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domingo, 10 de abril de 2016

LOS HERMANOS E A GERAÇÃO Y
POR PAULO DA COSTA E SILVA
Carta Capital

Tenho lido na internet alguns textos falando sobre a “geração Y” – a geração daqueles que nasceram entre o fim da década de 1970 e meados dos anos 1990. Em geral são textos que adotam o ponto de vista dos pais desses “novos adultos”. A julgar pelo que vem sendo escrito, a geração Y anda meio infeliz. O problema estaria, sobretudo, na relação com a esfera do trabalho, na inserção profissional que é via de acesso para o mundo adulto. Grosso modo, os textos pintam um retrato semelhante desses “novos adultos”, que é mais ou menos o seguinte: jovens mimados, filhos de uma classe média confortável, com excelente formação e uma auto-estima inflada; jovens que nunca tiveram que lutar por nada e que se julgam demasiadamente especiais, esperando, por conta disso, que as vitórias no mundo lá fora (leia-se, no mercado de trabalho) sejam relativamente fáceis, como se fossem um desdobramento natural de sua genialidade. Jovens imbuídos de imensa ambição, mas que não possuem a disposição necessária para enfrentar eventuais sacrifícios. Apenas um desejo de fôlego curto, infantil, típico de uma geração que se acostumou a receber tudo de mão beijada.

Enfim, seria mais ou menos esse o perfil psicológico da geração Y, a causa de seu mal-estar. O antídoto, da parte dos pais, é claro que nem água: menos protecionismo; é preciso deixar os filhos “aprenderem com a vida”; deixar que fiquem livres para “enfrentar o mundo”. E aqui reside o ponto fraco desses argumentos: eles falham surpreendentemente ao não indagar sobre que “mundo” é esse que os Y’s devem enfrentar. Em outras palavras, eles retiram a geração Y do contexto histórico no qual está inserida, reduzindo a discussão à esfera psicológica das relações familiares. Como se fosse a mesma coisa iniciar a vida adulta nos anos 1970 ou nos anos 2000. Tudo se torna uma questão de força pessoal diante dos desafios da vida. Ao perder de vista o contexto maior, questões que são coletivas passam a ser sentidas como sendo puramente individuais. Ao mesmo tempo, retira-se o solo real sobre o qual as expectativas e sonhos da geração Y se erguem. A questão passa a ser exclusivamente a de saber se o Y é suficientemente competente ou não; se está ou não à altura das imposições cada vez maiores do mercado de trabalho. Se é eficiente e competitivo. Se tem condições de ser um vencedor.


Um comentário:

Gabriel Pardal disse...

concordo com tudo isso.
mas eu li este texto na Revista Piauí, não na Carta.