Um prédio que desaba deixa sempre
mortos e feridos, e entre eles os vivos que se salvam sem um arranhão. Desse
fato, e dessa narrativa, não interessam esses personagens, que de tempos em
tempos são os mesmos das outras histórias, mas sim as suposições do motivo pelo
qual um prédio cai.
Dentre todas as indignações pouco
se pergunta o motivo da maioria NÃO cair. Por um lado, isso mantém o controle
do pânico coletivo e das depressões. Sistemas psicológicos ajudam na aceitação
e esquecimento do caos do universo para que os indivíduos possam morar
empilhados e entrar em aviões. O fato de diariamente coisas caírem de nossos
bolsos, pessoas tropeçarem, aviões e rochedos despencarem é raivosamente questionado,
sempre com muito espanto e surpresa, como se não fosse a mais pura natureza dos
corpos tenderem a se espatifar no chão quando em suspensão ou equilibro, ou a
nunca saírem de lá, do chão. Rastejam-se, quando estão com vida, repousam
quando estão sem, tendo o privilégio da suspensão, gases em geral e corpos que ejetam-se
através de mecanismos próprios (artificialmente, como no caso dos foguetes, ou
naturalmente, como no caso dos passarinhos).
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