mulher de direita é limpa educada”. Impressiona o fato de que não há contestação interna desses comentários. O preconceito é normalizado.
Quando circulou uma imagem de uma mulher que protestava no ato #elenão e portava um cartaz com um erro de português, as mulheres a chamaram de retardada, anta, analfabeta, petista e peluda – e, às vezes, tudo junto. Com a cereja do bolo do comentário de um rapaz: “essa não merece ser estuprada”. Nenhuma contestação. ' ' (Rosana Pinheiro-Machado)
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quarta-feira, 3 de outubro de 2018
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