
Aaron Lake Smith/GQ Magazine - O que você acha de bandas como os Sonic Youth, que assinaram com uma major dotados de um completo entendimento adulto sobre a escolha que eles estavam fazendo?
Steve Albini - Eu desconheço as circunstâncias exatas da decisão dos Sonic Youth, então eu não me sinto confortável de dizer que eles fizeram errado. Mas um monte de coisas em que eles estiveram envolvidos como fazendo parte do mainstream são detestáveis para mim. E um monte de coisas que aconteceram como resultado direto da associação deles com a indústria da música deu credibilidade a algumas das noções nonsense que estiveram envolvendo a maquinaria de fabricação de estrelas. Um monte daquilo foi ofensivo pra mim e eu vi isso como uma corrupção de uma cena musical perfeitamente valiosa e azeitada. Os Sonic Youth escolheram abandoná-la para se tornarem uma banda de sucesso mainstream modesto — ao contrário de ser uma banda independente de sucesso absoluto, que poderia usar seus recursos e suas influências para estender esses sucesso ao movimento todo. Eu acho que isso foi grave e que refletiu pobremente neles mesmos. Eu ainda os considero amigos e a música deles tem sua integridade, mas aquele tipo de comportamento — eu não sei dizer se não era constrangedora pra eles. Eu acho que eles ficaram constrangidos.
Como você acha que a música poderia ser hoje se os Sonic Youth não tivessem levado aquelas bandas — Bikini Kill, Pavement, Nirvana, para a categoria do mainstream?
Eu acho que o que eles fizeram foi levar um monte de gente que não tinha aspirações ou ambições e os encorajaram a fazerem parte da indústria musical. Eles validaram as noções incipientes que aqueles garotos tinham de que eles um dia poderiam se tornar rock stars. E então eles induziram uma porção deles a fazerem movimentos muito estúpidos nas carreiras deles. Aquele foi um período em que a cena musical ficou completamente feia — havia um monte de parasitas envolvidos como advogados e empresários. Havia pessoas que estavam fazendo suas vidas nas costas das bandas, que por sua vez estavam fazendo o trabalho inteiro. Se os Sonic Youth não tivessem feito o que eles fizeram, eu não sei o que teria acontecido — o jogo da história alternativa é um tanto quanto tolo. Mas eu penso que eles baratearam a música um pouco. Eles tornaram a cultura musical feia e vazia e foram geralmente uma má influência.

Sonic Youth junto com Nirvana no camarim de um dos inúmeros shows e turnês que fizeram juntos nos anos 90
Você escreveu um artigo no início dos anos 90 chamado "The Problem With Music" que explorou o parasitismo da indústria cultural e as questões econômicas do modelo de pico e declínio — Esse modelo ainda existe, nessa nova era de downloads, iTunes, Pitchfork e virais em que as bandas têm que vergonhosamente promover a si mesmas online para aparecerem?
Esta é uma época maravilhosa para se estar numa banda. Cada banda tem acesso ao mundo inteiro por padrão. Eu conheço pouquíssimas bandas que estão aptas a se estabelecerem internacionalmente baseadas em nada além de suas presenças na web. É uma ferramenta incrível. É também o renascimento de um monte de bandas que surgiram antes da internet e nunca tiveram penetração suficiente para encontrar seu público natural. Mas porque a música sobreviveu, algumas pessoas estiveram interessadas em disseminá-la por razão alguma que não seja porque elas gostam. As pessoas colocam coisas no YouTube não porque elas querem fazer dinheiro com isso, o que é a única razão para a indústria mainstream fazer alguma coisa, mas porque elas acham que isso é bom. É como se fosse uma mix tape planetária. Uma quantidade enorme de bandas que não tinham público em sua primeira encarnação puderam reavivar suas carreiras e fazer uma segunda volta no autódromo. Isso é fantástico.
Como você descreveria a moda?
É uma coisa repulsiva. Me enoja pensar que existe uma indústria que que jogam com a baixa auto-estima das pessoas. Eu gostaria que a indústria da moda entrasse em colapso. Ela joga com as partes mais superficiais e inseguras da natureza humana. Eu espero que a GQ, como uma revista, falhe. Espero que todas essas pessoas que vivem para parecerem bonitas sejam de alguma forma forçadas a fazer algo de substância. Pelo menos a pornografia terá uma função.

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