A Síndrome de Münchausen por Procuração (SMPP) é uma forma de abuso na infância, em que o perpetrador assume a doença indiretamente (por procuração), exacerbando, falsificando ou produzindo histórias clínicas, evidências laboratoriais, causando lesões físicas e induzindo a hospitalizações com procedimentos terapêuticos e diagnósticos desnecessários. Esta forma de abuso é ocultada pelo seu perpetrador, que demonstra aparente interesse e um envolvimento excessivo nos cuidados com a criança. A doença é usualmente 'fabricada' pela mãe, mas ocasionalmente com a participação simbiótica do filho. Há uma grande variedade de sintomas, com seus respectivos métodos de indução e/ou simulação, descritos na literatura: apneia (sufocação), vômitos intratáveis (intoxicação ou falso relato), sangramentos (intoxicação ou adição de substâncias: tinta, corantes, cacau), exantemas (intoxicação, arranhões, aplicação de cáusticos, pintura da pele), crises convulsivas (intoxicações, falso relato, sufocação), diarreia (intoxicações por laxativos), febre (falsificação da temperatura ou da curva térmica). É uma entidade relativamente rara, de difícil diagnóstico, levando a criança, muitas vezes, a procedimentos diagnósticos desnecessários e potencialmente danosos à mesma.
A expressão Síndrome de Münchausen foi empregada por Asher em 1951, na qual foi definido o comportamento de pacientes que apresentam transtorno fictício. Tais pacientes dramatizam e produzem doenças, fornecem histórias médicas elaboradas e alteram exames, de tal modo que consigam a atenção de equipes médicas. A Síndrome de Münchausen por Procuração foi descrita em 1977 pelo Médico Pediatra Roy Meadow, caracterizando-se por doenças produzidas em crianças por suas mães, de modo que estas beneficiam-se da atenção dispensada por equipes médicas para a doença de seus filhos. Esta forma grave de abuso na criança frequentemente passa despercebida pelos médicos, por desconhecimento da mesma ou por não estar presente na lista de diagnósticos diferenciais, o que pode ser difícil num primeiro momento, demorando muito tempo para se chegar ao diagnóstico, resultando em complicações decorrentes de tratamentos e procedimentos desnecessários, levando, às vezes, à morte do paciente devido à recorrência do abuso. A taxa de mortalidade estimada para crianças vítimas de SMPP é de 9%.
Libow e Schreier classificaram 3 tipos de perpetradores da SMPP. Os que 'procuram ajuda' (help seekers) são aqueles que procuram o médico com frequência na tentativa de chamar atenção para sua ansiedade, exaustão, depressão e inabilidade nos cuidados com a criança. Nesta forma são incluídos casos de violência doméstica, gravidez indesejada ou não planejada e mães solteiras. Os 'indutores ativos' (active inducers) induzem doenças nos seus filhos com métodos dramáticos. Estas mães são ansiosas, depressivas e apresentam um alto grau de negação, dissociação de afeto e projeção paranoide. Secundariamente, elas têm uma excelente relação com a equipe médica e um controle dos procedimentos terapêuticos com extremada atenção. Os 'viciados em médicos' (doctors addicts) são obsessivos por obterem tratamento para doenças inexistentes em seus filhos. Consiste em falsificar e mentir à respeito da história clínica e dos sintomas. Acreditam que seus filhos estão doentes, não acreditam nos médicos e costumam medicá-los por conta própria. Atingem crianças maiores de 6 anos, e as mães são desconfiadas, irritadas, antagonistas e paranoicas.
Muitas teorias existem para explicar por que essas mães podem fabricar doenças em seus filhos. A mais comum é a perda precoce de suas mães, que é um dado frequente nos casos de SMPP. Essa perda representa uma rejeição e uma falta de amor e atenção na infância. Muitas formas de causar doenças nestas crianças têm sido relatadas, sendo o envenenamento a mais descrita pela literatura médica, começando em casa com pequenas quantidades e aumentando progressivamente até a hospitalização. As drogas mais usadas são: anticonvulsivantes, como fenobarbital, benzodiazepínicos, cloreto de sódio, insulina, aspirina, xarope de ipeca, antidepressivos, antieméticos, codeína, entre outros. Há relatos desde desidratação, causada por restrição de oferta de líquidos até septicemia, causada pela injeção de material contaminado por sonda ou catéter.
http://www.jped.com.br/conteudo/99-75-04-281/port.pdf
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quarta-feira, 3 de outubro de 2018
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