Pela sua carapaça, redonda como o céu na parte superior — o que a torna semelhante a uma cúpula — e plana como a terra, na parte inferior, a tartaruga é uma representação do universo: constitui-se por si mesma numa cosmografia; como tal, aparece no Extremo Oriente, entre os chineses e japoneses, no centro da África negra, entre os povos da aliança do Níger, dogons e bambaras, para citar somente os mais estudados. Mas sua massa e sua força, ideia de poder que evocam suas quatro patas curtas plantadas no solo como as colunas do templo, fazem dela também o cosmóforo, carregador do mundo, o que a aproxima de outros poderosos animais ctonianos, como o grande crocodilo ou caimão das cosmogonias meso-americanas, a baleia ou grande peixe, o dragão e mesmo o mamute, que a maioria dos povos siberianos considera como uma divindade da superfície das águas.Na índia, a tartaruga é um suporte do trono divino; foi sobretudo o Kurmaavatara, que serviu de suporte para o monte Mandara e assegurou a sua estabilidade, quando deva e asura empreenderam a batedura do Mar de leite para obter a amrita. Kurma continua, diz-se, sustentando a índia.
Essa função de suporte do mundo, garantia de sua estabilidade, identifica-a com as mais altas divindades: no Tibete, como na Índia, a tartaruga cosmófora é uma encarnação, ora de um Bodhisattava, ora de Vixenu que, sob essa forma, tem o rosto verde, sinal de regeneração ou de geração, logo que emerge das primeiras águas carregando a terra sobre as suas costas.
Nos mitos mongóis, a tartaruga dourada carrega a montanha central do universo. Entre os kalmuks, acredita-se que quando o calor solar secar e queimar tudo, a tartaruga que sustenta o mundo começará também a sentir os efeitos do calor e voltar-se-á com inquietude, provocando desta forma o fim do mundo.
O elefante evoca ainda a imagem de Ganesha, deus hindu com cabeça de elefante, símbolo do conhecimento. O corpo de homem desse deus representa o microcosmo, a manifestação; e sua cabeça de elefante, o macrocosmo, a não-manifestação. Segundo essa interpretação, o elefante é, efetivamente, o começo e o fim, aquilo que se depreende a um só tempo do desenvolvimento do inundo manifestado a partir da sílaba om (e, portanto, do não-manifestado) e da realização interior do iogue. Ga-ja, o elefante, é o alfa e o ômega.
Assim como o touro, a tartaruga, o crocodilo e outros animais, o elefante também desempenha, na Índia e no Tibete, o papel de animal-suporte-do-mundo: o universo repousa sobre o lombo de um elefante. Em numerosos monumentos, a figura do elefante faz as vezes de cariátides: ele é cosmóforo. E é igualmente considerado como um animal cósmico, por causa da semelhança de sua estrutura com a do cosmo: quatro pilares que sustentam uma esfera. (CHEVALIER & GHEERBRANT. Dicionário de símbolos.)

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