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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Inner Worlds, Outer Worlds



Einstein foi o primeiro cientista a perceber que o que os outros pensavam ser espaço vazio não é o nada, esse espaço tem suas propriedades e, intrínseco à natureza do espaço, esse espaço possui uma incalculável quantidade de energia. O físico Richard Feynman disse, certa vez: "Existe energia suficiente num único centímetro cúbico de vácuo para ferver todos os oceanos no mundo."

As antigas tradições orientais, compreendiam, há milhares de anos, que tudo é vibração. Nada Brahma: o universo é som. A palavra "Nada" significa som ou vibração e "Brahma" é o nome de Deus. Brahma, simultaneamente é o universo e é o criador. O artista e sua arte são inseparáveis. No Upanixade, um dos mais antigos registros do ser humano na Índia antiga, está escrito: "Brahma o criador, sentado em sua flor de lótus, abre seus olhos e o mundo vem a existir. Brahma fecha seus olhos, e o mundo deixa de existir." 

Místicos da antiguidade, iogues e videntes sustentaram a ideia de que existe um campo no nível base da consciência. O Campo Akáshico ou os Registros Akáshicos, onde toda a informação, toda a experiência, do passado, presente e futuro, existem agora e sempre. É desse campo ou matriz que todas as coisas surgem. Desde as partículas subatômicas até as galáxias, estrelas, planetas e toda a vida. Você nunca vê tudo em sua totalidade, pois ele é feito de camadas e mais camadas de vibração e está constantemente mudando, trocando informações com a Akasha. 

Uma árvore bebe do sol, do ar, da chuva, da Terra. Um mundo de energia move-se para dentro e para fora dessa coisa que chamamos de árvore. Quando a mente pensante se acalma, então você vê a realidade como ela é. Todos os aspectos reunidos. A árvore e o céu e a Terra, a chuva e as estrelas não estão separadas. a vida e a morte, o eu e o outro não estão separados. Assim como a montanha e o vale são inseparáveis. 

Na tradição indígena americana e em outras tradições indígenas, é dito que todas as coisas possuem um espírito, o que é uma outra forma de dizer que tudo está conectado à fonte vibratória original. Existe uma consciência, um campo, uma força que se move através de tudo. Este campo não está ocorrendo ao seu redor, está ocorrendo por meio de você, acontece na forma de você. Você é o "U" (you) no universo. Você é os olhos através dos quais a criação vê a si mesma. Quando acorda de um sonho, compreende que tudo no sonho era você. Você estava criando-o. Não é diferente no que chamamos de 'vida real'. Cada um e cada pessoa é você. A consciência una observando através de todos os olhos, debaixo de cada pedra, dentro de cada partícula.

Tudo parece ser feito de vibração mas não há 'algo' sendo vibrado.  É como se houvesse uma dançarina invisível, uma sombra dançando, escondida no balé do universo. Todos os outros dançarinos sempre dançaram ao redor dessa dançarina escondida. Observamos a coreografia da dança, mas até agora, não conseguimos ver essa dançarina.

O olho pelo qual enxergamos o campo primordial e o olho o qual o campo olha para nós são um só e o mesmo.

A água é uma substância deveras misteriosa. Ela é altamente imprimível. Quer dizer, possui grande receptividade à vibração. Devido a sua capacidade e sensibilidade de ressonância elevada, e sua disposição interna para ressoar, a água responde instantaneamente a todos os tipos de ondas sonoras. Água e terra em vibração é a maior parte da massa de plantas e animais. É facilmente observável como uma simples vibração na água consegue criar padrões naturais reconhecíveis mas ao adicionarmos sólidos e aumentarmos a amplitude, as coisas começam a ficar cada vez mais interessantes. Ao adicionarmos maisena, conseguimos um fenômeno bem mais complexo. Talvez os princípios da vida em si podem ser observados enquanto a vibração move a bolha de maisena em algo que parece ser um organismo vivo. O princípio que anima o universo é descrito na maioria das religiões usando palavras que refletem a compreensão daquele período na história. 

Na língua dos Incas, o maior império da América pré-Colombiana, a palavra para "corpo humano" era "alpa camasca" que significa, literalmente, "terra animada". 

Na Kaballah, ou Misticismo Judaico, falam sobre o nome divino de Deus. O nome que não deve ser pronunciado. Não pode ser pronunciado pois é uma vibração que está em todo o lugar. É todas as palavras, toda a matéria. Tudo é a palavra sagrada.

Na tradição Hindu, Shiva Nataraja literalmente quer dizer "Senhor da Dança". O cosmos inteiro dança com o tambor de Shiva. Tudo está imbuido ou impregnado com a pulsação. Somente enquanto Shiva continuar dançando, o mundo poderá continuar a evoluir e mudar, caso contrário ele desmoronará em direção ao nada.

A real crise em nosso mundo não é a crise social, política ou econômica. Nossa crise é uma crise de consciência, uma incapacidade de experimentarmos diretamente nossa verdadeira natureza. Uma incapacidade de reconhecer essa natureza em todos e em todas as coisas. 

Na tradição Budista, o "Bodhisattva" é uma pessoa com sua natureza de buda desperta. "Existem incontáveis seres conscientes no universo. Me comprometo a ajudar a todos em seu despertar. Minhas imperfeições são inesgotáveis. Me comprometo a superá-las todas. O Dharma é incognoscível. Me comprometo a conhecê-lo. O caminho do despertar é inalcançável. Eu me comprometo a alcançá-lo."

Muito antes do amanhecer da civilização ocidental e da linguagem escrita, a ciência e a espiritualidade não eram duas coisas separadas. Nos ensinamentos das grandes tradições antigas a busca externa por conhecimento e certeza era compensada pelo sentimento interior de impermanência e pela compreensão intuitiva da espiral da mudança. A medida que o pensamento científico se tornou mais dominante e a informação se multiplicou, a fragmentação iniciou-se em nossos sistemas de conhecimento. O aumento de especializações fizeram com que poucas pessoas fossem capazes de ver o panorama geral, de sentirem e intuirem a estética do sistema como um todo. Ninguém perguntava: "Será que todo esse pensar é bom para nós?" O conhecimento antigo está aqui, em nosso meio, escondido de nossas vistas. Mas estamos muito mais preocupados com nossos pensamentos para reconhecê-lo. Essa sabedoria proibida é o caminho para reestabelecermos o equilíbrio entre o interior e o exterior. Yin e yang. Entre a espiral da mudança e a quietude de nosso centro.

Na iconografia egípcia, a serpente e o pássaro representam a dualidade ou polaridade da natureza humana. A serpente em direção descendente é a espiral manifestada, a energia evolutiva do mundo. O pássaro é a direção ascendente: a corrente acima, em direção ao sol ou a consciência unifocalizada desperta: o vazio da Akasha. Faraós e deuses são representados com sua energia desperta pois a serpente Kundalini ascende a coluna vertebral e perfura o "chacra Ajna" entre os olhos.

Nunca antes, na história da humanidade, usamos tanto a mente e nunca antes houve tamanha confusão no planeta. Será que a cada vez que pensamos numa solução para um problema, acabamos criando mais dois outros problemas? Para que serve todo esse pensar se não nos leva a uma felicidade maior? Somos mais felizes? Mais equânimes? Mais alegres como resultado de todo esse pensamento? Ou ele nos isola, nos desconecta de uma experiência de vida muito mais profunda e significativa? Pensar, Agir e Fazer precisam estar em equilíbrio com o Ser. Afinal de contas, somos Seres Humanos, não Afazeres Humanos. Queremos mudança e queremos estabilidade ao mesmo tempo. Nossos corações se desconectaram da espiral da vida, a lei da mudança, enquanto nossas mentes pensantes nos guiaram em direção da estabilidade, segurança e a pacificação dos sentidos. Com uma fascinação mórbida, assistimos assassinatos, tsunamis, terremotos e guerras. Tentamos, constantemente, ocupar nossa mente, preenchê-la com informação. Programas de TV sendo transmitidos em todo aparelho imaginável. Jogos e quebra-cabeças. Mensagens de texto. E todas as trivialidades possíveis. Nos deixamos fascinar com uma torrente infinita de novas imagens, novas informações, novos meios de pacificar nossos sentidos.
Em momentos de reflexão interior, nosso coração pode nos contar que há algo mais na vida do que nossa realidade atual, que vivemos num mundo de espíritos famintos. Eternamente desejando e nunca satisfeitos. Criamos um redemoinho de dados voando ao redor do planeta para facilitar mais ainda o pensamento, mais ideias sobre como consertar o mundo, corrigir os problemas que só existem porque nossas mentes os criaram. O pensamento criou essa enorme bagunça em que vivemos atualmente. Travamos guerras contra doenças, contra inimigos e problemas. O paradoxo é que aquilo a que resistimos, persiste. Quanto mais você resiste a algo, mais você fortalece esse algo. Enquanto a cultura ocidental nos últimos séculos focou-se na exploração do físico usando o pensamento e a análise, outras culturas antigas desenvolveram tecnologias igualmente sofisticadas para explorarem o espaço interior. É a perda da conexão com nossos mundos interiores que criou o desequilíbrio em nosso planeta.

No Budismo, você não é o conteúdo de sua consciência. Você não é apenas uma coleção de pensamentos ou ideias pois por trás dos pensamentos está aquele que está testemunhando os pensamentos. O ditado "Conhece-te a ti mesmo" é um koan do Zen, um enigma sem resposta. Com o tempo, a mente se sentirá exausta de tentar encontrar uma resposta. Como um cachorro que persegue seu próprio rabo, é apenas o ego que quer encontrar uma resposta, um propósito. A verdade sobre quem você é não precisa de uma resposta, pois todas as perguntas são criadas pela mente egóica. Você não é sua mente. A verdade não se encontra em mais respostas, mas em menos perguntas. Quando Buda foi perguntado: "O que você é?" ele simplesmente respondeu: "Estou desperto."

Uma mente calma é tudo o que você precisa para compreender a natureza do fluxo. Todo o resto acontece assim que sua mente aquietar. Nessa quietude, as energias interiores despertam e funcionam sem esforço de sua parte.

A noção do Vedanta sobre Maya ou a ilusão, é de que não experimentamos o ambiente em si, mas ao invés disso, a projeção dele, criado por pensamentos. É claro que seus pensamentos permitem que você experimente o mundo vibratório de certa maneira, mas nossa equinimidade interior não necessita depender de acontecimentos externos. A crença em um mundo exterior, independente do sujeito que o percebe é fundamental para a ciência. Mas nossos sentidos nos dão apenas informações indiretas. Nossa noção a respeito desse mundo físico feito pela mente é sempre filtrada por nossos sentidos e, assim, sempre incompleta.

A imagem do coração aberto de Cristo transmite de forma poderosa a ideia de que devemos estar abertos a toda a dor. Devemos aceitar tudo se quisermos nos manter abertos à fonte evolutiva. Não quer dizer que você deve se tornar um masoquista, não está à procura da dor, mas quando a dor vier, pois inevitavelmente ela vem, simplesmente aceite a realidade como ela é, ao invés de desejar uma outra realidade.

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