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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Thich Nhât Hanh:

Um pai está fazendo seu filho sofrer. O pai não vê que ele está causando esse sofrimento para o filho e para si mesmo. Ele realmente acredita que o modo que está tratando seu filho é para seu bem. Na verdade não é bem assim.

A verdade é que o pai tem muitas dificuldades e feridas, mas ainda tem que enxergá-las (a primeira Nobre Verdade: aceitação do sofrimento) e olhar para suas causas raiz (a segunda Nobre verdade: o caminho que leva ao sofrimento). Ele não sabe como lidar com seu próprio sofrimento, faz seu filho sofrer e acredita que seu filho é aquele que causa toda a infelicidade.

Talvez desde pequeno o pai era objeto de tratamentos cruéis por seu próprio pai, o avô. O avô despejou toda sua raiva e sofrimento neste pai; e agora o pai está fazendo o mesmo que o avô, despejando sua raiva e dor no seu filho. A roda do samsara gira de novo e de novo, enquanto o sofrimento passa de uma geração para a outra. O pai não vê a segunda Nobre Verdade, a origem do sofrimento. Agora é a hora do filho praticar:

Inspirando, me vejo como uma criança de cinco anos
Expirando, sorrio para a criança de cinco anos que ainda está viva e presente em mim
Inspirando, vejo a criança de cinco anos em mim frágil, vulnerável e ferida
Expirando, abraço a criança de cinco anos em mim com todo meu entendimento e amor


Esta é a primeira parte da prática, voltar a si mesmo, reconhecer e abraçar a pequena criança dentro de você. Até agora você esteve muito ocupado para fazer isto. Agora você volta para falar e abraçar esta criança. O processo de cura pode começar.

Quando você tiver praticado a primeira parte com sucesso, pode ir para a segunda parte:

Inspirando, vejo meu pai como uma criança de cinco anos
Expirando, sorrio para meu pai com cinco anos de idade.


Muitas pessoas tiveram dificuldades dolorosas nas relações com seus pais. Você pode nem ter percebido até agora que a criança de cinco anos de idade que se tornou seu pai está aqui hoje, presente em você, assim como nele. Ambos seu pai e mãe transmitiram nada menos que eles inteiros para você. De fato, você e seu pai não são duas pessoas completamente diferentes, apesar de não serem exatamente a mesma pessoa também. O mesmo é verdade com relação a sua mãe. Este insight maravilhoso pode ser chamado “Nem um, nem dois” – nem exatamente o mesmo, nem totalmente diferente.

Se você puder abraçar a criança de cinco anos de idade dentro de você, poderá abraçar a criança de cinco anos de idade nos outros também, e então a transformação de sua relação pode acontecer muito rapidamente. Se apenas seu pai tivesse tido a chance de aprender isso quando jovem, não teria causado sofrimento a ele e a você.

Mas ele não foi tão afortunado, portanto você tem que praticar por você e também por seu pai em você. Quando você transformar seu pai dentro de você, será capaz de ajudar seu pai fora de você a se transformar muito mais facilmente. Praticando deste modo poderemos efetuar uma transformação em nós mesmos assim como em nossos pais, e evitaremos repetir os mesmos erros com nossos filhos. A roda do sofrimento será parada finalmente.

Este entendimento profundo do sofrimento e de suas causas raiz faz nascer aceitação e amor. Quando podemos amar e aceitar, nos sentimos muito melhor e também seremos capazes de ajudar as outras pessoas a se transformar – uma tia ou tio, um irmão ou irmã, um colega ou amigo.

Em você há uma semente de uma formação mental chamada prajna, “insight”. Significa profundo entendimento. Quando o entendimento profundo está presente, a situação muda imediatamente. Prajna é, primeiramente, ver e entender qualquer sofrimento que esteja presente assim como sua natureza e origem. Praticando o olhar em profundidade, usando os exercícios acima, nos faz aumentar nossa capacidade de estar presente para todas as atividades de nossa mente; mas às vezes esquecemos ou não realmente nos aplicamos em usá-los, especialmente quando as paixões estão inflamadas.

Nesses momentos precisamos da intervenção da plena atenção. Plena atenção é uma formação mental que é a mais essencial e necessária para nossa prática. Deveríamos lembrar que a plena atenção sempre leva ao insight. Quando temos insight, muito naturalmente aceitamos, perdoamos, amamos e somos felizes. Quando falta insight, mudamos a direção para a raiva, ciúme, ódio e sofrimento.

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