
Lobão, sobre o Herbert Vianna:
Faço "Cena de Cinema" (1982), ele faz "Cinema Mudo" (1983), com a voz igual à minha. Tive que trocar de voz. Não é um plágio, mas é o conceito. Faço "Me Chama" (1984), ele faz "Me Liga" (1984). Chamo Elza Soares, o cara chama Elza Soares. Vou fazer um disco de samba para fugir dele, eles vêm com "Alagados" (1986) e se tornam pioneiros!
Vou fazer música eletrônica, vou fazer "Noite" (1998). Soube que eles iam fazer um disco de música eletrônica, era para "Hey Na Na" (1998) ser eletrônico.
Mas sabe como fecha essa história? Ele se recupera, volta do coma, fala uma coisa em espanhol, outra em inglês, outra em português e imediatamente pede um violão. A primeira coisa que cantou? "Chove lá fora e aqui..." (de "Me Chama")!
Ele institucionalizou jabás, de dar vinhos, passeio de asa-delta, cooptar a imprensa vizinha. Eu estava falando com João Gordo, e ele: "Não posso falar, porque ele me deu uma guitarra". Tá tudo dominado.
Tem um episódio maravilhoso do Gil. A gente tava quase amigo, aí um assessor me convidou para uma recepção no Palácio do Planalto: "Gil faz questão que você vá". Aceitei. No dia seguinte, liga alguém do ministério: "Gil pediu um favor do coração, dá para você pegar o violão dele e trazer? Ele não teve tempo". Achei esquisito. Fui lá com o violão, cara-de-tacho. Cheguei no aeroporto de Brasília, tá lá a Paula Lavigne: "Mas o que você tá fazendo com o violão de Gil?". "Como você sabe que é o violão do Gil?". "Ah... Você não tá indo pra lá?". Ih, achei esquisito. No dia seguinte, sai na coluna do Ancelmo Gois (colunista do jornal O Globo): "Lobão de roadie de Gil". Montaram um factoide. Esse tipo de pessoa é muito esquisito, muito traiçoeiro.
Lulu (Santos) chegou a fazer uma coisa, que um jornalista falou pra mim. Topou dar uma entrevista, mas tinha de ser na sala do presidente da Sony. O jornalista entrou na sala, Lulu estava na mesa do presidente: "Tá vendo que eu tô aqui, né? Onde tá o Lobão? Na banca de jornal, lugar dele. Vamos começar a entrevista".

QUEM TEM MEDO DO LOBO MAU?

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