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domingo, 31 de outubro de 2010

Ontem o homem do glitch e do harsh noise e a mulher do teatro pós-dramático dançamos no baile dos Monarcas. Um link com os meus primórdios de instrumentista, a calhar com a retomada da gaita-ponto em músicas do input_output. Enquanto rodávamos entre os inúmeros casais que rodavam, eu via um rosto mais lindo do mundo revelando felicidade, reciprocidade e a alma mais linda do mundo. Epifania.



Gineteando o temporal

Grita o silêncio da noite, corcoveiam os trovões
Línguas de fogo lambendo aramados e moirões
No céu um patrão tropeiro vai remexendo os tições
E um macegal se ajoelhando como a pedir mil perdões
E o gado todo mais louco do que a fúria desse vento
Redemoinha no relento, à procura de capões
Relâmpagos que se cruzam retratam por entre as plagas
Os entrechoques de adagas das velhas revoluções

No horizonte as labaredas vão guasqueando o tempo feio
Teatros de assombrações, cenário do mundo alheio
Boitatás e caiporas, tropilhas do pastoreio
Meu baio pateando raio, o temporal gineteio
Neste entreveiro matreiro de faísca, vento e raio
Me agarro às crinas do baio, que já nem liga pro freio
E uma faísca teimosa lhes come a tala do mango
Só por ciúmes de fandango partiu minha gaita no meio

Os coriscos vão marcando o longo preto do tempo
Nuvens pançudas de chuva se aninham no firmamento
A mata inteira valseia num compasso pacholento
Com fogo se apaga fogo, sempre a cabresto do vento
Por isso um galho extraviado veio tapear meu chapéu
Atiçando um fogaréu nos bretes do pensamento
Me apeguei à Santa Bárbara pra domar o temporal
Que sem maneia e buçal ficou meu sovéu com o tento

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