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quarta-feira, 18 de maio de 2016

"À medida que os anos 60 avançavam, parecia-me que movimentos como os que então ocorriam tinham uma natureza cada vez mais filosófica. Uma das exposições que me afetou, embora menos marcante que as de Warhol, foi uma exposição de caixas grandes, simples, pintadas em tons esmaecidos de cinza ou bronze industriais pelo artista minimalista Robert Morris, na Galeria Green. À medida que o minimalismo evoluiu enquanto um movimento autoconsciente, os objetos que o constituíam tornaram-se cada vez menos interessantes, visualmente falando, e cada vez mais dependentes de textos, filosóficos por natureza, escritos pelos artistas, que tinham muitas vezes seus próprios objetos fabricados em oficinas. Os objetos eram industriais: fiadas de tijolos, quadrados puros de metal, lâmpadas fluorescentes, módulos metálicos lisos e partes de construções pré-fabricadas. A menos que se lessem os textos, mal se poderia entender algo da arte, da qual quase tudo de interesse visual tinha sido expurgado. Quase se poderia supor que os objetos seriam dispensáveis, deixando apenas os textos. Em 1969, o Conceitualismo surgiu como um movimento. Ele, de fato, eliminou por completo os objetos — ou os objetos eram cada vez mais vestigiais, enquanto o pensamento se tornara fulcral para as artes. Agora, Minimalismo e Conceitualismo eram ambos mais filosóficos em sua intenção do que a Arte Pop jamais o foi. A intenção da Pop era mais social do que filosófica — ela estava preocupada inicialmente em superar a diferença entre arte erudita [high art] e arte popular ou vernácula. Mas todos esses três movimentos da metade para o fim dos anos 60 serviram para livrar a concepção de arte de muitas características que ela tinha adquirido no decorrer de sua história. A arte não precisava mais ser feita por pessoas com dotes especiais — o Artista — nem exigia nenhum conjunto especial de habilidades. A arte não precisava mais ser difícil de fazer. E não precisava mais ser algum objeto especial. Uma escultura poderia ser um buraco no chão. Começando com Fluxus, foi como se os anos 60 fossem um período de experimentação filosófica radical, no qual se procurou descobrir o quanto poderia ser subtraído da ideia de arte. Tal como acontece com o problema Brillo Box – Brillo Box [ou Caixa Brillo – Caixa de Brillo], os artistas estavam fazendo o trabalho filosófico que os filósofos não eram capazes de fazer ou não queriam fazer por eles, de modo que não era inteiramente uma caricatura dizer que a arte, pelo menos a arte das vanguardas, tinha se transformado em filosofia por volta da década de 1960 e até a década seguinte. Na década de 1970 tornou-se possível dizer, com Warhol, que qualquer coisa poderia ser arte, ainda que o Conceitualismo tivesse dito quase a mesma coisa. Tornou-se possível dizer, com Beuys, que qualquer um poderia ser um artista. Não que isso significasse que tudo fosse arte, mas que qualquer coisa poderia sê-lo. Já não era mais necessário perguntar se isto ou aquilo poderia ser uma obra de arte, pois a resposta seria sempre sim. E com isso, parece-me, não havia mais nenhuma necessidade para esse tipo de experimento. O conceito de arte tinha se purificado de tudo que não lhe era essencial. Permanecia para a filosofia dizer o que tinha restado, se os filósofos se interessassem pelo problema. Os artistas estavam agora livres para fazer arte a partir de qualquer coisa e do modo que eles escolhessem." (Arthur Danto)

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