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sábado, 30 de junho de 2012



“Se todos sob o Céu reconhecem o belo como belo,
assim conhecerão o feio.
Se todos sob o Céu reconhecerem o bem como bem,
Assim conhecerão o mal.
Ser e Não-Ser engendram-se mutuamente,
Fácil e difícil completam-se,
Longo e curto delimitam-se,
Alto e baixo regulam-se,
Tom e som harmonizam-se,
Antes e depois sucedem-se.
Por isso o Santo-Homem pratica o Não-agir e ensina sem falar.
Os Dez Mil seres agem, e ele não lhes recusa ajuda.
Produz sem apropriar-se, trabalha sem nada esperar em troca.
Realiza obras meritórias sem apegar-se a elas
E justamente por isso suas obras perduram.”
(Lao Tsé. Tao Te King-verso 2)


Não-agir, para o taoísmo, não significa nada fazer. Significa integrar-se, participar das coisas sem querer mudá-las por simples vontade nossa. Isso quer dizer que devemos fazer parte da natureza sem tentar domá-la, sem tentar fazer com que ela tenha o nosso rosto.

Isso significa estar sempre em comunhão com ela. Isso é Não-agir. É pura ação integradora. A Natureza (Os dez mil seres) já tem uma atuação normal e própria. Nós somos parte dela. Quando tentamos tirá-la do seu curso estamos lutando contra ela e não cumprindo a parte que nos cabe na composição do seu corpo.

A natureza é um organismo igual ao nosso. Quando a ferimos, agimos como células cancerosas que se rebelam contra as leis naturais que regem a vida do organismo e destroem o seu equilíbrio.

O homem sábio (o Homem-Santo) não lhe recusa colaboração. O que ele faz é sempre para acrescentar, nunca para subtrair. E dessa forma realiza obras meritórias, porque não faz para ele, mas sim para o todo ao qual pertence. Por isso suas obras perduram.

Lao Tsé, o inspirado autor do Tao Te King foi um filósofo chinês que viveu há mais de dois mil e quinnhentos anos. Ele escreveu o Tao Te King para lembrar aos seus compatriotas chineses que o homem tinha uma grande responsabilidade em relação á saúde do planeta, porque ela era como o nosso próprio corpo. Se ele ficasse doente, nós também ficaríamos. Se ele morresse, nós também morreríamos.

Isso mostra, que desde aqueles longinquos dias os homens já agiam como vermes, roendo o próprio cadáver. Não mudamos muito desde então, mas a esperança morre por último e enquanto ela viver teremos uma chance. Enquanto isso,é bom reler Lao Tsé. (João Anatalino)

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